-VI Jornadas Independentistas galegas

As VI Jornadas Independentistas Galegas consolidam-se como um dos espaços de reflexom e análise político-ideológico mais importantes do movimento independentista, socialista e antipatriarcal da Galiza, e servírom para conhecer com mais profundidade a realidade do campo anti-capitalista em Portugal, reforçando os laços fraternos que o MLNG deve manter com @s noss@s camaradas comunistas de Portugal.

 

APRESENTAÇOM DAS JORNADAS

Lugar: Salom de Actos da Faculdade de Filolosofia de Compostela.
Datas: 27 a 30 de Maio.
Título: PORTUGAL, da revoluçom de Abril à desmobilizaçom popular

A temática das VI Jornadas Independentistas Galegas deste ano 2002 centra-se na situaçom sócio-política de Portugal e na necessária análise e reflexom sobre a Revoluçom de Abril de 1974.
Com estas jornadas, Primeira Linha pretende dar a conhecer entre o movimento de libertaçom nacional e social de género da Galiza a realidade do nosso país irmao, Portugal, mediante destacadas vozes do Portugal rebelde e insubmisso.

As luitas da mocidade, da classe trabalhadora e das suas mulheres pola liberdade e a emancipaçom, contra a exploraçom capitalista e a opressom de género, centrarám parte do programa das VI JIG. Mas também consideramos imprescindível realizar, para lá de nostálgicas e mistificadas interpretaçons, umha rigorosa análise marxista da revoluçom que entre Abril de 1974 e Novembro de 1975, -em 580 dias de "poder popular"-, derrubou o fascismo, libertou as colónias e tentou construir umha nova sociedade. Experiência que marcou várias geraçons de comunistas e revolucionári@s na Galiza e em muitos povos do mundo como um exemplo e um alento na luita.
Nunca devemos esquecer que a Galiza deve muito ao Portugal revolucionário. Ele acolheu @s noss@s exiliad@s, forneceu apoio logístico, económico e de todo o tipo, à nossa luita contra o capitalismo espanhol.

Por este motivo, contamos com a presença de quatro revolucionári@s portugueses/as, que representam umha das correntes políticas da esquerda anticapitalista, @s noss@s camaradas de POLÍTICA OPERÁRIA, que após o fracasso da revoluçom dos Cravos e a consolidaçom da democracia burguesa, nem se integrou no sistema, nem renunciou aos objectivos que levárom o povo português a derrubar o fascismo em 1974 e tentar construir umha sociedade socialista.

Nesta ocasiom, além de quatro conferências, também projectaremos dous filmes e um documentáriol sobre o processo revolucionário português e a luita pola independência de umha das colónias, a Guiné.

Galiza, Maio de 2002

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PROGRAMA

Segunda-feira 27

20 horas. Situaçom, problemas e perspectivas da juventude portuguesa. Alexandre Isaac, do Comité Revolucionário de Estudantes Marxistas.

Terça-feira 28.

18 horas. Projecçom do filme Deus, Pátria e Autoridade, de Rui Simões
20 horas. A crise do movimento operário. Vladimiro Guinot, electricista, redactor do jornal Voz do Trabalho.

Quarta-feira 29.

17.30 horas. Projecçom do filme Bom Povo Português, de Rui Simões.
O feminismo em Portugal. Ana Barradas, jornalista e dirigente da organizaçom comunista Política Operária.

Quinta-feira 30.

18 horas. Projecçom do filme sobre a guerra colonial Acto dos Feitos da Guiné de Pedro Matos Silva.
Abril traido. Análise marxista da Revoluçom dos cravos. Francisco Martins, director da revista comunista Política Operária.

Bancadas de exposiçom e venda de livros e publicaçons portugueses.
Colaboram a Livraria Palavra Perduda e a Dinossauro Edições.

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SINOPSES DOS FILMES

Deus, Pátria e Autoridade, de Rui Simões, 1975.

Não discutimos Deus e a virtude.
Não discutimos a Pátria e a sua história.
Não discutimos a autoridade e o seu prestígio.
Salazar, 1936

A partir deste célebre discurso de Salazar, em 1936, o filme procura mostrar os fundamentos do regime fascista durante os seus 48 anos de existência, de 28 de Maio de 1926 até 25 de Abril de 1974.

O funcionamento da sociedade portuguesa desde a revoluçom republicana de 1910 que derrubou a monarquia, a ideologia salazarista, o apoio da igreja ao Estado Novo, a repressom e a guerra colonial som os temas principais deste filme.

Bom Povo Português, de Rui Simões, 1980.

O filme testemunha a experiência da equipa de filmagem que de umha forma militante procurou registar a grande convulsom social entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975. As luitas d@s trabalhadoras/es dos campos e das cidades, as ocupaçons de casas e terras, as contradiçons no seio do povo, a democracia nos quartéis, etc.

Este filme foi premiado com:

-Prémio do público e da crítica na 4º Mostra Internacional de São Paulo, 1980.

-Prémio do 9º Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, secçom Imagens e Documentos, 1980.

-Prémio especial do júri do Festival Internacional de Cartagena, 1881.

Acto dos Feitos da Guiné, de Pedro Matos Silva, 1980.

Ficçom e realidade misturam-se neste filme, explicando a história da Guiné-Bissau, a colonizaçom portuguesa e a luita de libertaçom nacional conduzida polo PAIGC. Imagens reais de guerra e excertos de documentários cruzam-se com imagens e elituras do livro do século XVI História trágico-marítima e textos inspirados pola guerra colonial, e com os pontos de vista ficcionados de personagens emblemáticos: o colono, o retornado, o guerrilheiro, o militar, o pide, o padre, o "descobridor", etc.

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APROXIMAÇOM BIOGRÁFICA D@S CONFERENCISTAS

Alexandre Isaac, estudante de Antropologia, de 25 anos. Membro fundador do Comité Revolucionário de Estudantes Marxistas (1996). Activista de vários grupos de base de intervençom na política universitária e participante em várias listas concorrentes à Associação de Estudantes (1996 a 2001). Activista dos colectivos "Acção contra a Guerra" e de Solidariedade com Mumia Abu Jamal. Membro da direcçom da Biblioteca da Nazaré e colaborador do jornal Notícias da Nazaré.

Vladimiro Guinot, electricista, de 54 anos. Militou no PCP nos anos 60 e depois num grupo marxista-leninista (URML). Foi preso três vezes pola polícia política salazarista, a PIDE. Depois do 25 de Abril, foi delegado sindical nas empresas ACTA e ENI e dirigente do Sindicato dos Electricistas do Sul e Ilhas. Foi dirigente da UDP (União Democrática Popular) e posteriormente membro do Comité Central do PCP(R), Partido Comunista Reconstruído. Abandonou este partido no início dos anos 80. É membro de Política Operária e redactor do jornal Voz do Trabalho.

Ana Barradas, tradutora e jornalista nascida em Moçambique em 1944. Iniciou a actividade política fundando com outr@s jovens a Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Secundário. Na África do Sul e em Moçambique desenvolveu actividades anticolonialistas até finais dos anos 60. Em Portugal fijo parte da Comissão de Apoio aos presos políticos e integrou umha organizaçom marxista-leninista. Depois do 25 de Abril aderiu à União Democrática Popular e ao Partido Comunista Reconstruído, PCP(R). Abandona estas organizaçons em 1983 para fundar a organizaçom comunista Política Operária, de cuja revista é redactora.

Reconhecida voz do feminismo em Portugal, é autora de vários livros, entre os que destacamos Dicionário Incompleto de Mulheres Rebeldes, Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa e O Império a preto e branco. Tem traduzido mais de cinqüenta títulos para diversas editoras.

Francisco Martins Rodrigues, 74 anos, gráfico reformado. Pola sua intensa actividade contra o fascismo, foi preso pola PIDE, a polícia política da ditadura portuguesa, cinco vezes, num total de 12 anos de cadeia. Em 1963 abandonou o PCP, a cujo Comité Central pertencia, e participou na criaçom do Comité Marxista-Leninista Português e da Frente de Accão Popular. Após o 25 de Abril, foi um dos fundadores da União Democrática Popular, e posteriormente do Partido Comunista Reconstruído, PCP(R). Em 1983 funda Política Operária, de cuja revista é director há 16 anos.
Tem publicado diversos ensaios politicos, entre os que destacamos Anti Dimitrov. 1935-1985 meio século de derrotas da revolucão;Abril traído; O futuro era agora. O movimento popular do 25 de Abril.

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As VI Jornadas Independentistas Galegas em imagens

Já podes aceder às comunicaçons apresentadas nas VI Jornadas Independentistas Galegas pol@s camaradas portugueses da Política Operária
No dia 30 de Maio finalizárom em Compostela as VI Jornadas Independentistas Galegas que anualmente e com carácter monográfico organiza Primeira Linha. Este ano as Jornadas fôrom dedicadas a analisar a situaçom da luita de classes em Portugal e a reflectir sobre a experiência revolucionária vivida no país irmao entre o 25 de abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. A projecçom de três filmes-documentários, -inéditos na Galiza-, acompanhárom as intervençons de quatro camaradas da POLÍTICA OPERÁRIA que abordárom a situaçom da juventude, a classe operária e as mulheres em Portugal, bem como a análise da Revoluçom dos Cravos. Intervençons podem já ser consultadas integramente nesta página.
· As VI Jornadas Independentistas Galegas em imagens (+...)
- O campo operário está minado polo inimigo. Vladimiro Guinot
- Haverá espaço para a revolta?. Alexandre Isaac
- O feminismo ainda nom começou. Ana Barradas
- 25 de Abril: O proletariado incapaz de aproveitar a crise de poder. Francisco Martins