Dispara-se o número de galegas assassinadas

foto: MNG

 

 

 

Às três e meia da tarde da quinta-feira 29 de Maio, Cándida falecia no comedor da sua casa dum disparo na cara. O seu marido empunhava a espingarda de caça coa que a matou, segundos depois suicidava-se. Cándida é a segunda mulher assassinada pola sua parelha no que vai de ano e coa sua morte iguala-se a dramática estatística de 2002. O ano passado, segundo os dados do governamental "Instituto da Mulher", falecérom no conjunto do Estado espanhol 52 mulheres. Até Maio de este ano a cifra de mortas polo terrorismo machista atinge já as 33 vítimas.
A também assassinada Maria do Carmo no lugar de O Seixo, em Mugardos, o passado 10 de Fevereiro foi este ano a primera vítima da violência patriarcal. Maria do Carmo de 72 anos faleceu de um brutal golpe na cabeça, o último que lhe dava o seu marido depois de toda umha vida de maus tratos.
Cristina, de 26 anos, assassinada o 11 de Fevereiro em Labanhou, poderia ser a terceira vítima galega. Num primeiro momento pensou-se que o móbil da sua morte foi um atraco, mas a polícia baralha este crime como umha agressom machista nas hipóteses das suas investigaçons.
Os assassinatos mostran o lado mais amargo dos maus tratos, um problema que na maior parte dos casos permanece oculto. Estima-se que só o 10% das agressons som denunciadas e ainda assim na Comunidade Autónoma apresentárom-se em 2002, 1.355. Até Abril de este ano, 471 galegas tenhem denunciado maltratos perante a polícia.

Escasas denúncias

As estatísticas do Ministério do Interior espanhol revelam que a Comunidade Autónoma Galega é umha das comunidades com menos denúncias. Porém o último inquérito do "Instituto da Mulher" situa o nosso país como a quarta "autonomia" com cifras mais elevadas de violência machista. Embora o número de vítimas nom é fácilmente quantificável, o estudo estima que umhas 170.000 galegas sofrem algun tipo de violência, já seja psíquica ou física, no seu contorno e que de elas 94% padecem esta situaçom a maus das suas parelhas.
Denunciar ao maltratador perante a polícia nom significa por fim ao seu calvário. As ameaças incrementam-se e as mulheres continuam desprotegidas. A estrategia do isolamento é umha das mais utilizadas polos maltratadores que em muitos casos proibem ter amigos ou incluso visitar a sua família. A miudo, a única saída é abandonar o "fogar" e dirigir-se a um centro de acolhida.
Na CAG existem 11 casas de acolhida com umha capacidade total de 177 praças, sete na "província" da Corunha, duas em Ponte-Vedra, e umha em Lugo e Ourense. O seu financiamento depende fundamentalmente dos concelhos nos que estám instaladas. A casa de acolhida de Compostela tem um orçamento anual algo inferior aos 140.000 euros (23 milhons de pesetas). 48.000 euros som pagos pola Deputaçom da Corunha, 9.000 da Junta e o resto polo concelho.

Outro dos problemas das casas de acolhida é que só som umha soluçom temporária. Umha vez que finaliza a sua estadia na casa a mulher volta a encontrar-se em muitos casos, soa com os seus filhos e sem ingressos económicos. A falta de protecçom assistencial provoca que umha de cada quatro mulheres maltratadas nom encontre outra alternativa que a de voltar com a sua parelha.


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