Os média
e a guerra: Al Jazira, o único canal que mostra todo o que os ianques
censuram
27 de Março de 2003
A
emissora de televisom Al Jazira, que atinge 35 milhons de domicílios
árabes, está a ser o único canal a romper o cerco mediático
imperialista, que desde o início da guerra pretendeu enganar a opiniom
pública internacional com montagens da suposta rendiçom iraquiana,
a ocultaçom das vítimas civis provocadas polos invasores, bem
como das baixas no bando "aliado". Também Al Jazira permitiu
desmontar o inventado apoio popular às forças invasoras, mostrando
o rechaço anti-ianque crescente no Iraque e no mundo árabe.
Outras manipulaçons como a suposta revolta pró-ocidental do
povo de Bassorá fôrom também deixadas em evidência
polas cámaras de Al Jazira.
Se bem os meios do imperialismo tentam desacreditar as notícias divulgadas polo canal qatariano, o certo é que tem demonstrado a sua fiabilidade quer no acompanhamento da passada guerra imperialista contra o Afeganistám, quer noutras notícias de alcance internacional relacionadas com o mundo árabe.
A consolidaçom de Al Jazira como alternativa aos grandes canais ao serviço do imperialismo na regiom tenhem preocupado o Governo Ianque, que chegárom a reclamar formalmente ao Governo do Qatar a sua clausura, ao tempo que maquina a posta em marcha de um canal em língua árabe que reproduza a ideologia pró-ocidental e ajude a desinformar em conflitos como o actual.
Quanto aos meios ocidentais, profissionais independentes dos poderes capitalistas estám a alçar as suas vozes contra o espectáculo que estám a oferecer. Geneva Overholser, professora da escola de jornalismo da Universidade de Missouri, denunciou que os meios de comunicaçom norte-americanos, principalmente a televisom, ultrapassárom a linha vermelha e atacárom "directamente o coraçom da credibilidade. Em sua opiniom, "nom estám fazendo jornalismo, estám fazendo propaganda, sem se importar que seja verdadeira ou mentirosa". A professora também nom concorda com os que argumentam que a parcialidade da imprensa deve ser interrompida no caso de uma guerra. "Eles acreditam sem dúvida que vam ganhar com isto a simpatia do público, mas estám é violando um princípio jornalístico primordial", advertiu.
Umha
outra jornalista norte-americana, Sheryl McCarthy, do nova-iorquino Newsday,
escreveu num recente editorial: "os programas de informaçom das
grandes redes de televisom nom se ocupam em cobrir a guerra, dedicam-se a
fazer promoçom. A sua mensagem é que os Estados Unidos tenhem
a força e o poder e que nos preparamos para aplicar em Saddam Hussein
umha tremenda surra. E quem se opuger aos nossos propósitos é
suspeito". Por sua vez, Geneva Overholser concluiu dizendo que "nom
se deve confundir patriotismo exaltado com dever jornalístico. E esse
tipo de jornalismo que está sendo feito aqui, sinceramente, dá-me
nojo".
Também no Estado espanhol os meios do sistema estám a tomar partido polo imperialismo, como nom podia ser doutro jeito no contexto actual. Hoje mesmo pudemos ver o correspondente de Telecinco falar da "morbosa" publicaçom das vítimas civis nos jornais iraquianos, adjectivando despectivamente umha informaçom verídica, mas nom ousando dar um só adjectivo às acçons ianques e inglesas que, com apoio logístico dos próprios espanhóis, estám a provocar as matanzas de civis iraquianos.
Isso, no canal supostamente "alternativo" aos TVE e Antena 3, abertamente aditos ao Governo do PP e à sua aposta belicista.