ASEREJÉ. Floren Aoiz

Gara, 17 de Agosto de 2002

O caudilho José Mári Aznar sente-se inquieto porque o hino do reino de Espanha nom tem letra, letra oficial, entenda-se.

É bem improvável que o führer José Mári siga os meus conselhos, mas desta humilde coluninha atreveria-me a sugerir-lhe que, mais do que umha letra definitiva, seria óptimo renová-la cada certo tempo. Incluso poderia organizar-se umha espécie de Espanhavisom e a sua conseguinte Operación Hino Triunfal.

Também poderia estudar-se a ideia de fechar numha praça de touros vários candidatos a interpretarem a Marcha Real e ir expulsando-os sucessivamente até topar o ideal.

Mas, como todo isto havia de supor certo atraso e José Mári precisa de umha letra com urgência, polo mesmo preço ofereço-lhe umha outra hipótese: acomodar a letra do êxito do verao "Aserejé" à música patriótica.

Nom deveria assustar-se pola complexidade do texto, pois o êxito está assegurado. Embora um já nom tenha quinze anos e o seu corpo ande a rastos como pode por um número cada vez mais reduzido de localidades em festas, o périplo deste ano bastou para verificar o fenómeno antropológico em que se converte qualquer taberna, praça ou baiuca quando soa a tal musiquinha. De facto, a dificuldade em memorizar o galimatias semelha esbater-se frente ao pánico ao ficar fora do rebanho no momento do supremo balido colectivo.

Nom há dúvidas, portanto, de que há de ser um hit-parade patriótico sem precedentes: só quem tapar os ouvidos como Ulises face às sereias há de poder resistir ante o feitiço desta música.

De resto, sobram motivos para que aletra do hino de Espanha seja entre pirosa e surrealista. Pode alguém imaginar algo mais ajeitado para um reino que fai brincadeira dos direitos humanos, em que a separaçom de poderes é um refrám de buleria e a referência à igualdade perante a lei soa mais improvável que um bolero islandês? Que melhor para umha monarquia bananeira esperpêntica do que umha enfiada de palavras de ar cosmopolita com a virtude de nom quererem dizer nada? Existe por acaso umha melhor maneira de exprimir a essência de umha naçom inexistente do que a pura palavrada?

A um disparate de naçom, um hino absurdo. Para além do mais, até tem a sua própria coreografia.

Voltar à página principal