Polícia espanhola clausura o único jornal em euskara, “Euskaldunon Egunkaria

Polo seu interesse reproduzimos integramente o comunicado de Batasuna sobre o fechamento do jornal basco Euskaldunon Egunkaria que vimos de receber.

Em  20 de Fevereiro de 2003, o único jornal em língua basca Euskaldunon Egunkaria foi clausurado pola Polícia espanhola e 10 dos seus máximos responsáveis fôrom detidos, entre eles o seu director, Martxelo Otamendi, acusados de “colaboraçom ou pertença a ETA”. Como conseqüência de todo isto, fôrom precintadas todas as principais sedes do jornal em Andoain (Gipuzkoa), Iruñea (Nafarroa), Gasteiz (Araba) e Bilbo (Bizkaia). Cerca de 150 trabalhadores ficárom sem emprego. Unicamente segue aberta a delegaçom de Baiona (Lapurdi) por estar situada em território francês.

Na mesma operaçom a Guardia Civil espanhola, baixo as ordens do Juiz Del Olmo da Audiência Nacional de Madrid, registou e interveu as contas da revista em língua basca Argia e la publicaçom cultural em língua basca Jakin, com requisiçom em ambas as redacçons de numeroso material informático. Os escritórios da Federaçom das Ikastola (escolas bascas) também fôrom registadas e muito material pedagógico, contável e cultural foi levado a Madrid.


 O QUE É EUSKALDUNON EGUNKARIA?

EUSKALDUNON EGUNKARIA é o único jornal que se publica integramente em euskara, língua basca, e se fundou no 6 de Dezembro de 1990, saindo desde esse dia seis dias por semana, excepto nas Segundas-feiras, e a sua distribuiçom chega às sete províncias bascas a ambos os lados da fronteira franco-espanhola que divide o nosso País. É portanto, ademais do único em euskara, o único jornal de cobertura nacional basca. Oferece ademais umha versom resumida on-line em inglês.

EUSKALDUNON EGUNKARIA foi desenvolvendo paulatinamente o seu produto informativo, passando das 32 páginas iniciais às 60 actuais e cobrindo todas as áreas informativas: nacional, local, internacional, desporto, cultura... Nos dias de forte publicidade tem chegado a dispor de 72 páginas, inclusive a cor.


QUEM SOM OS DETIDOS?

Todos os detidos estivérom polo menos cinco dias incomunicados em aplicaçom da Lei Antiterrorista e muitos de eles fôrom maltratados e inclusive torturados física e psicologicamente na Direcçom Geral da Guardia Civil, tal como o manifestou no momento da sua saída do cárcere, o director do jornal Martxelo Otamendi. Na actualidade, cinco estám no cárcere, quatro em liberdade provisória após pagar fortes fianças económicas, e o décimo está ingresso no Hospital Gregorio Marañón de Madrid onde segue incomunicado, já que o seu estado nom permite que seja interrogado polo juiz, se bem meios informativos espanhóis têm manifestado que Pello Zubiria, primeiro director de Euskaldunon Egunkaria, tentara suicidar-se durante a sua detençom incomunicada.




Os detidos som:

1.- Martxelo Otamendi. Actualmente em liberdade provisória com forte fiança económica. Denunciou ter sido torturado, maltratado e humilhado nos cinco dias de detençom incomunicada, é o director de Euskaldunon Egunkaria. Foi director e mestre na escola basca do seu município, Tolosa. Trabalhou na Televisom Pública Basca ETB, como apresentador e director de um programa de debate sócio-político “Egonean giro”. Entrou de director em Euskaldunon Egunkaria em 1993.


2.- Iñaki Uria. Actualmente em prisom. É director do Conselho de Administraçom. Tem umha longa trajectória no mundo da língua e cultura basca. Foi um dos promotores da recuperaçom da revista Zeruko Argia, redigida unicamente em língua basca. Revista que deu origem ao actual semanário Argia. Está no projecto de Euskaldunon Egunkaria desde os seus começos, ocupando diferentes cargos de responsabilidade.

3.- Juan Mari Torrealdai. Actualmente em prisom e duramente maltratado e torturado durante o período de incomunicaçom segundo manifestou Martxelo Otamendi. É membro do grupo director de Euskaldunon Egunkaria e director da publicaçom cultural e literária, íntegramente em euskara, Jakin. É um dos referentes culturais bascos mais importantes desde os anos sesenta. Foi editor da desaparecida revista Anaitasuna. É o autor de inumeráveis trabalhos e artigos, destacando entre eles, os relativos à literatura e à cultura basca: Euskal Idazleak gaur ou Euskal Kultura gaur.

4.- Pello Zubiria. Actualmente incomunicado e detido em situaçom incomunicada no Hospital Gregorio Marañón de Madrid. Gravemente doente, foi detido e tratado da mesma maneira, polo que tivo que ser ingressado urgentemente em dito hospital. Segundo meios de comunicaçom espanhóis teria tentado suicidar-se durante o seu periodo de detençom. A família segue sem poder visitá-lo. Foi o primeiro director de Euskaldunon Egunkaria e é subdirector do mencionado semanário basco Argia.

5.- Luis Goia. Actualmente em liberdade provisória após abonar umha forte fiança económica. Produtor de cinema. Fijo parte no grupo Egunkaria Sortzen, do que surgiu Euskaldunon Egunkaria. É membro do Conselho de Administraçom do jornal. É responsável da ediçom de numerosos filmes bascos, trabalhando na sua redacçom e direcçom com Koldo Izagirre, “Offeko maitasuna”, por exemplo.

6.- Fermin Lazkano. Actualmente em liberdade provisória após abonar umha forte fiança económica. Encarregado da empresa Plazagunea que oferta serviços e produtos informáticos integramente em língua basca. Foi membro do Conselho de Administraçom de Euskaldunon Egunkaria nos seus começos. Anteriormente fora professor e responsável da associaçom de euscaldunizaçom e alfabetizaçom de adultos AEK.

7.- Inma Goia. Actualmente em liberdade provisória após o pago de umha forte fiança económica. Foi membro do Conselho de Administraçom do grupo Egunkaria Sortzen, anterior à criaçom, e membro do Conselho de Administraçom de Euskaldunon Egunkaria.

8.- Xabier Alegría. Actualmente em prisom. Foi duramente maltratado e torturado durante a sua detençom, segundo manifestou Martxelo Otamendi. Membro de Udalbiltza, a associaçom nacional de municípios bascos. Inculpado também na causa que levou ao fechamento do jornal Egin em 1997. Anteriormente foi professor e responsável da mencionada associaçom AEK.

9.- Xabier Oleaga. Actualmente em prisom. Responsável de Comunicaçom e de Relaçons da Federaçom de Ikastola. Foi director do jornal Egin nos anos 90, antes do seu fechamento por ordem de Madrid. Conselho de Administraçom de Euskaldunon Egunkaria.

10.- Txema Auzmendi. Sacerdote Jesuíta. Actualmente em prisom. Membro da Equipa Directora de Rádio Popular-Herri Irratia, cuja programaçom é bilíngüe. Conselho de Administraçom de Euskaldunon Egunkaria.


Estas pessoas som portanto os máximos responsáveis da gestom do único meio de comunicaçom diário por escrito em euskara, língua basca, que durante estes 13 longos anos tem informado do mundo e de Euskal Herria em euskara toda a cidadania basca. Esse é o delito e nom outro, polo que som imputados.


RECHAÇO UNÁNIME DA SOCIEDADE BASCA

A reacçom ao fechamento por ordem judicial de Euskaldunon Egunkaria foi unánime e total em Euskal Herria. A medida fomentada polo Governo de José María Aznar só foi apoiada em Euskal Herria polo PP e o PSOE. Todas as demais forças políticas, sociais e sindicais rechaçárom o fechamento do jornal e a detençom dos seus responsáveis, considerando que esta actuaçom “jurídico”-policial, como outras muitas no País Basco, só responde aos interesses de Madrid, e é contrária à vontade maioritária dos e das bascas.


RECHAÇO INTERNACIONAL

A reacçom ante esta nova vulneraçom da liberdade de expressom e do direito a ser informados em língua basca, trascendeu as fronteiras do Estado espanhol. O Secretário Geral da International Federation of Journalist, Aidan White, por exemplo, assinalou que “o fechamento de este jornal em língua basca representa um ataque à liberdade de imprensa no que se refere à populaçom basca”. Para o senhor White, “Euskaldunon Egunkaria” é um meio mais independente que outros que existem em Euskal Herria no que se refere à sua proximidade ao mundo radical basco, polo que se pode deduzir que em realidade supom um ataque à língua basca, o euskara, a língua mais antiga da Europa” (ver { HYPERLINK http://www.ifj.org }www.ifj.org). Entre as primeiras denúncias realizadas por personalidades e organismos internacionais, destacam, ademais da já citada, do senhor White da IFJ, a de Jose Bové (Vía Campesina), a das Maes da Praça de Maio (Argentina) ou a do Partido Comunista (Argentina).

Todos e todas as pessoas ou organizaçons que quigerem fazer chegar a sua solidariedade ou protesto podem dirigir-se à Web dos trabalhadores de Euskaldunon Egunkaria { HYPERLINK mailto:egunaurrera@yahoo.com }egunaurrera@yahoo.com ou ao nosso correio electrónico: { HYPERLINK mailto:internacional@batasuna.org }internacional@batasuna.org e também a { HYPERLINK mailto:Josebaf@hotmail.com }Josebaf@hotmail.com.



A MANIFESTAÇOM EM CONTRA DO FECHAMENTO DE EUSKALDUNON EGUNKARIA FOI A MAIS GRANDE JAMAIS CONHECIDA NA CAPITAL DONOSTIARRA

Dezenas e dezenas de milhares de manifestantes figérom parte na massiva e enorme manifestaçom que se celebrou no dia 22 de Fevereiro em Donostia (Sam Sebastiám) para denunciar o fechamento do único jornal em euskara. Umhas 100.000 pessoas desfilárom durante mais de três horas pola capital guipuscoana, numha manifestaçom gigante e muito plural, em defesa de Euskaldunon Egunkaria e da língua basca.

As fotos de esta manifestaçom fôrom publicadas por “EGUNERO”, a publicaçom diária em euskara de 16 páginas que publica o colectivo de trabalhadores e trabalhadoras de Euskaldunon Egunkaria, desde o dia do seu fechamento. Estas fotos também estám recolhidas na nossa página Web: { HYPERLINK http://www.batasuna.org }www.batasuna.org.


BATASUNA DENUNCIA O FECHAMENTO DE EUSKALDUNON EGUNKARIA E FAI UM CHAMAMENTO À SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL

O objectivo do Governo espanhol do PP é claro: pretende destruir todo o que poda supor um avanço na reconstruçom do nosso país, Euskal Herria, porque sabe perfeitamente que essa é a chave da mudança e da transformaçom da situaçom actual. Esse é o motor da transiçom democrática no País Basco.

O Governo espanhol  assumiu definitivamente que o problema basco nom reside no seu enfrentamento com ETA, senom em liquidar a capacidade do movimento basco de oferecer umha alternativa social e política integral à cidadania basca, inclusive por vias exclusivamente democráticas, já que todo isso fortalece o actual processo soberanista basco.

Nesse senso, todas aquelas pessoas ou estruturas políticas, sociais, sindicais ou institucionais que trabalhem neste processo de mudança política democrática, som um objectivo “terrorista” para o Governo de José María Aznar. Essa é a razom que motivou agora o fechamento de Euskaldunon Egunkaria e a detençom de estas dez importantes personalidades do mundo da língua e da cultura basca.

Esse é o caminho nom empreendido polo PP desde a sua chegada ao poder em 1996. Desde 1998 está-se dando umha continuaçom de ilegalizaçons e encarceramentos de organizaçons e pessoas que trabalham na reconstruçom nacional e transformaçom social em Euskal Herria, acusando todas elas de pertencer ou colaborar com o “entorno de ETA”.

Primeiro encarcerárom em 1997 toda a direcçom, todo o executivo (23 pessoas) da formaçom Herri Batasuna. Posteriormente fechárom o jornal Egin e a rádio Egin. Mais tarde figérom o mesmo com a revista Ardi Beltza. Ilegalizárom a organizaçom KAS, e posteriormente a organizaçom EKIN, que segundo eles veu substituir a anterior, acusados de ser o aparelho político de ETA. Mais tarde ilegalizárom a organizaçom juvenil Jarrai, mais tarde Haika, que segundo manifestou a polícia vinha substituir a anterior. O mesmo figérom com a organizaçom juvenil Segi. O mesmo sucedeu com o movimento pro-amnistia que defende os presos políticos bascos, quase 700 nestes momentos (mais que nos tempos da ditadura franquista). Fôrom ilegalizadas as Gestoras Pro Amnistia e a posterior organizaçom Askatasuna. Todo isto, ademais de criminalizar a organizaçom popular AEK que se ocupa da alfabetizaçom e euscaldunizaçom de adultos (mais de 12.000 adultos) e da rede de ikastola (escolas bascas de criaçom popular que reúnem cerca de 100.000 alunos).

O fechamento de Euskaldunon Egunkaria é portanto um passo mais dado pola direita franquista espanhola na mesma direcçom e nom vai ser o último passo. Virám mais operaçons “juridico- policiais” que respondem à peugada política do PP de José María Aznar, que actua da mesma maneira no tema da ofensiva imperialista, chamada guerra do Iraque, ou no caso do petroleiro Prestige, com a criminalizaçom do movimento “Nunca Mais”.

Fazemos portanto um chamamento a todas as forças e personalidades progressistas para que denunciem tanto o fechamento de este meio de comunicaçom como a situaçom de Estado de Excepçom ao que se vê submetido Euskal Herria.




ESCRITÓRIO DE RELAÇONS INTERNACIONAIS DE BATASUNA
7 de Março de 2003


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