
A berciana Associaçom
para a Recuperaçom da Memória Histórica, que promove
os trabalhos de exumaçom das valas comuns da Guerra de 36, entregará
no próximo dia 15 de Agosto ao Alto Comissionado para os Direitos Humanos
de Genebra mais de 500 solicitudes de familiares de desaparecidos de todo
o Estado espanhol para que a ONU abra umha investigaçom oficial. O
Grupo de Trabalho sobre Desapariçons Forçadas e Permanentes
do Alto Comissionado já comunicou à ARMH que só precisa
de 25 petiçons de familiares para intervir, amparando-se na legislaçom
internacional, e recabará informaçom ao Governo espanhol.
Emílio Silva, membro
da ARMH, e neto dum "passeado" soterrado numha vala já exumada
em Priarança, tem previsto viajar a meados de Agosto à Suiça
para entregar as mais de 500 fichas de desaparecidos reunidas pola Associaçom
com a tençom de implicar a ONU na busca. Umha das comissionadas do
Grupo de Trabalho de Dessapariçons Forçosas e Permanentes, Tamara
Kunanayakam, já contactara a finais de Maio com Silva para informá-lo
dos trámites para solicitar umha investigaçom. Kunanayakam,
que respondia a um pedido de ajuda da ARMH, explicou entom que a legislaçom
internacional é vinculante para os governos em casos de desapariçons
políticas.
A ARMH, que continua a
recolher solicitudes de familiares de desaparecidos no apartado dos correios
número 7 de Ponferrada (código postal 24400), e no endereço
electrónico memoria36@hotmail.com, reuniu casos de todo o Estado espanhol
desde que a finais de Maio difundira as suas tençons. Umha simples
ficha com o nome de cada desaparecido e o seu número de bilhete de
identidade, umha fotografia, a data e o lugar da sua desapariçom, os
grupos ou pessoas armadas a quem se culpa e as medidas adoptadas para tratar
de localizá-lo, é todo o que pediu Kunanayakam à ARMH
para aceitar cada caso. Superando as 25 petiçons, o Alto Comissionado
entende que está facultado para solicitar informaçom ao Governo
espanhol.
O Alto Comissionado também
convidou a Associaçom berciana a participar a finais de Agosto na reuniom
do seu grupo sobre desaparecidos, coincindo com o plenário anual da
ONU em Nova Iorque.
Entrementes, os trabalhos
de exumaçom promovidos e impulsionados pola ARMH continuam avante,
exumando em Onámio os restos de que foi presidente da sua Junta Vicinal
até ser assassinado polos fascistas em 1936.
Um grupo de peritos e
voluntários da ARMH deslocárom-se no domigo 28 até Onámio
onde em torno das 7 da tarde recuperárom os restos de José Fernández
Franganilho, quem fora presidente da Junta Vicinal até que foi assassinado
no ano 1937.
Os trabalhos de exumaçom
tivérom lugar no antigo caminho de Onámio a Molinaseca, para
onde se dirigírom umhas quarenta pessoas, entre colaboradores, membros
da Associaçom e vizinhança. Entre eles, estava José Fernández
Morán, de 69 anos, atento aos trabalhos. É o filho do presidente
daquela Junta Vicinal, e o tempo transcorrido nom conseguiu que esquecesse
os relatos que tantas vezes escuitou da sua mae sobre o ocorrido naquele 28
de Junho de 1937.
"Esse dia, relata,
a Guardia Civil chegou a casa para que o meu pai lhes ensinasse o caminho
para Molina. A minha mae viu-no marchar, e ao pouco tempo escuitou um tiro",
explica José Fernández enquanto a retroescavadora remove a terra.
"Quando a pobre chegou cá, o meu pai estava sentado abaixo um
castinheiro. Ao tocá-lo, tombou. Dispararam-lhe no peito. Ao momento
um Guardia Civil saiu de entre o mato e dixo-lhe "Sinto-o, senhora, foi
sem querer".
Logo de tomar ar para
respirar profundamente, José Fernández Morám continua
o seu relato, para contar que quando a sua mae o levava de pequeno a Ponferrada
cruzavam-se com o assassino. "Entom ela me dizia: lá vai o criminoso
que matou teu pai". A Guardia Civil empediu à família soterrá-lo
no cemitério. Sessenta e cinco anos depois, o seu filho nom tem palavras
para descrever o que sente. "Isto nom se paga com dinheiro", di
enquanto enxuga as lágrimas que caem dos seus olhos.
A ARMH tinha previsto
deslocar-se na segunda-feira 29 até a estrada de Vilalivre a Toural
de Meralho, para exumar os restos de quem foi o mestre de Orelham, Vitorino
Cobo.