USA FORNECEU ARMAS BIOLÓGICAS AO IRAQUE NOS ANOS 80

16 de Setembro de 2002

Documentos do Departamento de Estado norte-americano obtidos pola revista "Newsweek" revelam que os Estados Unidos enviárom ao Iraque na década de 80 "numerosos carregamentos de bactérias que poderiam ser usadas para produzir armas biológicas, entre elas o antraz". O artigo, que está na ediçom de 16 de Setembro, tem o título "Como os EUA ajudárom a criar Saddam".

A publicaçom cita umha visita de Donald Rumsfeld - entom embaixador especial para o Oriente Médio do governo Ronald Reagan e actual secretário de Defesa - ao presidente iraquiano Saddam Hussein em Dezembro de 1983.

"Rumsfeld transmitiu as saudaçons do presidente (Reagan) e expressou o seu prazer em estar em Bagdade", di a reportagem, citando um telegrama da diplomacia norte-americana. Durante o encontro, Saddam tinha umha pistola na cintura e parecia "vigoroso e confiante", acrescentava a mensagem.
EUA temiam o Irám

O representante norte-americano estava no país com a missom de oferecer ajuda ao Iraque na guerra contra o Irám. Os EUA temiam que os Jomeinistas- que tomárom o poder num golpe contra o xá Reza Pahlevi - dominassem todo o Oriente Médio e as suas jazidas de petróleo.
Sob protesto de algumhas autoridades do Pentágono, o governo Reagan autorizou a venda de umha grande variedade de materiais e equipamentos norte-americanos para serem usados na luita contra o Irám.

Os carregamentos de bactérias faziam parte dos "equipamentos de análise química", enviados à Comissom de Energia Atómica Iraquiana, revelárom documentos de controle de exportaçom do Departamento de Comércio americano.

A "lista de compras", segundo a Newsweek, também incluía bases de dados computadorizadas para o Ministério do Interior iraquiano, helicópteros para transportar autoridades e cámeras de TV para "para fins de vigiláncia".

O Departamento de Estado norte-americano tinha aprovado também o envio a Bagdade de 1,5 milhons de injecçons de atropina - para uso contra os efeitos de armas químicas - mas o Pentágono bloqueou a venda.

Depois da visita de Rumsfeld a Bagdade, a inteligência norte-americana começou a abastecer o regime iraquiano com fotos tiradas de satélites mostrando a movimentaçom das tropas do Irám.

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O PETRÓLEO, CHAVE DA PRÓXIMA GUERRA IMPERIALISTA CONTRA O IRAQUE

16 de Setembro de 2002

Uma guerra contra o Iraque pode acarretar altos riscos económicos caso se prolongue ou se espalhe por outros países do Oriente Médio. Porém, se ela for "muito rápida e pontual", nom deverá ter grande impacto nos mercados internacionais, di Howard Davies, chefe da Autoridade de Serviços Financeiros británica.

"Os mercados já reflectem umha situaçom de guerra"

Segundo ele, umha guerra de pequenas proporçons já está prevista no actual preço do petróleo, que subiu nas últimas semanas, e em parte das acçons nas bolsas de valores: "Até certo ponto, os mercados já reflectem no momento umha situaçom de guerra".

A questom apontada por Howard Davies é que, se umha eventual guerra contra o Iraque nom for rápida e pontual, os mercados ainda nom estám preparados.

Segundo a autoridade británica, parte das baixas nos mercados financeiros deve-se à incerteza tanto em relaçom à economia global como a questons políticas, como a guerra contra o Iraque.

Na opiniom de Howard Davies, no entanto, os grandes investidores do mercado financeiro tenhem-se protegido nos últimos meses contra essas incertezas e podem suportar novas perdas sem que haja umha queda muito grande no valor das acçons.

Conflitos costumam ser um óptimo negócio

No capitalismo, ao contrário do que aponta o senso comum, umha guerra costuma ser umha oportunidade de ouro para os negócios, desde que seu país permaneça longe dos campos de batalha.

O exemplo clássico é o dos Estados Unidos na 1ª e 2ª Guerras Mundiais.

Mesmo presentemente, quando a economia norte-americana continua relutando em partir para umha franca recuperaçom depois da recessom de 2001, os negócios bélicos som um factor de estímulo. É certo que os 48 bilhons de dólares acrescentados polo presidente George W. Bush ao orçamento militar do ano fiscal que inicia agora contribuem para o défice fiscal do Tesouro norte-americano, estimado em 165 bilhons de dólares. Mas, em contrapartida, injectam dinheiro numha ampla gama de actividades industriais e de serviços. É o chamado complexo industrial-militar - termo cunhado nos anos 60, entre as guerras da Coreia e do Vietnám.

O incendiário factor petróleo

No caso de um ataque ao Iraque, porém, há um complicador: o petróleo. O Iraque é o quarto maior exportador de petróleo do mundo, e já foi o terceiro, tendo recuado desde a derrota parcial na Guerra do Golfo de 1991. Além disso, ele fai fronteira com os dois primeiros exportadores - Arábia Saudita e Irám -, afora o Kuweit e, a apenas 500 quilómetros, os Emirados Árabes Unidos.

Umha invasom do país de Saddam Hussein polos Estados Unidos, com ou sem a cobertura da ONU, pode conflagrar a regiom e provocar um novo "choque do petróleo", como os de 1973 e 1980. Estima-se que o preço do óleo cru pode subir dos actuais 28 dólares o barril para 35 ou 40 dólares. Isso teria desdobramentos recessivos nos Estados Unidos e especialmente na Europa Ocidental, muito dependente do petróleo do Oriente Médio (com excepçom da Noruega e da Inglaterra, que partilham as jazidas do Mar do Norte e som países exportadores).

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