GARZÓN CANDIDATO AO PRÉMIO NOBEL DA PAZ???? Bráulio Amaro Caamanho

Reproduzimos este recomendável artigo do sindicalista Bráulio Amaro, muito clarificador e crítico com a candidatura do juiz espanhol Baltasar Garzón ao Prémio Nobel e com os insólitos apoios recebidos desde a Galiza. O texto está adaptado ortograficamente de acordo com o critério reintegracionista que define Primeira Linha em Rede

A estas alturas, deveríamos estar curados de espantos, mas sempre há algo que sobarda a nossa capacidade de imaginaçom, a última aconteceu nestes últimos dias com a apresentaçom dumha autodenominada plataforma galega para promover a candidatura de Garzón (sim , sim, trata-se do juiz Garzón) ao premio Nobel da Paz.

Nom vou a falar agora deste prémio concedido ao terrorista Kissinguer ou ao nom menos terrorista Isaac Rabin entre outros destacados genocidas, certo é que também lhe foi concedido a outras pessoas que merecem todo o respeito do mundo. O que quero comentar nestas linhas é o papel que estám a jogar nesta plataforma determinados pessoeiros pertencentes ao mundo do nacionalismo galego e como estám a ser apoiados por determinadas instituiçons geridas polo nacionalismo.

Quando conhecim esta iniciativa nom me chamou muito a atençom que os seus promotores fossem a nível de Estado pessoas e entidades pertencentes ao ámbito do espanholismo, bem fossem do P.P. ou do PSOE, ao fim e ao cabo era umha manifestaçom máis do rançoso nacionalismo espanhol que caracteriza estas formaçons políticas, quando comecei a alucinar foi quando na Galiza o Seminário Galego de Educaçom pola Paz constituiu-se, junto com organizaçons antidroga da órbita do PSOE, no abandeirado da tal iniciativa. Depois de digerir a nova dei-me conta que na realidade nom era tam surprendente, pois o Seminário Galego de Educaçom pola Paz, constituido, entre outras pessoas, por antigos dirigentes sindicais nacionalistas, tinha-se caracterizado por ser umha ONG de amplo apoio institucional por parte da Junta de Galiza; assim, é a única ONG e/ou Movimento de Renovaçom Pedagógica que tem liberados a tempo total para desenvolver as suas escassas actividades, isso sim adornadas de toda a parafernália institucional possível: presença nos seus Congressos de altos cargos da Junta ou mesmo do reconvertido subsecretário franquista Mayor Zaragoza, enfim, favor com favor se paga.

Se o anteriormente comentado é de por si mesmo um tanto abraiante, o que resulta ainda de maior calado som os apoios institucionais que está a procurar a referida iniciativa a prol do juiz Garzón; assim, no último pleno do mês de Maio, o concelho de Vigo acordou aderir à proclamaçom de Garzón coma candidato ao prémio Nobel da Paz, para que nom o conheça, o Concelho de Vigo está governado polo BNG e o PSOE, isso que alguns malintencionados chamam maioria de malprogreso, sendo o seu alcaide um membro do BNG, antigo membro do Movimento Comunista de Galiza e actualmente pertencente á Unión do Povo Galego, partido comunista de libertaçom nacional, polo menos iso dim os seus documentos. Para quem nom conheça este alcaide, poderíamos acrescentar que tem um gosto quase morboso por cotovelar-se com o mais rançoso da cidade, almorçar no clube financeiro da cidade, departir em quanta procissom religiosa ou acto social-fachoso se organize, alternar com os mandos da "Benemérita" ou do corpo da polícia, sendo visita obrigada de quanto "militroncho" passeia pola colónia.

Todo isto poderia parecer umha anedota se nom fosse pola catadura moral do referido candidato ao prémio Nobel da Paz, juiz que nunca atendeu as centenas de denúncias por torturas dos detidos, claro a maioría eram bascos; juiz que com o sumário 19/98 prendeu arbitrariamente centenas de pessoas polo único delito de serem bascas; juiz que ilegalizou todo o tipo de organizaçons sociais (Ekim, Xaki, Fundaçom Zumalabe, haika, Segi,….) polo delito de serem bascos, desobedientes e radicais; juiz que actua de jeito carragento contra associaçom sociais legais (AEK, Bai Euskal Herrirari,….) por serem bascas, independentistas, solidárias e radicais; juiz que fechou e clausurou meios de comunicaçom (Egim, Egin-Irratia, Ardi Beltza,..) num ataque sem precedentes à liberdade de expessom e polo o mesmo delito: serem bascos, independentistas, solidários, desobedientes e radicais; juiz que actua como um ariete contra todo o que se saia do guiom estabelecido polo sistema (movimentos sociais alternativos, antifascistas,…); juiz que é capaz de desvendar mesmo temas que devem estar protegidos polo segredo sumarial em aras do seu narcisismo persoal (livro de Pilar Urbano, "Garzón: el hombre que veía amanecer"), juiz que tem sona de ser um autêntico desastre na instruçom sumarial (operaçom Nécora, barco fantasma recheio de fume, sumário 19/98, prendimento da Mesa Nacional de H.B., sumário contra Pepe Rei,…..) sendo desautorizado quase sempre pola secçom 4ª da Audiencia Nacional até que lograrom purgá-los; juiz que pola sua prepotência fijo o ridículo máis espantoso nos casos de Pinochet, Videla, Astiz,…… ainda que lhe valeu para lavar a sua imagem diante de certos sectores desmoralizados na América Latina; juiz que é capaz de apresentar-se no Foro Social Mundial de Porto Alegre e exigir a imediata retirada da delegaçom basca, juiz a quem só falta acusar de apologia de terrorismo os bispos bascos ………….

Semelha que contra os nacionalismos "periféricos", contra o independentismo, todo vale, eis a razom real da chamada "Lei de Partidos". Realmente estamos numha situaçom de alerta máxima, estamos a viver umha situaçom de extrema opressom dos movimentos sociais de esquerda, particularmente os nacionalistas, que estám sendo continuamente ameaçados polo governo, criminalizados na imprensa e reprimidos judicialmente. Para isto, está-se a recorrer a um método perverso, mas nom novo: vencelhar estes movimentos com o terrorismo, para poder actuar legitimamente contra eles à vez que desacreditá-los e isolá-los socialmente, o incrível é que de posiçons proclamadas como de esquerdas e nacionalistas se esteja a colaborar com o sistema mesmo com o apoio a tam insensatas iniciativas como a da candidatura de Garzón.

Finalmente, fago minhas as palavras de Bertold Brecht ajeitadas aos nossos tempos num artigo de Roberto Delgado aparecido em La háne: "hoje estám a levar os bascos e nom nos está a importar porque nós nom os somos. Pero já se estám a preparar para nos levar a nós também e se nom fazemos algo, chegará um momento em que seja demasiado tarde para nos lembrar da legislaçom antiterrorista, a lei penal do menor, a próxima reforma penal com a introduçom da cadeia perpétua, ou a lei dos partidos".

Em Vigo a 5 de Junho de 2002


Asdo. Bráulio Amaro Caamanho
Professor e sindicalista galego

Voltar à página principal

 

 

Lois Pérez Castrilho (BNG), alcaide de Vigo e apoiante da candidatura de Garzón ao Prémio Nobel