O CAPITALISMO AMEAÇA
O FUTURO DO PLANETA

14 de Agosto de 2002
Umha instituiçom
do capitalismo como a ONU divulgou ontem um alarmante relatório sobre
os desafios do desenvolvimento sustentado no planeta, visando preparar a Cúpula
de Joanesburgo, marcada para Setembro: 40% da populaçom mundial já
enfrentam escassez de água e 2,2 milhons de pessoas morrem a cada ano
por beberem água contaminada; outros 3 milhons som mortas por causa
da poluiçom provocada dentro de suas casas pola queima de lenha ou
restos de colheita para cozinhar. A procura de alimentos está aumentando
enquanto a produçom deles diminui e metade dos grandes primatas, os
animais mais próximos do homem, está à beira da extinçom.
Intitulado "Desafio
Global, Oportunidade Global", o documento expom questons sobre água,
saneamento, energia, produtividade agrícola, biodiversidade e saúde,
que serám debatidas na conferência de cúpula da ONU sobre
desenvolvimento sustentável, em Johanesburgo, a partir do dia 26 e
até 4 de Setembro. A proposta da conferência é traçar
um plano de aplicaçom mundial e formar parcerias entre países.
Representantes de mais de 100 estados devem participar do encontro.
3,5 bilhons de sedentos
em 2020
Ao apresentar o relatório
hoje, na sede da ONU em Nova Iorque, o chefe do Departamento de Assuntos Económicos
e Sociais da organizaçom, Nitin Desai, que será o secretário-geral
da conferência na capital sul-africana, observou já haver acordo
em cerca de 75% do plano, que vem sendo discutido desde Janeiro. A fase mais
difícil será enfrentada em Johanesburgo, nas negociaçons
entre países ricos e em desenvolvimento. Embora a conferência
nom vaia produzir nengum tratado legal, Desai espera "que os governos
se comprometam em acçons práticas de produçom sustentável
de energia, agricultura, uso de recursos de água para atender as necessidades
das populaçons e erradicaçom da pobreza".
Segundo o relatório,
com as reservas subterráneas de água sendo consumidas muito
mais rapidamente do que podem ser repostas, dentro de duas décadas
cerca de 3,5 bilhons de pessoas - metade da populaçom do mundo - nom
terám acesso à água potável. Isso já ocorre
com perto de um bilhom de pessoas, principalmente no Norte da África
e na Ásia Ocidental. Nessas regions e também na América
do Norte, conforme prevê o documento da ONU, "restam poucas esperanças
de aumentar as terras dedicadas à agricultura".
O perigo da desertificaçom
A produçom de alimentos
tem diminuído e, além de a populaçom mundial nom parar
de crescer, ela também estaria comendo mais. Polos dados do relatório,
nos últimos anos o consumo diário médio por pessoa subiu
de 3 mil para 3.400 calorias nos países industrializados e de 2.100
para 2.700 nos países em desenvolvimento.
Mas a fame tende a crescer
justamente em lugares onde o solo tem sofrido degradaçom constante
por exploraçom excessiva e desertificaçom. Tanto na África
como na Ásia a freqüência e a intensidade das secas aumentárom
por causa do efeito estufa, provocado polo crescimento do consumo de combustíveis
fósseis e emissons de carbono.
Além disso, no
século XX o consumo de água aumentou seis vezes, num ritmo duas
vezes maior que o do crescimento demográfico. A agricultura é
responsável por 70% desse uso e polo maior índice de desperdício,
pois sistemas ineficientes de irrigaçom perdem 60% da água que
transportam.
A desertificaçom que compromete a produçom de comida é
acelerada polo desmatamento: estima-se que 90 milhons de hectares de florestas
- área maior do que a Península Ibérica - fôrom
destruídos só nos anos 90. Essa é umha das ameaças
mais graves contra a biodiversidade, pois as florestas abrigam dous terços
da vida terrestre.