Casa Branca impom censura às notícias sobre o Iraque

10 de Novembro de 2003

De olho nas eleiçons no ano que vem, a Casa Branca decidiu que nom quer mais que a opiniom pública americana veja os caixons com os corpos dos soldados mortos no Iraque, numha tentativa de ocultar os efeitos da crescente resistência armada iraquiana à ocupaçom. O Pentágono proibiu que fossem feitas fotos ou imagens do momento no qual os corpos dos mortos no Iraque som retirados dos avions de transporte na chegada às bases americanas, numha medida sem precedentes na história militar do país.

Também nom tem precedentes neste conflito a tentativa das forças militares de apreender as máquinas fotográficas digitais de vários correspondentes que captárom as imagens do helicóptero derrubado no domingo passado a oeste de Bagdá. Dezesseis militares morrêrom depois de um míssil derrubar a aeronave — um Chinook de transporte — e seus corpos fôrom levados à base aérea de Ramstein (Alemanha), onde a imprensa recebeu um sonoro "nom" quando tentou cobrir a sua chegada.

Os cámaras e fotógrafos só fôrom autorizados a registar o momento no qual desciam do aviom os feridos menos graves no acidente. Como desculpa, os comandantes dixérom que o Pentágono quer respeitar ao máximo a privacidade das famílias. Esta sensibilidade, no entanto, é muito recente, pois durante a campanha militar no Afeganistám nom houvo nengumha restriçom para documentar a volta para casa dos mortos em combate.

A Casa Branca está preocupada com o impacto que essas imagens podem ter sobre a política do presidente George W. Bush no Iraque a um ano das eleiçons nas quais ele tenta ganhar um segundo mandato na Casa Branca.

Nesta estratégia é que se enquadra também a decisom que o presidente tomou de nom fazer mençons específicas aos ataques mais graves sofridos polas suas tropas e se limite a expressar, de maneira vaga e geral, suas condolências às famílias dos mortos. A inquietaçom é lógica, pois na primeira semana de Novembro 35 soldados norte-americanos morrêrom em episódios de violência no Iraque, ou seja, um quinto dos 152 mortos nos últimos seis meses.

Durante a pior semana para os seus soldados em território iraquiano, Bush tentou evitar que a atençom ficasse concentrada nas notícias sobre os mortos, e multiplicou as suas intervençons públicas, mas para falar da economia, da democracia no Oriente Médio e do direito ao aborto. Quando mais se aproximou do assunto, ele dixo que sentia muito pola dor das famílias e afirmou que "os soldados estám morrendo por umha causa mais importante que as suas próprias vidas".

Essas declaraçons nom fôrom bem recebidas por algumas famílias, como a do sargento Joe Wilson, morto no ataque contra o Chinook, cujo tio Thomas disse a vários meios de comunicaçom que o presidente e sua família também deveriam passar pessoalmente polo Iraque. "Dessa maneira eles darám-se conta do que ocorre, porque enquanto nom tiverem que estar lá nom se vam importar", dixo.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, reiterou na sexta-feira que "nos entristece cada vida perdida", mas negou-se a explicar por que o presidente evita se pronunciar de maneira mais precisa sobre os problemas militares.

Liçons do Viet Nam

O director de comunicaçons da Casa Branca, Dan Bartlett, argumentou que esta política se deve ao facto de que o presidente "nom quer dar mais importáncia a um sacrifício em particular, diante dos outros". Bartlett, que lembrou que "o presidente escreve uma carta a todas as famílias de soldados mortos e reúne-se com elas em particular em bases militares", nom quijo comentar as declaraçons dadas por alguns familiares "durante momentos muito difíceis".

Fontes republicanas reconhecem que a Administraçom lembra bem a contagem diária de mortos na Guerra do Viet Name o dano que elas figérom ao presidente Lyndon B. Johnson, assim como a vantagem política que os democratas podem obter com esta situaçom.

O chefe da minoria democrata na Cámara de Representantes, Tom Daschle, afirmou na terça-feira ser responsabilidade do Governo que "as pessoas entendam a enormidade do problema", e acusou a Casa Branca de tentar fazer com que as homenagens aos mortos sejam realizadas quase às escondidas.




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