A falta de acordo no reparto do poder entre as oligarquias adia a aprovaçom da Constituiçom europeia

14 de Dezembro de 2003

A divisom no seio das cúpulas de poder dos diversos estados europeus impediu um acordo que permitisse a convocatória formal de um referendo no próximo mês de Março e a definitiva imposiçom de um modelo constitucional elaborado de costas aos povos europeus e contrário aos seus interesses, por parte dos poderes financeiros e industriais que empoleiram os seus representantes políticos numhas instituiçons à sua medida.

A previsom era que a proposta entrasse em vigor após a incorporaçom de dez novos estados à Uniom Europeia, no mês de Março de 2004, ficando o número de integrantes em 25.

A partir de 1º de Maio de 2004, a UE terá umha populaçom de cerca de 450 milhons de pessoas, que representam um quarto da populaçom do planeta.

Na reuniom fracassada estava em jogo quem vai reter mais poder no bloco, pugnando a Alemanha, França e Gram Bretanha com outras potências medianas como a Itália, o Estado espanhol e a aspirante Polónia.

Outras questons colocadas fôrom a definiçom religiosa da UE. A Polónia, o Estado espanhol e a Irlanda proponhem a definiçom como cristá para a entidade política europeia, voltando a umha mistura entre Igreja e Estado que bate com o carácter teoricamente laico dos estados da Europa ocidental.

Também o papel militar da Uniom Europeia separa a estratégia franco-alemá, partidária de promover umha força armada imperialista própria, face ao seguidismo ianque de espanhóis e ingleses.

Estamos ante o bloqueio temporário de um processo de raiz profundamente antidemocrática, em que as oligarquias dos principais estados pugnam por quotas de poder num espaço capitalista com vocaçom imperial e uniformizador. Nom só nom se conta com a palavra dos habitantes do continente, como também se formaliza a inexistência de mais naçons que aquelas que já tenhem Estado próprio, a maioria das quais se imponhem pola força a países como a Galiza, ameaçados pola uniformizaçom capitalista do actual modelo do que eufemisticamente chamam "construçom europeia".

Se ao anterior acrescentarmos a institucionalizaçom da xenofobia e repressom da imigraçom, a consagraçom da Europa policial, as contradiçons de um modelo económico incompatível com a sustentabilidade do planeta, bem como o seu carácter patriarcal, fica clara a necessidade de aproveitarmos este contratempo na liderança do grande capital europeu para espalharmos o rechaço à Constituiçom europeia.

 

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