A medida anunciada
na noite da quinta-feira nom tem precedentes desde a revoluçom de 1959.
Instalarám-se 129.523 mesas em todo o país a partir de hoje
a até a próxima terça-feira
CUBA CONVOCA UM REFERENDO
PARA DECIDIR SE O REGIME SOCIALISTA É INTOCÁVEL

Gerardo Arreola
Gara
O presidente fidel Castro
anunciou na quinta-feira à noite que a proposta de reforma constitucional
para tornar intocável o regime socialista estará aberta à
assinatura de toda a populaçom, numha convocatória que, unida
à grande mobilizaçom popular da passada quarta-feira, integra
um virtual referendo de apoio ao Governo sem precedentes desde o triunfo da
revoluçom de 1959. A partir de hoje e até a próxima terça-feira,
toda a populaçom terá ocasiom de pronunciar-se sobre o regime
do país tras as últimas embestidas do presidente do poderoso
vizinho setentrional.
Em canal nacional de rádio
e televisom, o mandatário leu um breve texto no qual precisou que promoveu
pessoalmente a apresentaçom pública da proposta, as manifestaçons
e a ratificaçom individual da fórmula. Embora o mecanismo legal
posto em andamento fosse apresentado por oito organizaçons sociais,
o mandatário mostrou o seu liderato no processo e pujo em jogo a sua
capacidade de convocatória.
O presidente pediu à
populaçom que, a partir de hoje e durante os seguintes três dias,
adira aos pregos de respaldo da proposta com nome, apelidos e número
do bilhete de identidade. Anunciou que em todo o país haverá
129.523 postos de recolecçom de assinaturas.
A mobilizaçom da
quarta-feira, segum as cifras finais difundidas por Fidel Castro, contou com
958 marchas, nas que participarom 7.260.289 pessoas. Também se realizárom
14.700 actos públicos aos que acudírom 2.404.396 cubanas e cubanos.
Fidel Castro dixo que
a mobilizaçom da quarta-feira se organizou em 24 horas e "era
a mais digna resposta aos que hoje pretendem impor de novo a Cuba umha Emenda
Platt" (fórmula legal na Constituiçom cubana de há
um século que permitia a EEUU intervir na Ilha). As marchas fôrom
"prova inequívoca de que aqueles tempos se passárom para
sempre". O presidente brincou com umha nota jornalística, que
atribuiu a um porta-voz estado-unidense calificar de "totalitário"
ao Governo de Havana. "É totalitário porque tem o apoio
da totalidade da populaçom", assinalou.
A recolecçom de
assinaturas nom será umha "actividade estatal", pois ficará
a cargo das organizaçons sociais, apoiadas polo governante Partido
Comunista de Cuba (PCC) e a sua estrutura juvenil. Os postos estarám
abertos até o mei-odia da terça-feira. Algumhas mesas serám
itinerantes. "Nengum compatriota ficará sem oportunidade de fazé-lo.
Levará-se a cabo este importante passo a fim de que nom fique absolutamente
a ninguém a menor dúvida sobre como sente e pensa o povo de
Cuba", sublinhou. Fidel Castro vem mantendo o foco das suas intervençons
públicas nas passadas três semanas nos novos giros do conflito
com EEUU.