16 Junho 2002

A medida anunciada na noite da quinta-feira nom tem precedentes desde a revoluçom de 1959. Instalarám-se 129.523 mesas em todo o país a partir de hoje a até a próxima terça-feira

CUBA CONVOCA UM REFERENDO PARA DECIDIR SE O REGIME SOCIALISTA É INTOCÁVEL

Gerardo Arreola
Gara

O presidente fidel Castro anunciou na quinta-feira à noite que a proposta de reforma constitucional para tornar intocável o regime socialista estará aberta à assinatura de toda a populaçom, numha convocatória que, unida à grande mobilizaçom popular da passada quarta-feira, integra um virtual referendo de apoio ao Governo sem precedentes desde o triunfo da revoluçom de 1959. A partir de hoje e até a próxima terça-feira, toda a populaçom terá ocasiom de pronunciar-se sobre o regime do país tras as últimas embestidas do presidente do poderoso vizinho setentrional.

Em canal nacional de rádio e televisom, o mandatário leu um breve texto no qual precisou que promoveu pessoalmente a apresentaçom pública da proposta, as manifestaçons e a ratificaçom individual da fórmula. Embora o mecanismo legal posto em andamento fosse apresentado por oito organizaçons sociais, o mandatário mostrou o seu liderato no processo e pujo em jogo a sua capacidade de convocatória.

O presidente pediu à populaçom que, a partir de hoje e durante os seguintes três dias, adira aos pregos de respaldo da proposta com nome, apelidos e número do bilhete de identidade. Anunciou que em todo o país haverá 129.523 postos de recolecçom de assinaturas.

A mobilizaçom da quarta-feira, segum as cifras finais difundidas por Fidel Castro, contou com 958 marchas, nas que participarom 7.260.289 pessoas. Também se realizárom 14.700 actos públicos aos que acudírom 2.404.396 cubanas e cubanos.

Fidel Castro dixo que a mobilizaçom da quarta-feira se organizou em 24 horas e "era a mais digna resposta aos que hoje pretendem impor de novo a Cuba umha Emenda Platt" (fórmula legal na Constituiçom cubana de há um século que permitia a EEUU intervir na Ilha). As marchas fôrom "prova inequívoca de que aqueles tempos se passárom para sempre". O presidente brincou com umha nota jornalística, que atribuiu a um porta-voz estado-unidense calificar de "totalitário" ao Governo de Havana. "É totalitário porque tem o apoio da totalidade da populaçom", assinalou.

A recolecçom de assinaturas nom será umha "actividade estatal", pois ficará a cargo das organizaçons sociais, apoiadas polo governante Partido Comunista de Cuba (PCC) e a sua estrutura juvenil. Os postos estarám abertos até o mei-odia da terça-feira. Algumhas mesas serám itinerantes. "Nengum compatriota ficará sem oportunidade de fazé-lo. Levará-se a cabo este importante passo a fim de que nom fique absolutamente a ninguém a menor dúvida sobre como sente e pensa o povo de Cuba", sublinhou. Fidel Castro vem mantendo o foco das suas intervençons públicas nas passadas três semanas nos novos giros do conflito com EEUU.

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