Deixade Cuba em paz
Jabier Lertxundi - Investigador socioeconómico

Esta temporada, venho lendo e escuitando com atençom quanto se vem publicando sobre Cuba com motivo dos três fuzilamentos e encarceramentos dos denominados "dissidentes". Na minha condiçom de amigo da Cuba, e dadas as estreitas relaçons que mantenho com os cubanos (realizei a investigaçom socio-económica correspondente a minha tese doutoral sobre a autogestom agrária cubana) sinto-me na obriga de sair ao passo dalgumhas tergiversaçons que venho observando.

Afirma-se por um lado, que a dissidência em Cuba se acha ilegalizada e amordaçada...; e em Euskal Herria, como se acha? Se sumamos o número de independentistas bascos e cubanos ultradereitistas (carácter político da dissidência cubana) encarcerados, veríamos que o governo espanhol e os seus acólitos (PSOE, PNV-EA-IU, ¡Basta Ya!...) castigam mais aos dissidentes-bascos, que o que o governo de Castro castiga a os dissidentes-cubanos. Ocorre que em esta democracia espanhola, monárquica e representativa das massas adocenadas, a hipocrisia mira com lupa certos factos com o objecto de desqüalificá-los leia-se cá independentismo basco e nom observa o menor indicio de traiçom nos cubanos que atentam contra o seu povo; querendo eliminar o PCC e instaurar um presidente-títere do governo imperialista estadunidense.

De este modo, o argumento da "dissidência" nom há lugar, posto que todas as dissidências do mundo atopam-se reprimidas se atacam ao governo do Estado onde se acham. Os bascos sabemos muito de isso, igual mais que ninguém, mas no caso dos cubanos nós atopamos com grupúsculos organizados, adestrados e financiados pola CIA, a través da sua Oficina de Interesses da Havana e desde a Florida. Ao respeito, dim os cubanos que a península de Florida representa o colmilho ianque a cravar a sua afilada ponta na ilha para converti-la no espaço ideal de relax e turismo sexual controlado polas mafias e ansiado polos invasores estadounidenses. Especialmente pola máfia cubano-ianque afincada em Miami.

Mais um argumento citado para justificar a intervençom em Cuba é a falta de sacrossanto direito à vida, argumento arejado precisamente por quem mata ao maior número dos seus detidos: os Estados Unidos de América, com o qual a justificaçom da invasom cai polo seu próprio peso. No caso de Espanha, que também participa activamente na acossa e derrubamento a Fidel Castro, acaba-se de aprovar a lei que condena aos dissidentes bascos a cadeia perpetua, o que nom excluem medidas excepcionais como as torturas aos detidos, as acçons de guerra suja o os fuzilamentos encobertos de militantes bascos em obscuras operaçons policiais.

Descartados os argumentos do direito a dissentir e do direito à vida, se nom sugire que a situaçom económica da maior das Antilhas é insostível, o que requer a rápida intervençom dos EEUU para ajudar à naçom cubana a sair da crise. Resulta paradoxal que os ianques achaquem ao governo socialista cubano a responsabilidade da crise económica, quando esta se deve ante todo ao derrumbamento do sistema socialista provocado polo capitalismo e o bloqueio ao que se submete à ilha. Se estes dous factores nom existiram, as forças produtivas de Cuba estariam em sobrada disposiçom de superar a crítica situaçom económica, já que o seu grau de conhecimento e de sacrifício esta demonstrado. Por isso, os países do contorno, sem suportar o bloqueio ianque, acham-se numha situaçom económica pior, sobre todo em aspectos tam importantes como o nível médio educativo, sanitário e nutricional, que se som especialmente protegidos pola administraçom socialista.

Desmontados os argumentos políticos e económicos, insinua-se que Fidel Castro deve abandonar o governo porque é um ditador. Recapitulemos. Fidel Castro é o Secretário Geral do PCC e o Comandante em Chefe das FFAA, ademais de presidente do governo. Estos cárregos outorgaram-lhe durante as últimas quatro décadas um poder muito amplo. Como foi isto possível com o sistema socialista desmontado e o bloqueio ianque recrudescido?... A razom é que o povo cubano apoia maioritariamente a Fidel Castro, eleiçom após eleiçom, à Assembleia Nacional.

Pode-se afirmar que estas eleiçons manipulam-se; e quais nom? Acaso os meios de comunicaçom nas democracias representativas nom manipulam à opiniom pública para aceder aos organos de governo? Acaso aos monarcas de estas democracias os elegeu o povo? Fidel é fruto do seu tempo: luitou por derrocar a um assassino reconhecido como Batista, participou com grande protagonismo no carácter socialista da revoluçom cubana e mantivo-se ao fronte do gabinete durante décadas. Supom isso um delito? Francamente nom, e ademais se o povo o mantivo até o presente é porque Fidel, antes incluso que comunista, é martiano; o que significa estar profundamente infiltrado polo humanismo e o anti-imperialismo de José Martí.

Esta personagem é a chave da revoluçom cubana, um anti-imperialista convencido e grande humanista, ao que os cubanos adoram e os espanhóis encarcerarom desde a sua adolescência e terminarom matando nas suas guerras coloniais contra a naçom cubana.

Um percurso pola ilha assombrará a mais de um pola quantidade de bustos e lembranças adicadas a Martí, que nem o próprio Ché Guevara supera (outro gram humanista que nos deixou a história da revoluçom cubana, fuzilado polo imperialismo ianque em Bolívia). Se os ianques terminam por invadir a ilha, seguindo os ditados da doutrina Monroe, destruíram os símbolos de Martí e o Ché como fixerom no Iraque com as estátuas de Sadam Hussein? Os cubanos nunca lho permitiriam, porque som os seus personagens referenciais como máximos exponentes do humanismo e o anti-imperialismo que impregnam a sua ideologia.

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