Os centros de ensino galego anunciam que nom cederám às pressons da Junta do PP

Enquanto o conselheiro de Educaçom, Celso Currás, tenta justificar a suspensom do direito de expressom nos centros de ensino galego no relativo à guerra imperialista e ao caso Prestige com base em suspostos protestos de pais e maes, a Confederaçom de ANPAS da Galiza negou qualquer reclamaçom nesse senso.

Ao mesmo tempo, a Coordenadota de Ensino Area Negra, formada por dúzias de centros implicados na luita contra as marés negras na Galiza e protagonista da gigantesca cadeia humana que a finais de Janeiro ocupou o negro litoral da Costa da Morte, fijo público um comunicado em que se autoinculpa de "defender a liberdade" e rejeita o autoritarismo da Junta do PP, a "regressom democrática" que pratica, as "coacçons, repressom e fascismo" que fomenta.

A seguir, reproduzimos o comunicado da citada entidade:

ACUSAMO-NOS DE DEFENDER A LIBERDADE

Esta é a nossa chamada á COMUNIDADE.
A Cadeia Humana na Costa da Morte e o referendo demonstrárom a força da nossa uniom. Neles falamos do nosso compromisso com o ensino e com a educaçom.
Sabemos mirar através da névoa da resignaçom.
Sabemos reconhecer a brêtema do AUTORITARISMO.
E aprendemos a chamar polos arco-íris.
Entre todas e todos construímos um arco da velha de millares de maos dadas na Costa da Morte.
Entre todos e todas soubemos construir arcos da velha pola paz em cada aula.
E seguimos aqui.
E seguiremos aqui.
Nas ruas, nas aulas, nos corredores e nos pátios dos centros de ensino.
Nom podem silenciar-nos.
Sabemos buscar nas enciclopédias as palabras COACÇOM, REPRESSOM e FASCISMO.
E queremos denunciar a REGRESSOM DEMOCRÁTICA que supom a marginalizaçom da voz PLURAL da cidadania.
Denunciamos a CENSURA da livre expressom da nossa palavra.
Nom queremos cadeias de silêncio.
NOm queremos que nos tirem a cor azul e negra, naranja, lilás, vermelha ou verde da roupa, dos pins; os cartazes, as faixas, os collages, os desenhos, as fotos e as palabras da DIGNIDADE.
Nós nom somos invisíveis.
Os centros de ensino devem ser espelhos limpos.
Onde corra a água pura da CULTURA e da EDUCAÇOM.
Queremos construir um FUTURO edificado sobre a PARTICIPAÇOM, a COLABORAÇOM, a COOPERAÇOM entre todas e todos, a partir da pluralidade e da diversidade.
Defenderemos umha educaçom para a cidadania responsável, reflexiva, criativa e crítica.
Defenderemos o DIÁLOGO, o DEBATE e o USO PÚBLICO da PALAVRA.
Defenderemos a LIBERDADE DE EXPRESSOM.
Acusamos a inspecçom de metamorfosear-se em COMISÁRIOS POLÍTICOS.
Acusamos o Conselheiro de Educaçom de CENSURA.
Acusamos o Governo da Junta da Galiza de REPRESSOM.
E se declararem ilegais as nossas PALAVRAS e as nossas olhadas
Acusamo-nos de DEFENDER A LIBERDADE.

ACÇOM, INSUBMISSOM, DESOBEDIÊNCIA: DIGNIDADE!
NUNCA MAIS À GUERRA!


A Junta da Galiza ataca frontalmente a liberdade de expressom nos centros de ensino

14 de Março de 2003

Ninguém duvida de que o ámbito do ensino está a ser na Galiza um dos protagonistas da revolta social que vivemos nos últimos meses, com todo o tipo de iniciativas masivas tendentes primeiro a denunciar as reaccionárias reformas legislativas promovidas polo PP, a seguir contra o papel das instituiçons espanholas na catástrofe do Prestige e mais recentemente com a implicaçom de alunado e profesorado na luita contra a guerra imperialista.

Como conseqüência desta realidade, a direita espanhola que domina as instituiçons na nossa Terra acaba de tirar a máscara de "democrata" ao proibir directa e abertamente a liberdade de expressom nos centros de ensino da Galiza.

Em concreto, a Conselharia de Educaçom remeteu aos directores dos centros de ensino galegos umha circular em que ameaça com actuaçons legais que detenham as iniciativas anti-bélicas e de defesa ambiental na Galiza. Quer dizer, o escrito da Junta afirma que devem ser retiradas as referências à catástrofe do Prestige e à massiva reacçom social que denuncia a sua directa responsabilidade no caso.

A Junta do PP considera "alheias" ao ámbito do ensino as referências explícitas à catástrofe sócio-ambiental do Prestige e ao massacre que os EEUU estám a ponto de cometer no Iraque, com a bençom do Partido Popular, que governa a Junta da Galiza. Ante o clima social contrário às práticas reaccionárias e ditatoriais do PP, este opta por recortar mais ainda as liberdades, chegando a ignorar a existência de temas transversais de interesse social como a Educaçom para a Paz e a sensibilizaçom em defesa do ameaçado meio natural galego.

O ameaçante escrito do PP-Junta da Galiza chega a proibir expressamente que os centros educativos podam aprovar democraticamente resoluçons de condena da guerra imperialista ou debates em que se tratem esse assunto e o do Prestige.

Ao mesmo tempo que impom semelhante censura, a Junta da Galiza "lembra" aos directores que tenhem a obrigaçom de "garantir o cumprimento das leis e demais disposiçons vigorantes", em referencia ao seu panfleto. Ao mesmo tempo, inspectores da Junta estám já a visitar os centros de encino para obrigar a retirar bandeiras de Nunca Mais e outro material relativo ao Prestige e à guerra.

Recordemos por último que quem assim age, e isto é o mais grave, continua a ter o aval democrático da oposiçom parlamentar, PSOE e BNG. Este último chegou a falar de "medida fascista", sem por isso deixar de colaborar institucionalmente garantindo a normalidade democrática que os fascistas do PP imponme.

Só a esquerda independentista galega e sectores crescentes do nosso povo trabalhador estám a denunciar autenticamente a natureza do PP e do próprio Estado espanhol como antítese da democracia na Galiza.




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