A ocupaçom
ianque do Iraque deu cobertura a um dos maiores espólios de património
cultural da história da humanidade
25 de Abril de 2003

O saque dos museus iraquianos após a ocupaçom militar ianque das principais cidades do país nom tem precedentes na história recente. Especialistas de diversas nacionalidades definem-no já como "umha página sinistra da história humana", que será lembrada no futuro como hoje se lembra o incêndio da Biblioteca de Alexandria na Idade Média e outros grandes desastres semelhantes.
A perda que para o património universal supom a destruiçom parcial e o roubo organizado de por volta das 170.000 peças histórico-artísticas nom pudo até agora ser avaliada. Os principais locais espoliados ante a passividade das forças invasoras fôrom: o Museu Nacional de Bagdad, na capital, que até a chegada dos norte-americanos continha o maior número de materiais pertencentes às antigas culturas do berço civilizacional mesopotámico em todo o globo e hoje reduzido a um prédio vazio; a Biblioteca Nacional do Iraque, assaltada e incendiada, perdendo-se manuscritos de incalculável valor; a Escola de Estudos Islámicos, saqueada e destruída na mesma capital; e o grande museu da terceira cidade do Iraque, Mossul, que em poucos minutos foi espoliado por completo revelando umha planificaçom só atribuível a grupos organizados que conheciam o valor das peças e as prioridades nas escolhas.
Tabuinhas de argila com caracteres cuneiformes gravados, consideradas os primeiros livros da história; milenares peças de olaria suméria; representaçons icónicas de deuses assírios; estatuetas da velha cultura do Tigre e o Eufrates; jóias da cultura caldaica; peças de marfim; valiosíssimos instrumentos musicais antiquíssimos; representaçons esculpidas de heróis lendários; capacetes de ouro com 2.500 anos de antigüidade; frisos, baixos relevos, estátuas de bronze acádias, pinturas, placas de gesso oriundas dos túmulos de Ur, ... a quantidade e o valor do património roubado está ainda por calcular, pois mesmo umha parte estava pendente de ser repertoriada.
Se lembrarmos agora a destruiçom das duas estátuas de Buda em Baniyan (Afeganistám) polos talibám em 2.001, que tanto revoo provocárom na altura e servírom de mais umha escusa para a invasom do país, comprovaremos que foi umha brincadeira de crianças ao pé do acontecido ante a permissividade dos tanques e soldados que diziam ter chegado para libertar o Iraque.
Se
o massacre da populaçom civil era já evidente desde os primeiros
dias de guerra, os ianques pugérom o ramo à sua actuaçom
genocida após a tomada de Bagdad e as restantes grandes cidades. Com
efeito, à destruiçom do país somou-se um atentado sem
precedentes ao seu património histórico-artístico, que
só de maneira serôdia denunciou a UNESCO e os meios de comunicaçom
ocidentais, os quais durante dias se limitárom a mostrar como "curiosidades"
os saques generalizados dos museus do Iraque.
Finalmente, a própria UNESCO reconheceu que existiu planificaçom na espoliaçom artística iraquiana. Antes do início da guerra, as forças invasoras sabiam perfeitamente o valor dos museus, apesar do qual as em nengum momento se preocupárom com protegê-los. Unicamente os poços de petróleo fôrom postos sob custódia permanente das tropas ianques e inglesas em todo o país, dando mostras de quais fôrom as verdadeiras motivaçons da guerra de rapina dirigida polos amos do mundo contra o povo do Iraque. Mas, será que algumha instituiçom do dito "mundo livre" vai pedir contas ao Governo USA polo acontecido sob a sua "autoridade"?
É evidente
que umhas dúzias de soldados às portas dos museus teriam evitado
a destruiçom do património iraquiano. Porém, a passividade
foi absoluta e criminosa em todo o momento, existindo já constáncia
da participaçom de militares ianques e jornalistas da mesma nacionalidade
no roubo de obras de arte, algumhas das quais fôrom detectadas nas alfándegas
dos Estados Unidos. Vamos sabendo assim que esse país está a
ser o destino principal das peças, sendo a Inglaterra e outros estados
europeus outros espaços em que serám vendidas e irregularmente
incorporadas a colecçons privadas de grandes magnatas capitalistas
e mesmo a museus e universidades, como já aconteceu a seguir de outras
guerras coloniais ao longo da história contemporánea. Nom esqueçamos
que multidom de países do chamado "Terceiro Mundo" tenhem
sido igualmente saqueados polos estados do centro capitalista após
conquistas militares e acçons da hampa internacional coordenada com
os governantes e até peritos ao seu serviço.
O descaramento, crueza e impunidade com que se manifesta o imperialismo nesta
altura pom os cabelos de ponta e bate nas consciências dos povos do
mundo exigindo a resposta que merece. Também na Galiza nom podemos
ficar impassíveis ante a barbárie capitalista. A luita e solidariedade
anti-imperialista deve continuar e incrementar-se ante os reptos que depara
o presente.