CAMPANHA ECOLOGISTA CONTRA O ESPÓLIO HIDROELÉCTRICO DE FENOSA

Mais de vinte colectivos,
galegos e estrangeiros, promovem a campanha "Rios Vivos", que pretende
informar do papel depredador e especulador da multinacional Unión Fenosa
na sua exploraçom hidroeléctrica dos rios galegos.
A legenda principal da
campanha di "Bem-vindo a Unión Penosa. Descobre a realidade da
nossa melhor possessom: Galiza e os seus mil rios".
Em tom irónico
e por vezes sarcástico, os folhetos da campanha ponhem em boca da Fenosa:
"vantagens para nós e os nossos amiguinhos. Desgraças para
os rios e a cidadania".
Chamando a atençom sobre a prevista construçom de 84 novas barragens
(40 menores e 24 de grandes dimensons) nas bacias costeiras galegas, que virám
somar-se às 150 que já enchem a Galiza toda.
A campanha, coordenada
na Galiza pola ADEGA e AEMS, denuncia a conivência existente entre a
Junta e Unión Fenosa, destinando-se incluso dinheiro público
a facilitar à multinacional eléctrica o labor de expansom nos
rios galegos, enquanto parlamentos autónomos como o asturiano limitam
o espólio eléctrico dos seus rios. Aliás, Fenosa está
isenta até 2003 do cumprimento da normativa de protecçom dos
rios aprovada polo Parlamento galego em 1992.
Nom esqueçamos
que a Galiza exporta directamente mais de um terço da electricidade
que produz, o que nom impede o incompleto e defectuoso abastecimento eléctrico
no nosso próprio país por parte da companhia Unión Fenosa.
Cinqüenta cientistas
da Universidade de Compostela tenhem chamado a atençom sobre o gravíssiom
impacto ambiental da construçom incontrolada de centrais e minicentrais
hidroeléctricas nos rios da Galiza, sem que até hoje fossem
tidos em conta. Fraudulentos estudos de impacto ambiental privados contratados
pola empresa evitam qualquer controlo real.
Mas Fenosa nom é
a única empresa responsável pola degradaçom massiva dos
rios galegos. Ferroatlántica, Cortiço Hidroeléctricas,
Iberdrola, Engasa, Endesa, som algumhas outras implicadas na estratégia
de espoliaçom e agressom ambiental que, aliás, nem sequer suponhem
qualquer incentivo para o emprego, umha vez que o funcionamento automático
garante a especulaçom gratuita por parte das empresas eléctricas,
que para além do mais gozam de concessons à vontade, graças
à submissom institucional.
Rios como o Tambre ultrapassam
já os 90% de degradaçom por causa das obras hidroeléctricas
incontroladas, que causam barreiras mortais nos cauces, alteram os regimes
de caudais, desflorestam as fragas de ribeira, retenhem sedimentos, destruem
propriedades comunais e particulares, freiam o desenvolvimento rural, implicam
aberturas de novas pistas agrárias e florestais, atentam contra o valor
histórico e cultural dos nossos rios,... a queda no número de
exemplares de peixes como o salmom, que em inícios do século
XX era pescado em quantidade de 10.000 e na actualidade nom chega a 100, é
um sinal inquívoco dos efeitos perniciosos das barragens, que, aliás,
se calcula atingem negativamente a uns 1606 núcleos de populaçom
costeiros galegos.
Apesar de a Galiza produzir
a quarta parte da energia hidroeléctrica espanhola, dous novos planos
ameaçam os espaços fluviais galegos: o Plano Sectorial Hidroeléctrico
e o Plano Hidroeléctrico da Galiza-Costa, com a colaboraçom
de umha Junta da Galiza que tem em Fenosa e em geral no sector eléctrico
um dos principais agentes de poder real a quem submeter-se.
A campanha inclui o envio
de cartas de protesto à Junta para exigir que se detenha a especulaçom
hidroeléctrica, e desenvolverá-se durante os próximos
meses no nosso país.