País Basco : "Isto é o fim da democracia"

15 de Setembro de 2002

A violenta repressom contra a massiva manifestaçom silenciosa de Bilbo confirma nom só a ofensiva espanhola, mas também o colaboracionismo dos nacionalismos autonomistas.

Dezenas de pessoas feridas, umha em grave perigo de perder um olho; violento ataque com bolas de borracha, com jactos de água a pressom, porradas, detençons, jornalistas de Gara e Euskaldunon Egunkaria atacados,... É o resultado da intervençom da polícia autonómica basca contra umha manifestaçom em que dezenas de milhares de bascas e bascos marchavam pacificamente atrás de umha faixa com a legenda "Viva Euskal Herria". Os meios de comunicaçom pudérom comprovar como umha das bolas de borracha disparadas tinha escrito: "Otegui=HP=Bum".

Confirma-se a suspensom dos direitos de associaçom, reuniom, manifestaçom e expressom no País Basco. Todo vale para o sagrado objectivo espanhol de dobregar o significativo segmento desse povo que afirma abertamente a sua condiçom de basco, e reclama a soberania nacional plena: a independência.

Um dos convocantes da marcha de sábado resumiu numha frase o significado dos últimos passos dados polo Estado espanhol em Euskal Herria: "Isto é o fim da democracia".

Porém, nom menos grave e preocupante é o colaboracionismo que estám a demonstrar os nacionalismos autonomistas nas diversas naçons periféricas do Estado. O caso mais sangrante é hoje o do PNV, que manda a sua polícia malhar no seu próprio povo, para evitar que exerça o direito de manifestaçom, como no franquismo. CiU tem demonstrado igualmente a sua disponibilidade para colaborar com o Estado espanhol no combate aos independentismos, a penúltima abstendo-se na votaçom parlamentar sobre a ilegalizaçom de Batasuna no Congresso espanhol.

No caso galego, o BNG, que se reafirmou no próprio dia 14 de Setembro na sua "lealdade constitucional", cumpre nesta questom a mesma funçom de PNV e CiU, a de procurar o reconhecimento do sistema condenando aqueles que aspiramos a conquistar os direitos nacionais dos nossos povos sem pedir permisso a Madrid. Abstivo-se na votaçom que aprovou a petiçom de ilegalizaçom de Batasuna, aderiu em Vigo à solicitude do Prémio Nóbel para Garzón,... e um dia sim e outro também dá mostras da sua cobardia política ao subordinar-se à estratégia criminalizadora do Estado espanhol frente aos "separatistas". De facto, já deu mostras desse colaboracionismo na sua política em relaçom à esquerda independentista galega, sendo Compostela o melhor botom de mostra. Sérvirám ao BNG os seus "méritos" para serem admitidos no sistema? É possível, mas só à custa de renunciar de vez a qualquer aspiraçom nacional para este país.

Hoje mesmo, um concelho governado polo BNG como é o de Ferrol discute em pleno extraordinário umha moçom de apoio à repressom anti-independentista protagonizada polo PP. Naturalmente, nengum concelho galego discute moçons em defesa dos direitos fundamentais como os esmagados em Bilbo polo fascismo espanhol.

É importante sabermos quem temos e agirmos em conseqüência.

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Imagem da Ertzaintza instantes antes de carregar brutalmente contra umha manifestaçom pacífica, silenciosa e multitudinária em Bilbo