UM ALUNO EM PRÁTICAS NO HOTEL CIUDAD DE LA CORUÑA, DA CORUNHA, DESPEDIDO POR FALAR GALEGO COM O DIRECTOR


Ramiro Vidal, vizinho de Oleiros matriculado num curso de recepcionista de Hotel, conheceu em carne própria as conseqüências laborais de optar lingüisticamente polo idioma do nosso país.

Depois de realizar um curso teórico que o capacitou para exercer como recepcionista de hotel, a academia AFAN pediu-lhe que se incorporasse no Hotel Ciudad de La Coruña, na Corunha, para realizar as práticas.

Umha das normas indicadas durante o curso incluia a recomendaçom de, durante a prática laboral, usar o idioma do cliente, sempre que possível. Ramiro cumpriu com essa suposta norma, falando espanhol aos espanhóis, português aos portugueses e galego ao pessoal do mesmo hotel e ao próprio director do mesmo.

As dificuldades chegárom entom, quando os patrons nom mostrárom muito interesse em ligar para ele e incorporá-lo ao seu posto. Contodo, finalmente começou a trabalhar, embora só fosse durante umha jornada. A sua surpresa foi maiúscula quando, essa mesma noite lhe foi comunicada a sua baixa automática do posto de trabalho que acabava a ocupar, sendo a representante da academia AFAN quem confirmou a Ramiro que, umha vez que a sua competência profissional era óptima, o motivo aduzido polo director do hotel, Carlos Salgado, foi o facto de ter falado em todo o momento em galego como ele, apesar de o director falar espanhol.

Estamos ante um novo e flagrante caso de esmagamento dos direitos lingüísticos de um galegofalante no seu próprio país, na Galiza. Um novo fruto dos "avanços" da política "pacífica" e "harmónica" promovida polo Partido Popular e padecida por umha comunidade lingüística maioritariamente desarticulada e passiva como ainda é a galega.

A seguir, reproduzimos a crónica dos factos em primeira pessoa feita pública polo próprio protagonista, Ramiro Vidal:


Novo atentado contra as liberdades lingüísticas na Corunha!!!
Um alumno de um curso acelerado de Recepcionista de Hotel, marginado das práticas "por que lhe falou em galego ao director"

O narrador, sou eu, o Ramiro:

O 2 de Setembro de 2002, Ramiro Vidal Alvarinho, alumno de um curso acelerado de recepcionista de hotel impartido pola academia AFAN, tinha de se incorporar a umas práticas complementares no Hotel Ciudad de La Coruña. Previamente, o alumno fóra avisado de que esse era o hotel que lhe fora asignado para as práticas por via de uma carta da central da academia, sediada em Bilbao, mas também se lhe advirteu que o horário se teria que concretar com o director do hotel, correspondendo-lhe a gestao de negociá-lo ao próprio alumno.

Aínda que intentou várias vezes falar com o director via telefónica para tal finalidade, nunca conseguiu falar com este indivíduo, de nome Carlos Salgado, mais de quatro palavras em duas ocasoes, nunca chegando a concretar nada sobre o horário, primeiro baixo a excussa da falta de concrecçom nalguns detalhes do acordo com a academia AFAN,depois com o argumento da falta de tempo; nas duas ocasoes cortando com a promessa de uma chamada...que nunca chegava, com o que o nosso anti-heroi se vê obrigado de novo a chamar ele ao hotel noutras duas ocasons, nas que já nao lograria nunca mais falar com o Sr. Salgado. Assim que, chegado o dia da incorporaçao às práticas, o nosso querido amigo nao tem mais remédio que se apresentar no local para falar em pessoa com o director, que nao estava, por suposto.Mas (ainda bem!!!)sim que lhe asignaram um horário; de 9:30 a 13:00.

O dia 3, uns minutos antes das 9:30, o desventurado anti-heroi do nosso romance negro tirando a castanho-merda, chega ao hotel Ciudad de La Coruña com a inocente vontade de trabalhar no que lhe deixem, re-apreender com a prática tudo o que pre-apreendera com a teoria e integrar-se e ajudar e...enfim, mantendo a atitude que manteria qualquer pessoa com mentalidade de trabalhador/a, que vai alí com humildade e sem nenhuma inteçao de lhe foder a porca às pessoas que estivessem alí como empregadas.Durante o tempo que está no balcao da receiçao, o Ramiro entrega chaves, dá informaçao aos turistas sobre onde há algum prédio importante ou monumento que visitar, cambia as fitas de vídeo, atende chamadas telefónicas, faz fotocópias, retira cartoes do rack, comunica encomendas ao departamento de andar ou ao contino...tudo isto até meia hora depois da que teóricamente é a de saída, momento no que lhe diz ao chefe de receiçao que tem que ir embora, porque de tarde tem que estar no Mercado Municipal de Perilho, em Oleiros, para atender a frutaria que regenta a sua mae. É autorizado a marchar, e às sete da tarde recebe pelo seu telemóbel uma chamada da central da academia e se lhe comunica que nao vai ser possível continuar as práticas nesse estabelecimento.A responsável de práticas de AFAN, Begoña Garcia, pergunta-lhe ao Ramiro que por quê acha que se suspendem as práticas no Hotel Ciudad de La Coruña. O Ramiro, humildemente, responde que desconhece a razao, que se calhar o atoparam demasiado verde ou pouco hábil nas tarefas. A surpresa chega com a resposta da empregada de AFAN, que lhe responde que a razao nao vai de nenhum jeito no sentido da falta dos conhecimentos necessários, que aliás a ela lhe consta que superou o curso de jeito mais que folgado, que o problema é a sua atitude pessoal, já que fora nesse sentido que o director se queixara à academia. O nosso protagonista nao sai do seu asombro e alega que ele tivera uma atitude sempre positiva, tratando de colaborar e interesando-se em apreender.A responsável de práticas de AFAN concretiza mais e descobre-se o pastel (de bosta) e desvela os dois factos que, segundo o hotel, motivam a suspensao das práticas: foi sem barbear e falou-lhe em galego ao director. O Ramiro, que nao é idiota,indigna-se. Reconhece que com efecto foi com barba de dois dias como muito, e isto devido às pressas de última hora, provocadas pelo accidentado da incorporaçao, e que em todo caso já se desculpara por isto. Também lhe disse que o segundo motivo invalidava, logicamente,o primeiro. A Responsável de Práticas de AFAN disse-lhe que no tema da imagem se insistira muito durante o curso e que também se insistira muito no aspecto lingüístico, que uma norma de ouro no bom estilo da profisao era falar na língua na que te falaram coisa que o Ramiro nao fazia. O Ramiro contestou-lhe que de onde se tirava que ele nao fazia isso, já que durante a sua permanência no balcao falara espanhol com os clientes espanhois, português com os portugueses (sendo aliás a única pessoa que lá estava capaz de se expressar competentemente nesta língua)e "galego" (leia-se galego-português modalidade "portunhol")com @s trabalhador@s do hotel.Begoña Garcia contestou-lhe que o director em concreto queixara-se de que nas duas micro-conversas que teve com ele, Ramiro falou em galego apesar de ele falar-lhe em castellano.

Interesante relato, verdade? queredes saber como acabou o conto? Nao vos apuredes: desde a academia transmitiram-me a sua constância na minha valia e que iam intentar procurar-me outro hotel para fazer as práticas. O que está claro é que isto constitui uma séria atitude descriminatória por parte do Sr. Salgado que se perpetra com a segurança que dá a certeza da impunidade. Podia alegar mil coisas e alegou uma suposta prática irrespeitosa com os clientes, intuída a través da minha atitude lingüística perante ele. Mas ele nao é um cliente. Ele nao é um senhor de Sevilha que vem dez dias aquí e que nao teria porquê saber uma palavra de galego. Ele é uma pessoa que mora e trabalha na Galiza, sendo assim eu de entrada suponho que perceberá o galego, ainda que nao saiba ou nao o queira falar. De todos os jeitos, nem ele me disse em nenhum momento que nao percebia o que eu lhe dezia, nem tive nunca a sensaçao de ele nao perceber-me. Nao deve de ser esse o problema, portanto. O problema é que, no fundo, aquí continuamos a estar em matéria lingüística como há vinte anos ou como há quarenta. Por quê se supoe que eu lhe tenho que falar em espanhol a uma pessoa que me percebe? Eu nao vejo reciprocidade nessa norma de estilo. Eu nao vejo que a mim os castellano-falantes me contestem em galego quando começo uma conversa (polo menos na majoria dos casos) Eu nao vejo que nem sequer uma minoria significativa d@s recepcionistas de hotel castellano-falantes respostem em galego aos clientes galego-falantes, nem sequer aos portugueses, que esses sim que nao teriam porquê saber espanhol.Mais umha vez um galego-falante sofre as amargas conseqüências de simplesmente ser conseqüente com a sua condiçao de galego-falante, ou seja, falar em galego sem complexos e em qualquer situaçao. Isto demostra que nao existem nem liberdades, nem harmonias, nem nada disso que dizem que há por aquí.Aquí há um bilingüismo hipócritamente camuflado como igualitário, mas que nao é tal porque resulta que sempre sao as e os mesmos quem se tem que humilhar e doblegar. Quê classe de liberdade é a que fica se nao podes falar em galego no centro de trabalho? Para estes cabroes nazis o único galego-falante bom é o galego-falante autista, que em matéria lingüística é como dizer morto.

Voltar à página principal

Vista do nada recomendável Hotel Ciudad de La Coruña