Piora a imagem internacional dos Estados Unidos

Dezembro de 2002

A imagem mundial dos Estados Unidos anda piorando sensivelmente, segundo a pesquisa que abrange 38 mil pessoas em 42 países de quatro continentes, realizada polo The Pew Research Center, um centro norte-americano de pesquisas que tem à frente Madeleine K. Albright, que foi secretária de Estado na administraçom Bill Clinton. O título do trabalho: "O que pensa o mundo em 2002".
A pesquisa chegou à conclusom de que a imagem dos EUA é majoritariamente favorável em 35 desses 42 países, mas, segundo o relatório com os resultados, "é apenas algo favorável em virtualmente todos esses países. E o pior, as opinions negativas crescêrom na maioria das naçons onde existem dados comparativos disponíveis", aponta o documento do Pew.

"A imagem dos EUA entre os seus mais próximos aliados (Gram-Bretanha, Canadá, Itália, Alemanha, França) é largamente positiva, mas declinou nos últimos dous anos. Relativamente poucas pessoas nesses países tenhem sentimentos fortemente positivos para com os EUA e a opiniom favorável diminuiu em três dos quatro maiores aliados dos EUA na Europa Ocidental", observa o relatório.
Um "cenário similar" é apontado na Europa Oriental, com destaque para a excepçom da Rússia, onde a imagem norte-americana melhorou 24%.
Já naquilo que a pesquisa qualifica como área de conflito do Oriente Médio, "a opiniom pública sobre os Estados Unidos é esmagadoramente negativa".

Os resultados nos países árabes som impactantes. No Líbano, a opiniom favorável aos EUA chega a apenas 35%; na Jordánia, a 25%; e no Egipto, 6%. O relatório comenta ainda que, em Jordánia, Paquistám e Egipto, mais da metade dos entrevistados "tenhem umha opiniom muito desfavorável" - com a palavra "muito" destacada polos autores.

O relatório conclui que "os latino-americanos tenhem umha visom positiva dos EUA", mas preocupa-se com os dois maiores países -Brasil e Argentina-, onde as opinions som "definitivamente mescladas". Aponta que a valorizaçom dos EUA "declinou abruptamente na Argentina" e, em geral, evoluiu negativamente em sete dos oito países latino-americanos pesquisados. A excepçom ficou a cargo da Guatemala.
Na Ásia e em África as distorsons e lacunas na coleta de dados tornam mais difícil chegar a conclusons. A China, com o seu 1,3 bilhom de habitantes, ficou fora da pesquisa, excepto por umha nota de rodapé dizendo que "essa questom nom foi permitida na China". A Índia, com 1,0 bilhom de habitantes, só possui dados de 2002 (54% favoráveis aos EUA), o que impede a comparaçom.

Umha iniciativa do pós-11 de Setembro

A preocupaçom original do Pew Research Center é em relaçom ao suporte mundial de opiniom pública para a guerra mundial dita "antiterrorismo" decretada pola administraçom Bush depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001. A própria Madeleine Albright, agora apresentando-se como empresária e académica, toma o 11 de setembro como o factor que mostrou "a necessidade de umha consciência mais profunda sobre o mundo em torno de nós".

Nessa esfera, o relatório acredita que "existe forte apoio para o objectivo norte-americano de combater o "terrorismo", com a notável excepçom dos países da Área de Conflito do Oriente Médio. No entanto, existe um igualmente forte consenso global de que os EUA nom levam em conta a opiniom dos outros ao conduzirem sua política externa".

Outra conclusom do documento é que "existe umha forte sensaçom na maioria dos países pesquisados de que a política dos EUA serve para aumentar o formidável fosso entre os países ricos e os pobres. Além disso, minorias consideráveis acham que os EUA fam muito pouco para resolver os problemas do mundo. Estes sentimentos nom se limitam aos países pobres ou àqueles com opiniom negativa sobre os EUA. Na Alemanha, em França e no Canadá, perto de 70% dizem que a política norte-americana serve para agravar a desigualdade económica mundial."

Concebido nos moldes da escola norte-americana, que supervaloriza a pesquisa quantitativa enquanto instrumento das ciências sociais e políticas, o trabalho do Pew nom chega a responder à pretensiosa promessa contida no seu título "O que pensa o mundo em 2002". Talvez arrependidos de tanta pretensom, os seus autores nem sequer empreendem umha análise de conjunto dos dados, limitando-se às observaçons tópicas. Ainda assim, fornece umha respeitável massa de outros indicadores quantitativos, que estám disponíveis, em inglês, em http://people-press.org/reports/files/report165.pdf.
Madeleine K. Albright promete, no prefácio, que a investigaçom apresentada "será a primeira de umha série de estudos em profundidade sobre 'Atitudes Globais', ao longo do ano que vem".


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