"EM PORTO RICO, LUITAMOS POLA INDEPENDÊNCIA DO NOSSO PAÍS"

A seguir, reproduzimos um fragmento da recente entrevista ao presidente da Federaçom dos Universitários pola Independência de Porto Rico (Fupi), Miguel Rivera, a cargo da jornalista brasileira Lucia Stumpf (Jornal Vermelho), sobre a luita nacional e antimilitarista dos jovens porto-riquenhos contra a ocupaçom ianque.

30 de Novembro de 2002

Quais tenhem sido os desafios encontrados polos estudantes e a juventude porto-riquenha?

Rivera: Porto Rico vive há muitos anos sob um regime de intervençom norte-americana. Os nossos jovens, por exemplo, som obrigados a prestar serviço militar, mas Porto Rico nom tem exército! Ou seja, os nossos jovens prestam serviço militar para os Estados Unidos. E isso nom é de hoje. Na Guerra do Vietnám morrêrom proporcionalmente dez vezes mais porto-riquenhos do que norte-americanos porque os porto-riquenhos eram mandados para a frente mais perigosa. Por isso os nossos desafios nom som poucos, pois luitamos pola independência do país, contra a ocupaçom norte-americana do nosso território.

Do que se trata essa luita contra a base de Vieques?

R: A base de Vieques fica no lado oriental de Porto Rico e ocupa um terço da ilha de Vieques, que compom o território de Porto Rico. Essa base é só parte da ocupaçom norte-americana no nosso país, mas é algo ilustrativo e representativo para que o restante da América Latina compreenda a nossa luita. Nessa base está activado um polígono de tiro, utilizado para treino do exército norte-americano que pom em risco a vida do povo que vive na ilha. A Fupi realizou em 2002 umha grande mobilizaçom na Universidade porto-riquenha e levou mais de sete mil estudantes, num comboio de 300 carros, para a frente da base de Vieques. Montamos um acampamento em protesto e alguns estudantes chegárom a invadir a base. Sofremos umha violenta repressom. Além disso, nessa ilha tem-se observado umha ampla ocorrência de cancro entre a populaçom porto-riquenha e estamos tentando provar que isso provém de experimentos e estudos realizados na base militar. Houvo um recente caso de umha meninha que já nasceu com cancro. Ela tem sido símbolo de nossa luita pola retirada dos exércitos norte-americanos do território.


Voltar à página principal