NOVOS DADOS CONFIRMAM QUE A COMUNIDADE LINGÜÍSTICA GALEGA ESTÁ EM PERIGO DE EXTINÇOM

O lingüista Xosé
Ramón Freixeiro Mato apresentou na Corunha os resultados do projecto
Galbreus, financiado pola Direcçom Geral de Educaçom e Cultura
da Comissom Europeia, que estudou o nível de uso de galego, bretom
e basco entre as crianças em idade escolar. As conclusons som demolidoras:
o galego pode desaparecer como língua de transmissom natural por volta
de 2030
Eis alguns dados contidos
no citado estudo: nos últimos dez anos, 6,6 por cento das crianças
deixárom de falar o galego. Na actualidade, só 19,2 % dos rapazes
e raparigas do ESO o empregan habitualmente (frente a 72% que falam espanhol),
enquanto 17% a empregam na escrita.
O estudo assinala 10,1 % de monolíngües em galego e só 8,8 % de rapaziada que se desenvolve por igual nos dous idiomas. Além do mais, também revelam as mais preocupantes percentagens de emprego do galego no sistema escolar recolhidas até hoje: 19 % só recebe em galego a aula de galego; 49 % menos de 6 horas de aulas e 65 % menos de 12 horas. Todos estes níveis ficam por baixo da legalidade, vinte anos despois da aprovaçom da Lei de Normalizaçom Lingüística. Freixeiro Mato assinalou que a queda das porcentagens era especialmente significativa nos centros privados.
O estudo também examina o ámbito familiar, onde se plasma o evidente maior uso do galego com os avós e o menor com pais ou irmaos, e outros espaços de relaçom social totalmente espanholizados como cibers, discotecas ou lojas. No entanto, observa-se polos vistos também umha certa interiorizaçom do galego como lingua oficial, pois aumentam as porcentagens de uso quando os rapazes e raparigas se relacionam, por exemplo, com a administraçom. Aliás, como é habitual, à roda de 90 % afirmam que se deve favorecer o uso do galego.
Nom esqueçamos que os estudos anteriores, do Mapa Sociolingüístico Galego, tenhem já umha década de antigüidade, o que dá maior valor a uns dados actualizados, ainda que sectoriais, que confirmam as tendências apontadas há dez anos.
Este estudo vem confirmar
os diagnósticos realizados desde a esquerda independentista e outros
sectores principalmente reintegracionistas, no senso de denunciarmos a queda
em picado dos usos do nosso idioma entre a gente mais novas e nos ámbitos
urbanos. Confirma-se também outra evidência em que só
o independentismo incide: a chamada Lei de Normalizaçom Lingüística
é umha lei contra o galego, que garante a sua marginalizaçom
e a hegemonia do espanhol.
Mais um dado que confirma
as teses independentistas: existe um passivo apoio à normalizaçom
por parte de sectores significativos, mas a resistência dos poderes
fácticos torna imprescindível a activaçom social desse
apoio passivo para podermos dar a volta à situaçom.
Resta que os sectores
enquadrados no nacionalismo galego maioritário vejam por fim a necessidade
de unirmos forças na defesa dos direitos lingüísticos do
nosso povo, por cima das diferenças partidistas e fora dos inconfessáveis
compromissos adquiridos pola direcçom política desses sectores
com o poder espanhol neste ámbito.
Mais alá dos resultados
eleitorais, se nom mudarem as tendências de fundo na sociedade galega
actual, em poucos anos podemos assistir ao definitivo extermínio do
principal signo da identidade galega, a nossa língua.