Agudiza-se a luita de classes no Peru
29 de Maio de 2003

Umha vaga de manifestaçons e greves alastra por todo o Peru de maneira crescente nas últimas semanas. Produtores e produtoras agrícolas, professorado, empregad@s da justiça e, desde a terça-feira passada, trabalhadores e trabalhadoras da saúde participam em greves generalizadas. Prédios oficiais fôrom ocupados e cidades importantes bloqueadas polas massas populares. No ensino, cumprírom-se já quinze dias de greve indefinida. Em resposta, o presidente e representante burguês Alejandro Toledo, apresentado no seu dia como adail da democracia e apoiado na sua ascensom ao poder pola direita espanhola, decretou o estado de emergência que irá durar um mês no mínimo no país andino.

A medida implica que as raquíticas liberdades reconhecidas pola constituiçom peruviana ficam em suspenso e as Forças Armadas assumem directamente o labor repressivo contra o movimento operário, sendo-lhes outorgados plenos poderes para prenderem activistas sem terem que justificar as suas actuaçons.

Em dous anos na presidência, esta é a segunda vez que Toledo declara estado de emergência no país. Em Junho do ano passado, na regiom sul do país, a revolta contra a privatizaçom de duas grandes empresas acabou por fazer recuar a ofensiva burguesa, abalando seriamente o Governo.

Desta vez, Toledo afirmou na TV que pretende "restabelecer a ordem, resguardar a estabilidade democrática e garantir os projectos de desenvolvimento essenciais para o país". Além disso, comprometeu-se a rebentar as greves e cortes de estradas por qualquer meio, para o qual já declarou ilegal a greve do ensino. Também afirmou que nom vai ceder às reivindicaçons populares, situando por cima os seus compromissos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que marca a política económica à oligarquia peruviana.

Porém, as manifestaçons nom cessárom por enquanto, ante o qual as unidades de choque do exército estám a reprimir duramente as massas que exigem subas salariais e outros direitos sociais esmagados polo neoliberalismo capitalista vigorante no país.

Além da capital, Lima, a polícia está a atacar com jactos de água e gases lacrimogéneos manifestaçons operárias em cidades e vilas como Trujillo, Chiclayo (noroeste), Cajamarca (norte), Huancavelica (sueste), Tacna (sul), Huánaco (nordeste), etc.

Como exemplo do clima insurreicional que vive o Peru, mais de três mil grevistas agrários assaltárom umha esquadra policial tomando armamento e arrestando dous polícias na província de Jauja. Vários veículos policiais fôrom incendiados, incluído um camiom, umha carrinha e umha moto. Vários polícias ficárom feridos e os dous polícias arrestados ainda nom aparecêrom, polo que se acha estarem em poder d@s revoltad@s.

Calcula-se que dous milhons de pessoas estám a participar nos protestos massivos contra o Governo de Toledo.



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