14 de Junho, 1928-2002
POR QUÊ LEMBRAMOS O CHÉ?

Maes de Praça de Maio. Cátedra Livre Ernesto Che Guevara, Universidade Popular Maes da Praça de Maio

Educárom-nos para a obediência.

Ensinárom-nos a abaixar a cabeça e nom olhar para os olhos.

Disciplinárom-nos para dizer sempre que sim.

Induzíirom-nos a rejeitar todo caminho que nom seja o eleitoral-parlamentar.

Tentárom convencer-nos, de maneira "científica" e "prágmatica", que nom é viável o socialismo e menos que nada num continente do Terceiro Mundo.

Demonstrárom-nos umha e mil vezes que a Ámerica Latina é subdesenvolvida e vive crises permanentes pola falta de capitalismo, pola falta de investimentos, pola falta de capitais.

Machucárom-nos com que "O Estado somos todos".

Voltárom-nos a insistir com que "Todos somos iguais ante a lei".

Punírom-nos e espancárom-nos em nome da "Divisom de poderes".

Reclamárom-nos compreensom.

Pedírom-nos que apoiássemos aburguesia nacional "em nome da Pátria".

Censurárom-nos.

Reprimírom-nos.

Ilegalizárom-nos.

Endivedárom-nos. Explorárom-nos. Expropriárom-nos. Deixárom-nos sem trabalho.

Perseguírom-nos.

Seqüestrarom-nos. Humilhárom-nos. Violárom-nos. Torturárom-nos.

Desaparecêrom-nos.

Mais tarde...

Mostrárom-nos o caminho da reconciliaçom.

Voltárom a solicitar-nos compreensom.

Incutírom-nos o culto à PAZ.

Pedírom-nos todos os dias a outra bochecha.

Voltárom a obrigar-nos, agora em nome da "Democracia", a abaixar a cabeça e obedecer.

Dérom-nos mil exemplos e mais um de que a Revoluçom hoje é impossível.

Mas o exemplo do Che continua vivo. Insuportavelmente vivo. Por isso, lembramo-lo nesta Cátedra Livre.

Por isso, homenageamo-lo junto das queridas Maes da Praça de Maio e todas as companheiras e companheiros com que fazemos dia a dia esta Universidade Popular.

Por isso estudamos como o Che despiu o caminho do atraso, a miséria, a desocupaçom, a fame e o subdesenvolvimento latinoamericanos: nom como um destino metafísico imodificável mas como a conseqüência necessária e estrutural do desenvolvimento desigual, combinado e dependente do capitalismo mundial e o imperialismo.

Por isso insistimos com o Che em que nom há que apoiar nunca mais a burguesia nacional, que só tem de "nacional" a escarapela e só se lembra da pátria em tempos do mundial.

Por isso insistimos com o Che em que as Forças Armadas e o Exército argentino som um exército opressor, um exército de ocupaçom, um exército ao serviço dos nossos inimigos, dos inimigos do nosso povo. Um exército que ainda que fala o nosso mesmo idioma e tem umha retórica "nacionalista" está ao serviço do imperialismo.

Por isso junto do Che rejeitamos todas as reconciliaçons, todos os perdons, todas as pazes com os nossos carrascos. Nada de diálogo nem de bochechas ingénuas oferecidas mansamente aos nossos inimigos de ontem, de hoje e de sempre.

Por isso, da mao do Che, continuaremos a insistir em que o único caminho das transformaçons sociais nom se passa necessariamente polo Parlamento e o conselho deliberante.

Por isso, caminhando acarom do Che, continuamos a acreditar no socialismo como a única alternativa mundial, política e ética ao mesmo tempo, frente à barbárie capitalista globalizada.

Por isso, querido Ernesto Che Guevara, hoje te lembramos com alegria e esperança. Porque o teu projecto continua a ser o nosso. Na política e na vida quotidiana.

(Texto lido no Auditório da Universidade Popular das Maes na homenagem ao Che polo dia do seu nascimento, na sexta-feira 14 de Junho de 2002)

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