13 de Junho de 2002
MANIFESTO
DO COMITÉ CENTRAL DE PRIMEIRA LINHA
SOBRE
A GREVE GERAL DE 20 DE JUNHO
CONTRA
O CAPITALISMO, O FASCISMO E O IMPERIALISMO ESPANHOL
ORGANIZAR,
MOBILIZAR E GOLPEAR SEM TRÉGUA
O
Comité Central de Primeira Linha, perante a convocatória de Greve Geral
do 20 de Junho, manifesta ao conjunto da classe trabalhadora galega, às
mulheres, à mocidade e aos sectores populares que componhem o Povo Trabalhador
Galego que:
1º-
Sobram as razons para secundar activa e de forma contundente a jornada
de greve geral do 20J. Embora esta convocatória parte inicialmente
dos corruptos, burocráticos e pactistas sindicatos espanhóis, -os mesmos
que desde os Pactos da Moncloa (Outubro de 1977), após desarmarem ideologicamente
e desmobilizar a classe obreira-, venhem defendendo umha estratégia de pacto
social ao serviço da burguesia e das privilegiadas elites sindicais, é
imprescindível participar activamente na jornada de luita desde coordenadas
anticapitalistas, revolucionárias e de libertaçom nacional e social de género.
Esta capitulaçom é a que tem
favorecido que a ofensiva da oligarquia espanhola contra os direitos laborais,
sociais, democráticos e nacionais da classe operária, as camadas populares,
a mocidade trabalhadora e estudantil, as mulheres e as naçons oprimidas,
semelhe nom ter limites. A reforma do desemprego, a Lei de Partidos políticos
e a ilegalizaçom de Batasuna, a LOU e a Lei de Qualidade do Ensino, as privatizaçons
e a sistemática destruiçom dos serviços públicos, a anunciada reforma da
Lei de Greve, em definitiva, o
conjunto da política sócio-económica do actual governo do PP é a maior ofensiva
do bloco de classes dominante espanhol contra a classe obreira, o Povo e
a Naçom galega do último quartel de século.
Estas medidas nom podem ser
combatidas de forma isolada, configuram e exprimem sem ambigüidades o cenário
sócio-político a que o PP pretende com urgência conduzir-nos: umha Espanha
indivisível e autoritária, de maior sobreexploraçom, mais permissiva com
o patriarcado, erradicada de comunistas, independentistas, radicais, anti-globalizadores,
de todo latejo onde tenha cabimento qualquer espaço para a crítica e a reivindicaçom.
Som horas de agir, som horas
de dizer basta, de parar a voracidade ilimitada da burguesia espanhola por
incrementar a sobre-exploraçom a que nos submete como classe, mulheres e
naçom.
2º-
Os perto de dous milhons e setecentos mil galeg@s que configuramos o
PTG devemos participar activamente nesta jornada de luita, dando-lhe um
conteúdo de classe e nacional que o sindicalismo reformista espanhol ou
autonomista pretende limitar ou negar.
O
20J nom deve ser concebido, nem convertido como um pulso entre a fracçom
“liberal” da burguesia espanhola, representada polo PSOE, que utiliza a
UGT e as CCOO para desgastar eleitoralmente o governo de Aznar; nem tampouco
pode ser encarado como umha jornada isolada de luita contra as medidas anti-populares
da oligarquia, sem estratégia nem perspectiva sostida de ofensiva operária
e nacional contra o capitalismo espanhol e a opressom nacional e social
de género que padecemos.
Os sectores mais combativos
da classe trabalhadora, das mulheres e da mocidade, devemos contribuir para
libertar toda a energia, toda a imensa capacidade de combate das massas,
convertendo o 20J numha conseqüente e combativa jornada de luita pola defesa
dos nossos direitos como trabalhadores/as, como galeg@s, e como mulheres
sobre-exploradas e marginalizadas polo capitalismo e o patriarcado.
Perante a greve institucionalizada,
pacífica, ordenada e respeitosa com a legislaçom vigente e com os responsáveis
pola nossa opressom e dominaçom, que tenhem traçado, desenhado e pactuado,
-tal com aconteceu no 15 de Junho passado-, os burocratas sindicais e os
partidos parlamentares, no 20J devemos evitar ser manipulados polos sindicatos
do regime, submissos ao capital, polas forças políticas reformistas, que
tam só pensam nas eleiçons e nos votos.
Os
centros de trabalho e de ensino, as fábricas, os bairros, as ruas da Galiza,
de Ribadeu a Verim, de Vigo a Ponferrada, devem converter-se numha imensa
barricada, de resposta colectiva e combativa contra o capital, e todos os
seus instrumentos de dominaçom e opressom.
3º-
A classe trabalhadora consciente e organizada, os sectores rebeldes da mocidade,
as mulheres combativas, o povo com memória, o conjunto d@s revolucionári@s
galeg@s, nom pode, nom podemos permitir que os dirigentes do PSOE tentem
cinica e hipocritamente capitalizar esta jornada de luita contra as
medidas anti-operárias e anti-populares que impulsiona o PP seguindo a estratégia
e os passos dos diferentes governos felipistas desde 1982.
Nom devemos deixar que as
mobilizaçons do 20J sejam utilizadas para que os políticos de “esquerda”
do regime, cujos principais forças nom apoiam oficialmente a greve (BNG
e PSOE), se retratem na faixa de cabeça pensando exclusivamente nas municipais
do próximo ano ou nas legislativas de 2004.
Ao igual que o estudantado
da esquerda independentista nom permitiu que os corruptos profissionais
da burocracia juvenil do PSOE participassem gratuitamente, sem rubor e frivolamente,
nas exemplares mobilizaçons da mocidade galega contra a LOU e pola defesa
de um ensino público; igual que @s trabalhadores/as de Álvarez, ou os marinheiros
do Morraço, rompêrom com um sindicalismo pactista e entregado à patronal,
cumpre desmascarar o oportunismo e as infames intençons de todas aquelas
forças políticas e sindicais que só pretendem converter o 20J numha ordenada
e disciplinada processom de massas para recuperar o governo ou ajudar a
recuperá-lo, e portanto reproduzir a mesma política que desenvolvêrom
durante três lustros e que agora só aspiram a perpetuar, apoiando-se na
capacidade de luita popular.
4º-
Aznar tem razom quando afirma que a greve geral fai dano a Espanha.
Cándido Méndez e Fidalgo mentem quando respondem que isso é falso, que a
greve é para defender Espanha da direita.
@s comunistas galeg@s, o conjunto
do Movimento de Libertaçom Nacional Galego, devemos ser capazes de transmitir
ao conjunto da classe obreira e das camadas populares galegas que esta greve
nom só pretende parar o decretaço que dá umha nova volta de porca
contra os direitos da classe trabalhadora, especialmente dos seus sectores
mais fracos e desprotegidos, -@s desempregad@s-, senom que também é umha
greve contra Espanha, entendida como o espaço simbólico-material de acumulaçom
de capital.
Umha greve contra o bloco
de classes dominante espanhol e contra a burguesia autóctone, responsável
polo empobrecimento de 22% da populaçom galega, pola existência de mais
de 14% de desemprego, elevada a 19% nas mulheres, de 36% de trabalhadores/as
com emprego eventual, que se incrementa a medida que se reduz a idade, atingindo
73.45% na faixa de 20 a 24 anos, e de 83.82% na de 16 a 19; contra a volta
da emigraçom; contra os salários de miséria e com atraso; mas também contra
a dependência económica e a marginalizaçom da Naçom galega, e da sua estatégia
para convertê-la num país de pensionistas e subsidiados, incapaz de produzir,
e portanto sem a base material imprescindível para poder exercer o direito
de autodeterminaçom e dotar-se de um Estado próprio, sob a hegemonia da
classe obreira; umha greve contra a turquizaçom da reforma política
juancarlista e na defesa das raquíticas liberdades que agora querem
suprimir; umha greve contra o fascismo, na defesa do nosso futuro e das
geraçons vindeiras.
5º-
Esta greve havemo-la ganhar, senhor Aznar. Por muito que pese ao
BSCH, a Telefónica, a Endesa, ou a Repsol, por muitos esforços que invista
Roberto Tojeiro, Amáncio Ortega, Garcia Balinha e toda a burguesia galega,
em fura-greves, segurança privada, polícia, criminalizaçom dos objectivos
que persegue o paro, por muita manipulaçom dos meios de comunicaçom, esta
greve havemo-la ganhar, senhor Aznar.
Mas nom devemos circunscrever
o êxito da greve, -como um dos mais elaborados instrumentos da luita de
classes de que se dotou o movimento operário-, em atingir os objectivos
da retirada da reforma do desemprego e do embaratecimento do despedimento,
esta greve deve ser utilizada para contribuir a recuperar o orgulho e o
sentimento de classe que o capitalismo tem logrado erosionar e mesmo perder
em amplíssimos sectores do Povo Trabalhador. A greve deve servir para recuperarmos
confiança nas nossas próprias forças, na nossa capacidade de resistência
e luita, para afastar-nos das falsas soluçons que nos vende a burguesia
e os seus partidos, sejam espanóis ou autonomistas.
Ao igual que em 1871, em 1917,
1936 ou 1977, a luita é o único caminho para a nossa emancipaçom e libertaçom.
É a classe operária a única que pode libertar-se a si própria.
O 20J é umha magnífica oportunidade
para demonstrar à burguesia que vai fracassar nos seus objectivos de derrotar-nos.
Adiante coa Greve Geral!!
Viva a Classe Trabalhadora
Galega!
Por umha Galiza independente,
socialista e nom patriarcal!
Galiza, 13 de Junho de 2002