Os meios de comunicaçom tratam de ocultar o massacre
24 de Março de 2003

As televisons ocidentais e outros meios de comunicaçom das burguesias "aliadas" estám a censurar as informaçons que chegam aos respectivos povos, com o intuito de evitar a extensom dos protestos ante os sangrentos efeitos da invasom anglo-norte-americana do Iraque.

Se durante as primeiras jornadas adiárom ao máximo o reconhecimento das primeiras vítimas civis dos bombardeamentos ocidentais, louvando a "precisom" e "selecçom" dos ataques, na actualidade estám a peneirar a difusom de imagens que podam influir na tomada de consciência antibelicista das populaçons ocidentais.

É evidente que os próprios ianques e ingleses doseiam a informaçom que os jornalistas podem enviar às redacçons, mas também estas evitam emitir imagens "fortes de mais". É preciso recorrer aos canais de televisom árabes e a portais informativos da Internet para ver as conseqüências das bombas "aliadas" largadas indiscriminadamente sobre Bassorá, Bagdad e outras cidades iraquianas. Crianças mutiladas e com o corpo queimado, hospitais cheios de feridos e dúzias de homens, mulheres e crianças, populaçom civil, assassinados em nome da sua própria "libertaçom".

Os activistas antiguerra e jornalistas independentes que estám em Bagdad e conseguem passar mensagens pola Internet contam que é enorme o número de civis em estado grave nos hospitais iraquianos, que as bombas já atingírom dezenas de casas e alvos nom militares como museus, escolas e mesquitas; que há umha repulsa grande aos soldados norte-americanos e ingleses nas áreas invadidas por terra e que até agora nengumha importante cidade foi completamente tomada polo exército agressor pois a resistência do exército e o povo iraquianos está sendo muito grande. Todo bem diferente da versom dos factos divulgada pola Casa Branca.

Alguns meios pró-imperialistas até se permitem fazer gozaçom com a tragédia, limitando a sua informaçom sobre as vítimas civis a supostas "manipulaçons" oficiais iraquianas, negando a evidência das dúzias de mortos e mortas contabilizadas já em cada cidade acossada por ianques e ingleses.

Contodo, cada vez resulta mais difícil esconder umha realidade tam incontestável. Soubo-se, por exemplo, que um míssil estado-unidense impactou contra um autocarro na vila iraquiana de Ratba, matando cinco civis de nacionalidade síria de maneira imediata, enquanto outros dez ficárom com ferimentos de importáncia.

Ao mesmo tempo que a Administraçom ianque denunciava a violaçom da Convençom de Genebra por os invasores apresados por forças iraquianas terem sido mostrados às cámaras, alguns jornalistas já narrárom a execuçom espontánea de iraquianos detidos polas forças "aliadas". Resulta sarcástico ver os assassinos em massa, os torturadores de centenas de prisioneiros de guerra em Guantánamo, queixarem-se porque meia dúzia dos seus soldados, que estám a invadir e massacrar um país, som mostrados ao mundo pola televisom estatal do país invadido.

De outra parte, enquanto o exército norte-americano afirma ter conseguido importantes vitórias em solo iraquiano, o canal de TV libanês Al Manar dizia, neste sábado, que as forças dos Estados Unidos e da Gram Bretanha estavam retrocedendo no sul país, "humilhadas pola forte resistência do povo iraquiano".

O mando estadou-unidense está a negar qualquer acçom de castigo recebida polas forças iraquianas, de maneira que estas se vem obrigadas a mostrar publicamente os seus avanços. Assim, USA reconheceu que perdeu em combate o seu primeiro helicóptero Apache só depois de que a TV iraquiana oferecesse as incontestáveis imagens do aparelho destruído. Os dous ocupantes do helicóptero fôrom detidos.

Os ianques também acabárom por reconhecer que Nasiriya, Bassorá e Faw nom estavam vencidas, umha vez que as milícias iraquianas continuam a causar baixas entre o todopoderoso exército invasor apesar do seu bem menor potencial bélico.

Também se revelam como umha farsa as supostas rendiçons em massa de militares árabes nas primeiras jornadas, farsa com que os invasores pretendêrom desmoralizar a resistência iraquiana que defende heroicamente a soberania do seu país.

Os próprios meios ocidentais reconhecem que há ordem de que as imagens de vítimas norte-americanas e inglesas nom sejam mostradas nas televisons, para evitar o desánimo dos seus "compatriotas". Só os canais árabes independentes conseguem romper o certo informativo mostrando os cadáveres dos invasores e também as vítimas civis da guerra imperialista.

CNN, BBC e naturalmente também os canais espanhóis aderem à versom pró-ocidental do que acontece no Iraque. Assim, a CNN chegou a colocar um apresentador ante as cámaras desejando boa sorte e êxito aos pilotos que partiam para castigar Bagdad com as suas cargas explosivas. Finalmente, os jornalistas deste canal fôrom expulsos da capital iraquiana. A espanhola Telecinco limitou-se nas primeiras jornadas a mostrar supostas manipulaçons informativas do regime iraquiano, como se nada pudesse contar do férreo controlo informativo imposto polos ianques. TVE nom deixa de esconder as massivas manifestaçons contra a guerra, prática de resto habitual no canal público espanhol.

A dependência directa da protecçom das forças anglo-norte-americanas coloca os mais de 100 jornalistas que acompanham o avanço invasor, correspondentes espanhóis incluídos, nas antípodas da independência crítica que deve caracterizar um jornalismo minimamente objectivo.

Mais umha vez, fica em evidência a estreita relaçom entre imprensa e poder, a posta ao serviço de aquela ante este, a actualidade da censura. Se a realidade extrema de umha guerra torna mais patente a funçom ideológica e alienante dos meios de comunicaçom, é preciso compreendermos que tal funçom é estrutural e torna o controlo da informaçom umha arma de primeira ordem na manutençom do sistema capitalista, e portanto também na sua necessária destruiçom.


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