CAMPONESES MEXICANOS
EM PÉ

A revolta dos camponeses
de San Salvador Atenco, perto da capital do México, iniciada quinta-feira,
ganhou no dia 12 de Julho maiores proporçons devido à violenta
repressom. Os trabalhadores rurais protestam contra o projeto de construçom
de um novo aeroporto que implica na expropriaçom das suas terras.
O movimento de protesto
acirrou-se quando os camponeses tentárom aproximar-se do governador
do Estado do México, Arturo Montiel, e fôrom impedidos pola polícia
com bombas de gás lacrimogéneo. A repressom deixou um saldo
de cerca de 30 feridos, 13 camponeses presos e, em contrapartida, 12 policias
e funcionários do governo tomados como reféns polos manifestantes.
Os camponeses retirárom-se para seu povoado com os reféns.
O "ejido"
existe desde tempos pré-colombianos
O movimento de San Salvador
Atenco, que tem como lema "Terras sim, aeroporto nom!", começou
em Outubro passado, assim que foi anunciado o plano de construir o novo terminal
aéreo. Para tanto, o governo decidiu expropriar 5.390 hectares de terras
de "ejido" - forma de propriedade comunitária camponesa que
vem desde os tempos pré-colombianos. Os moradores de Atenco já
reiterárom várias vezes que defenderiam a terra com suas vidas
se necessário.
Mas eles também recorrêrom a um advogado, Ignacio Burgoa Orihuela,
que entrou na justiça e obtivo a suspensom da obra. "Enquanto
a tramitaçom nom se encerre definitivamente, o que pode durar muitos
meses, as autoridades nom podem invadir as terras do ejido", declarou
Orihuela à BBC de Londres.
Governo promete "mao
firme"
O governo reagiu com intransigência
ao incidente de quinta-feira "com mao firme", segundo a expressom
do secretário de Governo, Santiago Creel. "Nom negociaremos com
grupos violentos", declarou o governador Montiel.
Já o líder
dos camponeses de Atenco David Pájaro reiterou sua disposiçom
de dialogar: "Antes que o sol se oculte, que se mostrem imagens reais,
vivas de nossos companheiros detidos", dixo Pájaro, propondo que
se faga entom umha troca dos reféns polos presos. Entre as acusaçons
que a polícia imputou aos detidos estám roubo de veículos
com violência, motim, privaçom ilegal de liberdade, ataque a
vias públicas e ocupaçom de instalaçons públicas.
Os reféns fôrom
entrevistados pola rádio local. Dixérom que estám bem
e pedírom que se agilizassem as negociaçons para que pudessem
voltar às suas casas.