Nestlé reclama umha indemnizaçom de 6 milhons de dólares ao Governo de Etiópia

"O mais grande produtor de alimentos do mundo, (café, águas, leite, congelados, cereais e muito mais), a Suíça Nestlé, contra o mais famento país do mundo, a Etiópia" : poderia ser este o cabeçalho do sumário correspondente ao juízo legal que a multinacional intenta levar adiante contra o país africano. Etiópia, com 100 dólares de PIB e ao menos 11 milhons de pessoas desnutridas, enfrenta-se em estas datas à mais difícil carestia da sua história desde que em 1984 um milhom de pessoas morrerom de fame.

A historia do conflito começa em 1975, quando o Governo militar de Menghistu nacionalizou umha fábrica alemã sucessivamente adquirida pola multinacional Nestlé. Agora, e fronte à insistência da empresa suíça por conseguir um ressarcimento económico, o paupérrimo Governo de Zenawi ofereceu umha indemnizaçom de 1.5 milhons de dólares que, escandalizada, a Nestlé rechaçou argumentando que "é umha questom de princípio". Até o Banco Mundial, normalmente mais sensível aos interesses das multinacionais que as necessidades dos povos, emitiu um comunicado: "a proposta do Governo de Abdis Abeba parecia razoável. Embora, é um direito de Nestlé intentam obter o máximo possível".

A fama da Nestlé na África é sinistra. Na década dos 90 doou repetidamente leite caducada a milhons de mulheres da África subsahariana e conduziu campanhas publicitarias para induzi-las a nom amamentar as suas crianças e a nutri-las com sucedáneos conservados e produzidos pola mesma empresa. Mentres Nestlé - para a qual 6 milhons de dólares representam menos do 0,1% das suas ganâncias do ano 2002- exige que os seus princípios sejam respeitados, em vinte países da África, começando por Etiópia, entre 38 e 40 milhons de pessoas arriscam a sua vida diariamente, segundo a ONU, por falta de alimentos, água e medicamentos.


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