A CIG também contra a Ria de Ferrol: agora defende a construçom da Planta de Gás em Mugardos

31 de Outubro de 2003

A central sindical maioritária do nacionalismo galego, a CIG, acaba de fazer público o seu apoio à construçom da planta de gás no interior da Ria de Ferrol, em perfeita harmonia com as teses defendidas pola cúpula do BNG e, sobretodo, pola sociedade que promove o projecto: REGANOSA.

Lembremos que no Concelho de Mugardos já se realizou um recheio sobre a Ria de 100.000 metros quadrados, destinado à instalaçom de umha planta de gás altamente perigosa, que de realizar-se incumpriria a legislaçom quanto a segurança. Devido à proximidade de zonas habitadas, a planta constituiria umha autêntica bomba-relógio no interior da Ria de Ferrol. Além disso, afectaria negativamente à pesca e marisqueio na zona, ao suspeitar-se que viria acompanhada da promoçom de um complexo petroquímico altamente poluente.

Existem precedentes recentes de acidentes em instalaçons petroquímicas, como o que em 2001 provocou 29 mortes e mais de 2000 pessoas feridas em Toulouse. Mesmo que fosse só por isso, juntamente com a mais que demonstrada negligência das autoridades espanholas ante catástrofes diversas, obriga a rejeitar semelhante projecto.

O BNG andou sempre a mover-se na ambigüidade neste tema. Enquanto o seu alcaide em Ferrol, Jaime Velho, defendia a instalaçom da planta no exterior da Ria (no porto exterior em construçom), os seus alcaides de Mugardos e as Pontes defendem a Ponta Promontório, em Mugardos, como localizaçom. Também o seu deputado no Congresso espanhol, Francisco Rodríguez, navegou na ambigüidade calculada ao afirmar que, partilhando as preocupaçons pola segurança, o mais urgente era para ele que o projecto se verificasse, ondequer que fosse.

Agora, a CIG dá mais um passo ao apoiar explicitamente um projecto que vem somar-se a todos os que nas últimas décadas e ainda na actualidade estám a reduzir a Ria de Ferrol a umha esterqueira industrial. A CIG pronunciou-se através de três qualificados representantes: o secretário nacional da Federaçom de Químicas, o pontês Fermim Paz, o secretário comarcal de Trasancos, Emílio Cagiao, e o próprio secretário nacional, Suso Seixo. Afirmárom os três que passou o tempo das utopias, e que a planta é necessária para "pôr em marcha este país" (sic). Também aludírom à criaçom de postos de trabalho, evitando qualquer referência à destruiçom dos já existentes à volta da exploraçom pesqueira e marisqueira. Finalmente, referírom-se à necessidade de evitar apagons eléctricos como os acontecidos recentemente em Itália mediante o reforço das infraestruturas energéticas, esquecendo que a Galiza está já a produzir suficiente energia que é levada fora do nosso país por empresas espanholas sem qualquer contraprestaçom.

A falta de conhecermos em pormenor as excelentes relaçons entre o BNG, a CIG e o Grupo Empresarial Tojeiro, um dos mairos investidores do projecto, nom podemos deixar de ficar chocad@s ante a posiçom das cúpulas do nacionalismo institucional, que mais umha vez entregam à oligarquia os interesses da maioria e o património natural galego por um prato de lentelhas. Mais umha mostra do modelo de desenvolvimento "endógeno" que defendem para a nossa naçom.

Por seu turno, a esquerda independentista e o movimento ecologista tenhem-se pronunciado contra a planta de gás repetidamente, rejeitando tanto a sua instalaçom no interior da Ria como no porto exterior, obra que de resto também atenta gravemente contra a Ria e que por isso o independentismo rechaça abertamente.

Enquanto o nacionalismo institucional apoia a instalaçom de semelhante planta, evita falar das responsabilidades criminais da empresa e da instituiçom municipal responsáveis polo imenso recheio na costa mugardesa, atentado irreparável contra a Ria, talvez por estar agora o próprio BNG integrado no Governo de Mugardos.

Quem forma REGANOSA?

O letal projecto de planta de gás é promovido por REGANOSA, sociedade formada por ENDESA, FENOSA, o Grupo Tojeiro, Caixa Galicia, SONATRACH, a Junta da Galiza, Caixa Vigo, Caixa Ourense, Caixa Ponte Vedra e o Banco Pastor. Os principais investidores som ENDESA e FENOSA, com 21% cada, e o Grupo Tojeiro, com 18%.

Mais informaçom sobre o tema:

ADEGA critica a "irresponsabilidade" da possível instalaçom da planta de gás em Mugardos (+...)

BNG insiste em reclamar umha planta de gás no interior da Ria de Ferrol (+...)


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