DEPUTADOS E MILITANTES PORTUGUESES DE ESQUERDAS COMPROVAM EM CARNE PRÓPRIA A NATUREZA FASCISTA DA GUARDA CIVIL E DA POLÍCIA ESPANHOLA

As forças repressivas espanholas provocárom um incidente diplomático no dia 21 de Junho ao aplicarem os seus métodos na fronteira entre Portugal e Espanha, impedindo o acesso de portugueses e portuguesas suspeitos de quererem manifestar-se em Sevilha. O que estivo a ser prática habitual nas fronteiras durante a cimeira sevilhana, abusos, agressons e interrupçom unilateral do tratado de Schengen que permite a livre circulaçom no território da Uniom Europeia, transcendeu neste caso ao ter como vítimas vários deputados do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda. Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, denunciou o trato agressivo, os maus tratos, as bastonadas e insultos com que a delegaçom portuguesa foi recebida na fronteira de Badajoz.

Ante o pedido de explicaçons por parte dos alucinados cidadaos e cidadás portugueses, a polícia espanhola respondeu que estava a defender a "segurança nacional". Fôrom centos os militantes portugueses e portuguesas afectados pola arbitrariedade policial espanhola, empenhada em impedir a participaçom do maior número de pessoas nas mobilizaçons antiglobalizaçom de Sevilha, que no próprio dia 21 reuniu dezenas de milhares de pessoas contra o capital e o imperialismo. No caso de Portugal, eram 10 autocarros os que tentavam assistir à manifestaçom do próprio dia 21.

Os deputados da esquerda portuguesa requerêrom a identificaçom e a justificaçom ou permissom escrita com que os polícias espanhóis contavam para impedir-lhes a livre circulaçom, sendo-lhes negada qualquer documentaçom e resultando espancados e devoltos a Portugal no autocarro em que viajavam.

Ángelo Alves, responsável pola delegaçom do PCP, explicou como "elementos da Guardia Civil invadírom os autocarros e confiscárom várias máquinas fotográficas". "Posteriormente", afirmou, "fum colocado violentamente no autocarro", referindo que a restante comitiva foi igualmente "obrigada a entrar à força" para os autocarros, "sem que tivesse havido qualquer provocaçom".

A delegaçom comunista "está indignada" e vai "agir legalmente" contra esta "atitude deplorável" das autoridades espanholas, concluiu o mesmo responsável, já de regresso a Lisboa.

Esta actuaçom, que é norma no Estado espanhol, resultou insólita para os cidadaos e cidadás portugueses, que se concentrárom ante o consulado espanhol em Lisboa para manifestar a sua repulsa às práticas das suas forças repressivas.

Miguel Portas, dirigente do Bloco de Esquerda envolvido na agressom que comentamos, remeteu a questom para o Estado português, "que deve intervir no caso". Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, falou de hipocrisia e declarou que a situaçom é inaceitável: "É necessário que o governo português intervenha imediatamente junto do Governo espanhol", concluiu.

O próprio Governo português, através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou que interpelará ao Governo espanhol pedindo explicaçons sobre este incidente diplomático. O presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, vai apresentar um protesto junto da sua homóloga espanhola, enquanto o presidente da República portuguesa, Jorge Sampaio, dirigiu-se ao embaixador espanhol em Portugal para exigir-lhe explicaçons.

A assunto está a ser, até o momento de esta crónica ser escrita, silenciado polos meios de comunicaçom espanhóis, apesar da gravidade de um Estado rescindir unilateralmente os Acordos de Schengen, que garantem o livre tránsito de pessoas no ámbito da Uniom Europeia.

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Manifestaçom posterior ante o consulado de Espanha em Lisboa