EXECUÇONS E
PERFIL ÉTNICO DA POPULAÇOM CARCERÁRIA DOS EUA REVELA
JUSTIÇA RACISTA
A execuçom do mexicano
Javier Suárez Medina, 33 anos de idade, neste mesmo mês, desatou
umha forte onda de protestos internacionais contra a prática da pena
de morte nos Estados Unidos. Suárez tinha 19 anos de idade quando foi
preso, em 1989, acusado de matar um polícia. Foi executado com umha
injecçom letal, depois de 13 anos de prisom, na presença de
seus pais e irmaos, de um filho do policial morto e de algumhas testemunhas.
Protestos e apelos,
em vao
Várias organizaçons
que militam contra a pena de morte nos Estados Unidas, como o escritório
da Amnistia Internacional, tentárom impedir a execuçom do mexicano.
A maior parte dos hispano-americanos considerou a execuçom como um
crime a mais, umha vingança cega e irracional, umha violaçom
do direito.
O presidente mexicano,
o direitista Vicente Fox, chegou a telefonar para Bush e para o governador
do Texas, Rick Perry, para pedir que intercedessem a favor de Suárez
(pela lei norte-americana, o governador tem a prerrogativa de comutar a pena
de morte em prisom perpétua). Quando o seu esforço revelou-se
inútil, cancelou a viagem de trabalho que faria, umha semana depois,
a quatro cidades texanas.
Os Estados Unidos som
hoje o único Estado do chamado Ocidente que mantém a instituiçom
da pena de morte e a pratica. Desde que esta foi reabilitada pola Corte Suprema,
há vinte anos, mais de 700 prisioneiros fôrom executados. O último
deles já nom é Suárez, pois na madrugada de ontem Daniel
Basile recebeu sua injecçom letal, no Missouri, depois de dez anos
preso e negando até o fim a autoria do assassinato de que era acusado.
O Texas, Estado do presidente Bush, é o recordista absoluto em número de execuçons. Suárez foi o terceiro prisioneiro executado no Texas neste mês, o 22º em 2002 e o 277º desde a restauraçom da pena de morte, em 1882. No presente momento, outros 51 cidadaos mexicanos encontram-se no "corredor da morte" à espera da execuçom. O mais idoso deles tem 56 anos de idade; o mais jovem, 25 anos.
Mas a pena de morte nom
é o único conteúdo escandaloso dos sistema prisional
ianque. O racismo é um outro signo de identidade, juntamente com o
aumento da populaçom reclusa. Assim, o número de pessoas presas
ou em liberdade condicional nos Estados Unidos passou dos 6,5 milhons em 2001,
representando 3,1% da populaçom do país, segundo fontes governamentais.
O número significa um aumento de quase 148 mil, em comparaçom
com 2000. Do total, quase 2 milhons estám encarcerados e o resto está
em liberdade condicional.
Organizaçons de
defesa dos direitos civis denunciárom a alta proporçom de afro-americanos,
hispánicos e outras minorias nas instituiçons carcerárias.
Segundo o Projecto Sentença, para cada 100 mil habitantes, estám
encarecerados 3.535 negros, 1.177 hispánicos e só 462 de origem
europeia, embora estes últimos representem mais de 70% da populaçom.
Texas, Lusiana e Mississipi som os estados com os maiores índices de
encarcerados