UM EXEMPLO DE MANIPULAÇOM
INFORMATIVA EM "LA RAZÓN"
Maite Soroa comenta nas páginas de Gara, sob o título de A paranóia estende-se, um caso eloqüente de manipulaçom informativa no jornal madrileno "La Razón". Como inventar umha "notícia" sobre Batasuna quando nom há material informativo
(Gara, 7 de Setembro de
2002)
À medida que se
passam os dias, a santabárbara dialéctica do nacionalismo extremista
espanhol vai-se esvaziando e a alguns só lhes resta o insulto ou o
delírio como muniçom para o seu arcabuz jornalístico.
Entendêrom esta como a última carga da cavalaria ligeira e, sem
atender os sábios conselho de Von Clausewitz, esvaziárom toda
a carga dos seus polvorins e agora, como na guerra de Gila, só lhes
resta insultar o inimigo. Ou a sua inteligência. Como em "La Razón"
de ontem.
A "notícia"
intitulava-se, de jeito um bocado aparatoso, "Exteriores ajudou a ir
a Johannesburgo a umha ONG em que se refugiou um batasuno condenado".
Como podem ver, a cousa semelha grave.
A leitura da "informaçom" fai-se difícil polo lamacento da literatura, mas, em resumo, vinham a dizer que a Agencia Española para la Cooperación y el Desarrollo, organismo que depende do Ministerio de Asuntos Exteriores, contribuiu economicamente para a viagem de umha delegaçom da ONG Mugarik Gabe a Johannesburgo. Até aí os dados. O bom vem a seguir, quando os dous jornalistas assinantes desvendam que "se dá a circunstáncia de que na dita organizaçom, nos locais de Pamplona, se fechárom em 1994 seis insubmissos navarros, que quebrantárom o terceiro grau penitenciário e que fôrom posteriormente arrestados. Um deles é concelheiro de Batasuna em Berriorzar". Eis a chave.
Se seguirmos as pistas
que achega "La Razón" e lhes aplicamos a lógica dedutiva
de Garzón, nom demoraremos a concluir que se Batasuna é ETA
e se um concelheiro de Batasuna se fecha nos locais de umha ONG que está
subsidiada por umha agência dependente do Ministerio de Asuntos Exteriores,
Ana Palacio está a subsidiar o aluguer de um refúgio da ETA.
Ou seja, proporcionando infraestrutura. E se à brilhante deduçom
se seguisse um desenvolvimento mais ou menos razoável, qualquer mente
preclara concluiria que o corpo diplomático hispano, repartido polo
mundo todo, vem sendo a prolongaçom de Xaki, que também foi
ilegalizada por Garzón. E assim, algum mais despertinho que o resto
pedirá que repatriem os embaixadores, cônsules e adidos diplomáticos,
devidamente algemados, para a sua conduçom a Soto del Real. E se um
Ministério colabora com a ETA, o Governo nom fica isento de mácula.
E se peca o Governo, peca o se presidente. Como podem comprovar, a paranóia
estende-se.