19 de Agosto de 2002
No ano 2032, haverá
no planeta mais 2 bilhons de pessoas para alimentar e se nom forem adoptadas
medidas urgentes, a escassez de água afectará mais de metade
da populaçom mundial e estariam extintos centenas de aves e mamíferos,
afirma o Programa das Naçons Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Num relatório preparado
com colaboraçom de mais de mil especialistas, a citada agência
pediu à comunidade internacional medidas para evitar que 70% da superfície
da Terra seja atingida por desastres nos próximos 30 anos. Tal situaçom
nos adverte que o mundo tem em frente umha encruzilhada, ao ponto de que as
geraçons futuras dependem das decisons que forem adoptadas agora acerca
das florestas, oceanos, rios, montanhas e outros sistemas decisivos para a
fauna e a flora silvestre.
Este será um dos
temas centrais a ser discutido na Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável,
a realizar-se em Joanesburgo, de 26 de Agosto a 4 de Setembro. A ONU convocou
o evento para avaliar o cumprimento dos objectivos estabelecidos em 1992 na
reuniom do Rio de Janeiro, cujos acordos fôrom assinados por inúmeros
presidentes, chefes de Estado e outras personalidades.
Apesar de que se constatam
avanços quanto à protecçom ambiental desde a Cimeira
Mundial da Terra do Rio de Janeiro, a deterioraçom dos recursos naturais
se acentua, por isso os especialistas consideram que falta muito para deter
essa degradaçom. A revista científica norte-americana Science
adverte que a rápida reduçom das populaçom de mamíferos
determina que espécies ainda nom desaparecidas já perdêrom
umha parte substancial de exemplares e podem ser consideradas funcionalmente
extintas.
Os biólogos tenhem
comprovado que a actividade humana do último século conduz a
fauna e a flora do planeta a umha crise generalizada de extinçom conhecida
como a "sexta onda", em relaçom com as cinco fases de extinçom
de espécies desde que apareceu a vida na Terra.
Realmente, os princípios
aprovados na importante reuniom do Rio ainda tenhem pouca aplicaçom.
O mais importante é o que determina as responsabilidades comuns, mas
diferenciadas, que os Estados Unidos rechaçam, especialmente o caso
do Protocolo de Kyoto, acordo referente ao estabelecimento de metas para a
reduçom da emissom de gases poluentes, causadores do aquecimento do
Planeta.
Afirma o biólogo
canadense Joseph Wright que os Estados Unidos som responsáveis por
33% da emissom de dióxido de carbono que polui a atmosfera. Trata-se
de um gás que aumenta a temperatura e pom em perigo a vida das florestas
dos quais 50% estám desflorestadas.
A resistência dos
países industrializados, encabeçados pelos Estados Unidos impede
o consenso em pontos chaves que estarám em discussom em Joanesburgo.
Som principalmente os vinculados com o financiamento do desenvolvimento sustentável.
As naçons pobres reclamam o cumprimento dos compromissos assumidos
na Cimeira do Rio, quando se estabeleceu que o Norte dedicaria polo menos
0,7% de seu PIB para a ajuda ao desenvolvimento. Contodo, em 1992, a contribuiçom
era de 0,33% do PIB dos países ricos e, em lugar de aumentar, baixou
a 0,22%.
Nom é menos certo
que o processo em defesa do meio ambiente inclui outros como os relacionados
com a reduçom da pobreza sofrida por 800 milhons de pessoas, E entre
elas, os habitantes de 31 países da África, América Latina
e o Caribe que sofrem graves penúrias alimentares e problemas com o
abastecimento de água.
A maioria dos cientistas
concorda que as águas do nosso planeta estám em grave perigo
em conseqüência de actividades humanas que as levam ao limite de
sua resistência natural. Este é o caso das espécies mais
valiosas que som exploradas intensamente, ao que se somam os danos aos corais
e outros recursos dos mares.
Também será
tema de debate a globalizaçom que agrava os danos ambientais, ao provocar
o crescimento das exportaçom baseadas nos recursos naturais, tais como
produtos agrícolas, florestais e mineiros que, pouco a pouco, som dinámicos
no comércio internacional.
Ponhamos como exemplo
a América Latina e as Caraíbas, que vendem somente dous dos
20 produtos de maior volume nas exportaçons mundiais, segundo afirma
o brasileiro Rubens Recupero, secretário geral da Conferência
das Naçons Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Este especialista solicita que se corrijam as falhas do mercado para frear
a destruiçom da natureza. Assinala a respeito que os preços
induzem a derrubar florestas para vender a madeira ou para semear a terra
em lugar de aproveitar de maneira sustentável sua biodiversidade, que
no momento tem preços muito baixos.
Por outro lado, os subsídios agrícolas nos países do
Norte constituem um factor de deterioraçom ambiental ao prejudicar
os países em desenvolvimento e obrigá-los a realizar culturas
menos sustentáveis.
A partir de 1992, quando
se celebrou a Primeira Conferência Ambiental, em Estocolmo, Suécia,
houvo avanços quanto à preocupaçom sobre os problemas
do ambiente. Mas, em contraposiçom, crescêrom os factores de
insustentabilidade, em primeiro lugar os índices de consumo nos países
industrializados, enquanto aumentava a pobreza.
Como exemplo, os pesquisadores
apontam que toda a produçom de petróleo do mundo nom seria suficiente
para a China se a sua populaçom de 1,2 bilhons de habitantes consumisse
a mesma quantidade per capita que os Estados Unidos.
Nos 30 anos transcorridos
até a Cimeira de Joanesburgo, crescêrom a emissom de dióxido
de carbono, a desertificaçom, a erosom dos solos e o número
de espécies em extinçom.
Seria interessante perguntar se na capital sul-africana se dará releváncia só ao ambiente ou só ao desenvolvimento e quais governos estarám realmente interessados nesses assuntos, levando em conta que a preservaçom dos recursos naturais é determinante para garantir o sustento e a saúde dos pobres.