OS ESTADOS UNIDOS MILITARIZAM O LABOR REPRESSIVO INTERIOR

17 de Julho de 2002

O presidente George W. Bush apresentou ontem um suposto novo plano antiterrorismo para os Estados Unidos, que inclui o uso mais agressivo de militares em território norte-americano, um esquema secreto de protecçom à infra-estrutura e umha activa vigiláncia nas fronteiras, sobre os 500 milhons de pessoas que entram no país a cada ano.Bush, que vem perdendo popularidade devido aos escándalos na economia e à queda nas bolsas, voltou a enfatizar a luita contra o que chama "terrorismo" dizendo que "é a nossa mais urgente prioridade nacional".

Segundo o instituto de pesquisa Zogby America, a popularidade do presidente recuou seis pontos durante o mês de Julho, caindo para 62%, quando logo após os atentados de 11 de Setembro chegou a 74%.

"Claras responsabilidades" para todos

A proposta do presidente inclui a criaçom de um plano ultra-secreto de protecçom à infraestrutura do país, além da possibilidade de militares actuarem mais agressivamente em território nacional. Segundo o presidente, o projecto estabelece "claras linhas de autoridade e claras responsabilidades para os trabalhadores federais, governadores, alcaldes, comunidades, líderes trabalhistas e todos os cidadaos norte-americanos".

Para o "The Wall Street Journal", essa é umha mudança importante, já que repetidas vezes membros do Pentágono negárom a intençom de remover o "Posse Comitatus Act", de 1878, que fai altas restriçons à participaçom militar para conter ameaças domésticas. O próprio Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, dixo que nom havia intençom de alterar o "Posse Comitatus".

O conselheiro do presidente para segurança doméstica, Tom Ridge, trabalhou no plano por mais de oito meses. A proposta vem depois de Bush ser muito criticado polos democratas, primeiro por ter resistido durante meses à proposta de criaçom de um ministério da segurança interna, e depois por ter encampado a ideia sem desenvolver umha estratégia para guiar a acçom da nova agência.

Numha carta que acompanhou o projecto, Bush afirmou que os governos Federal, Estaduais e Municipais, além de empresas privadas, tenhem que dividir a responsabilidade - e o custo anual de 100 bilhons de dólares - do combate ao que ele chamou a maior ameaça aos EUA neste século. Ou seja, nem todo o dinheiro para a aplicaçom do plano viria do orçamento federal.

As medidas

Entre as principais medidas da proposta do presidente estám:

- Criaçom de umha divisom de inteligência contra ameaças, que contará com o que o plano chama de "red teams" de especialistas em inteligência. Essas equipas agiriam como terroristas e simulariam ataques a pontos vulneráveis em todo o país.

- Aumentar a inspecçom nos contentores internacionais, antes de eles saírem dos portos estrangeiros e nas fronteiras com os EUA.

- Garantir que as agências do governo consigam se comunicar umhas com as outras.

- Estabelecer novos parámetros para licenças de motorista.

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