NÓS-UP analisa os resultados eleitorais de 1 de Março de 2009

4 de Março de 2009

Três dias depois da jornada eleitoral do passado domingo, NÓS-Unidade Popular difunde a sua análise dos resultados, que supugérom a volta do Partido Popular ao governo autonómico com maioria absoluta, a queda do PSOE e do BNG em dezenas de milhares de votos e a incapacidade das candidaturas independentistas para avançar em número de votos.

A Direcçom Nacional de NÓS-UP reconhece esse facto, atribuindo-o a vários factores, nomeadamente a falta de unidade, a tendência ao mal chamado voto útil e o cerco mediático às opçons soberanistas e anticapitalistas.

Sobre os resultados eleitorais de 1 de Março de 2009

1- NÓS-Unidade Popular avalia negativamente os resultados das eleiçons autonómicas de 1 de Março.

As adversas condiçons em que apresentamos candidatura, concretizada na incapacidade para vertebrar umha única proposta de esquerda independentista, e o desenvolvimento da campanha implementada sem os mínimos meios e recursos económicos, com a permanente censura do conjunto dos meios de comunicaçom que nos condenárom ao mais absoluto ostracismo, contribuem para explicar a queda de de votos e a incapacidade para lograr o apoio de certos sectores desencantados com a política continuísta do bipartido.

A perda de apoios em relaçom a 2005 nom só pola nossa candidatura, mas também e em similar proporçom pola outra que se apresentava em paralalelo, com um programa semelhante e dirigida ao mesmo sector de populaçom, pode explicar-se em parte como castigo à falta de umha única candidatura. Apesar da nossa vontade unitária, em NÓS-Unidade Popular reconhecemos a parte de responsabilidade que poda corresponder-nos nessa injustificável divisom.

Também as suicidas tendências ao mal denominado voto útil promovidas polo aparelho de propaganda do BNG e PSOE contribuírom para quebrar a modesta tendência iniciada em 2005 de contribuir a reafirmar um espaço eleitoral específico da esquerda independentista.

Reconhecemos que nesta ocasiom nom atingimos o principal objectivo de incrementar apoio nas urnas. Que continuamos a ser incapazes de traduzir em apoio eleitoral umha intervençom sociopolítica continuada que de maneira intermitente, mas tangível, atinge referencialidade e amplas simpatias e apoio popular.

2- Para podermos avaliar as causas que provocárom a contundente recuperaçom do governo da Junta da Galiza polo PP nom podemos esquecer que PSOE e BNG nestes quatro anos incumprírom obscenamente o acordo de governo e as promessas, e tam só reproduzírom com arrogáncia as receitas neoliberais e regionalistas do fraguismo provocando a decepçom e o desencanto entre os sectores mais dinámicos da nossa naçom e da nossa classe. Em Sam Caetano mudárom os gestores mas nom as políticas, atraiçoando a inequívoca vontade de mudança que reclamavam e desejavam amplos sectores populares.

3- A vitória sem paliativos do PP nom se traduz no aparente ligeiro incremento de 3 mil votos pois o censo deste processo era inferior em 300 mil pessoas a respeito de 2005, e embora a participaçom percentual fosse superior a todos os processos autonómicos prévios, 50 mil galegas e galegos menos optárom por nom participar.

Para manter os mais de 760 mil sufrágios, o PP recuperou milhares de apoios entre novos votantes equilibrando assim a reduçom do censo e da abstençom. A sua maquinaria propagandística logrou umha enorme eficácia entre amplos sectores populares urbanos denunciando demagogicamente a prepotência e o esbanjamento de recursos que caracterizou o governo de Tourinho e Quintana. Frente a esta situaçom, as forças do bipartido optárom polo silêncio, pola moderaçom, desconsiderando ou relativizando os efeitos da campanha do PP.

De facto, umha das mais palpáveis expressons do facto diferencial galego desenvolveu-se durante esta campanha eleitoral.

O aparelho de propaganda do PSOE empregou a sua influência e controlo do aparelho estatal para lançar um ataque mediático, político, policial e judicial sem precedentes contra o partido de Mariano Rajói, implicando a altos dirigente e quadros do PP na corrupçom generalizada que caracteriza e define o sistema político espanhol continuador do franquismo. Esta ofensiva estava mediatizada polas eleiçons autonómicas galegas e bascas. Mas, contrariamente aos prognósticos dos estrategas de Ferraz e a Moncloa, aqui nom tivo nengumha influência o que se passa em Madrid e Valência.

Enquanto PSOE e BNG optárom por esquecer que o candidato do PP por Ourense tivo que ser cessado por nom declarar milionárias quantidades de dinheiro em paraísos fiscais caribenhos, seguiam absurdamente a denunciar a corrupçom do governo de Esperanza Aguirre e Camps, como se aqui nom houvesse vetas suficientes onde furar!

Tivérom quatro anos para abrir umha auditoria aos 16 anos de fraguismo e desmontar boa parte da sua poderosa estrutura caciquista, mas nom quigérom fazê-lo. Tivérom quatro anos para comprovar a contabilidade da gestom de Feijó como vice-presidente da Junta no último governo Fraga, mas nom se atrevêrom.

A existência de umha dinámica política própria, embora adversa aos nossos intereses na actual conjuntura, é mais umha mostra dos factores objectivos que condicionam a nossa realidade nacional.

4- Os mais de 115 mil votos que perdêrom PSOE e BNG distribuírom-se entre novas opçons, o ligeiro incremento da esquerda reformista espanhola e no importante aumento do voto branco e o nulo: mais de 14 mil a respeito de 2005.

Quatro anos de continuísmo, de desprezo das demandas populares dos sectores mais avançados, de timoratas políticas e gestos com a Galiza mais conservadora tivérom como conseqüência este novo cenário que fecha um parêntese e recupera o ciclo político aberto em 1989. Eles e só eles cavárom passeninhamente o seu túmulo. Compete pois única e exclusivamente a eles as responsabilidade pola volta do PP ao governo autonómico.

5- A confirmaçom da UpyD como quarta força política da Comunidade Autónoma nom nos surpreende. O partido de Rosa Diaz conta com o apoio de um sector do grande capital e dos meios de comunicaçom. É umha peça essencial da estratégia espanholista de implantar entre sectores das classes médias urbanas um beligerante projecto político nacionalista espanhol sem complexos nem limites na hora de combater e erradicar as reivindicaçons das naçons oprimidas.

6- Mas nom convertamos num drama insuperável a nova maioria do parlamentinho do Hórreo. A história mais recente deste país e da nossa classe demonstrou que é nas situaçons mais adversas e complexas quando este povo é capaz de questionar os mitos fatalistas, as patologias racistas de mansidom, submissom e conservadorismo, construídas e difundidas polo espanholismo e assumidas acriticamente polos sectores mais alienados deste povo.

Os anos vindouros vam ser indiscutivelmente convulsos, de contínuas agressons contra a classe trabalhadora, especialmente contra os sectores mais frágeis: juventude, mulheres e pessoas reformadas, mas também contra o projecto nacional galego.

O PP vai ter que fazer frente aos efeitos mais letais da crise capitalista, mas para impor o seu programa de governo vai ter que derrotar na rua a resistência operária, juvenil e dos movimentos sociais que vam, que vamos defender o nosso idioma, as nossas conquistas laborais e democráticas, que nom vamos permitir mais retrocesos nas liberdades e direitos, que nom vamos tolerar mais medidas assimiladoras contra esta Naçom.

7- Contrariamente a qualquer tentaçom de regenerar o apodrecido autonomismo com base na mudança de líder, este panorama de grandes luitas tem que ir acompanhado por um processo simultáneo de recomposiçom da esquerda independentista e socialista galega para superar a suicida fragmentaçom que arrastamos, possibilitando assim podermo-nos dotar do imprescindível instrumento de representaçom e combate popular que a classe trabalhadora e a Galiza necessita.

NÓS-Unidade popular umha vez mais volta a manifestar a sua plena disponibilidade a gerar as condiçons que facilitem a recomposiçom do independentismo anticapitalista.

A luita por umha Galiza livre, socialista e nom patriarcal continua!

Antes mort@s que escrav@s!

Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

Galiza, 4 de Março de 2009

 

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