Importante contestaçom social às touradas espanholas em Ponte Vedra

11 de Agosto de 2008

Mais de 300 pessoas, convocadas pola Plataforma Ponte Vedra Antitaurina e apoiadas por outras entidades, percorrêrom as ruas do centro de Ponte Vedra, para manifestar o rechaço do povo pontevedrês às torturas contra os animais, um espectáculo alheio à Galiza e de claro conteúdo assimilista espanhol.

A manifestaçom, que partiu da praça da Peregrina às 19 horas do passado sábado, coincidiu com o degradante espectáculo espanhol que cada Verao é organizado polo sector mais reaccionário da cidade, com o injustificável apoio da equipa de governo local (BNG e PSOE) e da Deputaçom de Ponte Vedra (PP).

A importante participaçom no protesto serviu para denunciar "a festa do fascismo", reclamar que a Galiza fique à margem desse macabro festejo e para apontar as responsabilidades institucionais, com destaque para o bipartido que governa Ponte Vedra, com presidente da Cámara do BNG. O governo local financia e promociona directamente a festa da extrema-direita localista e espanholista de Ponte Vedra.

A seguir, reproduzimos na íntegra o manifesto difundido pola entidade convocante, Ponte Vedra Antitaurina:

Manifesto PONTEVEDRA ÀNTI-TAURINA

Pontualmente e como todos os anos desde a imposiçom das touradas na nossa cidade começou a “Feria Taurina” , umha lamentável exaltaçom da violência, à roda desta festa da tortura. Milhares de pontevedreses/as vivem estes dias como um mal inevitável, que se aguarda passe rápido enquanto se suporta com estoicidade. As celebraçons espontáneas do povo nas ruas convivem com esta triste apología da barbárie, com umha expanssom planificada e financiada polo empresariado espanhol, e acelerada há poucos anos.

Mas até aqui chegamos. O dinamismo popular esnaquiçou a pretensom por associar as festas com as touradas, de tal forma que a imensa maioria da mocidade rejeita participar deste bárbaro espectáculo nestes dias. Um grupo de colectivos e pessoas decidimos este ano começar a luita para que as touradas passem a ser um mal recordo do passado mais obscuro de Ponte Vedra. Opomo-nos a que a nossa cidade seja sede para a realizaçom deste simulacro de volta ao Regime para nostálgicos amantes das torturas legalizadas e fazemo-lo por diversas razons:

1) Como ecologistas comprometid@s com a defesa do meio, denunciamos o trato cruel e desumano que os touros recebem no transcurso desta mal-chamada festa. Durante o percurso da mesma, o touro é desgarrado, mutilado e torturado de diversas formas tentando fazer passar como valentia a crueldade e a violência contra os animais, num alarde de cinismo hipócrita.

2) Opomo-nos radicalmente a esta festa por estar indisoluvelmente ligada ao fascismo. Se bem é evidente que nom nasceu com o golpe de estado do 36, lembremos como é que era chamada durante a Ditadura franquista: “La Fiesta Nacional”. Também como o regime favoreceu a impossiçom desta “tradición castiza” no nosso país, com um fracasso estrepitoso. Ao mesmo tempo, a composiçom ideológica dos sectores que assistem normalmente a estes actos nom mudou em grande medida: Segue a ser o ponto de encontro da direita espanholista, a sua festa estrela do ano, com todos os matizes que se queiram.

3) Constitui umha “festa” imposta, espanholizante, alheia à nossa cultura. Apesar dos innumeráveis intentos por introduzir as touradas como parte da imposiçom da cultura espanhola, tam só existe umha praça no nosso país, propriedade dumha empresa madrilenha. A populaçom galega declara-se em 80% alheia às touradas, tal e como amostram os inquéritos, e o fracasso continuado das touradas itinerantes no último século evidencia a total oposiçom a esta apologia do martírio animal.

4) As touradas som umha festa marcadamente machista, como se pode analisar na figura do toureiro (em 99% dos casos sempre homem), quem sai teoricamente para demonstrar o seu valor perante um animal mui perigoso, apresentando-se como o cúmio da galhardia e da chularia, como o epítome do macho ibérico. Com certeza, a plataforma nom defende a igualdade de sexos na hora de protagonizar esta festa macabra, mas a sua completa erradicaçom.

Por todo isto, Ponte Vedra Anti-taurina fai um chamado ao conjunto das forças sociais conscientes desta cidade para mobilizar-nos em contra deste vergonhoso show, para atingirmos a seguinte tabela de vindicaçons perante as diferentes administraçons:

Deputaçom de Ponte Vedra

- Denunciamos a cumplicidade da Deputaçom de Ponte Vedra com estas festas, sendo a principal acredora de cartos públicos a umha iniciativa privada e brutal como som as touradas. Nom é tolerável que semelhantes práticas sejam subvencionadas com quartos de tod@s nós , no lugar de ser investidas noutras iniciativas sociais e culturais de necessidade.
Concelho de Ponte Vedra

- Declaraçom de Ponte Vedra como “Cidade Anti-taurina”, e “Amiga dos Animais” deixando claro que a celebraçom destes eventos nom está bem vista.

- Cessamento imediato de quaisquer colaboraçom com a empresa proprietária da praça , “Plazas y Toros S.L.” , assim como das posíveis ajudas públicas, sejam directas ou indirectas para com ela.

- Estudar e promover a expropriaçom e reconversom da Praça de Touros num Coliseu para actuaçons e espectáculos exclusivamente culturais e musicais, capazes de atrair um turismo de qualidade e alternativo ao actual efecto-ímam que cada Verao atrai à nossa cidade um turista irrespeitoso com a cultura do país.

- Completa supressom das touradas como reclamo turístico. Nem nas páginas web, nem nos pontos de turismo, nem nas publicaçons do concelho.

- Erradicaçom do uso de espaços públicos para a promoçom das touradas. Nengum outro evento do ano tem tanta presença na rua como este, e sem dúvida nom é de recibo que umha iniciativa privada empregue os espaços públicos de forma indiscriminada, sobretodo quando é umha grande difusora de valores como a violência contra os animais, o machismo e o espanholismo.

- Instar a Junta de Galiza a aprovar umha Lei de Protecçom Animal que proibirá de forma explícita as touradas e todos aqueles espectáculos onde se produzir a morte ou tortura de animais.

Parlamento e Junta de Galiza:

- Aprovar umha “Lei de Protecçom Animal” que cumpra o anterior, de facto já recolhido na legislaçom europeia e na carta universal dos direitos dos animais.

Por todo isto, animamos-vos a tod@s a participar em todas as actividades que podamos levar adiante nas próximas semanas a partir do dinamismo popular. Esta vergonha tem que rematar já!

STOP TOURADAS!!!

 

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