O temporal e os 'eficientes' serviços privados

26 de Janeiro de 2009

Quantas vezes temos ouvido que os serviços de titularidade pública som ineficazes por definiçom, que as privatizaçons garantem concorrência e, com ela, a máxima eficiência? Naturalmente, também temos muitos exemplos práticos dessa falácia, desde a educaçom privada a chuchar recursos públicos enquanto discrimina por razom de religiom ou de extracçom social, até as clínicas privadas a poupar em tratamentos ou desviar para as públicas os casos mais "complicados".

Também qualquer um ou qualquer umha das nossas leitoras poderá contar casos sobre a pirataria e os roubos à clientela por parte das empresas de telefonia, após a privatizaçom neoliberal da companhia telefónica. Aquela privatizaçom, lembremos, que ia dinamizar e melhorar o serviço, deixando-o mais barato graças, mais umha vez, à santa concorrência.

Agora, com o temporal que nos últimos dias passou polo nosso país, causando importantes prejuízos e até algumhas mortes, assistimos a mais um exemplo dos limites da sociedade montada sobre o todo-poderoso mercado. As privatizadas empresas eléctricas, afectadas polas inegáveis inclemências do tempo, vem-se abocadas a manter sem serviço, passados dous dias, mais de 200.000 galegos e galegas, segundo reconhecem os mesmos meios de comunicaçom que clamam por novas privatizaçons de todo o privatizável.

De pouco serve o carácter excedentário da produçom de energia eléctrica na Galiza. Além de pagarmos tanto como pagam os utentes dos países deficitários que compram essa energia, e de vermos como os lucros por essa actividade nom só vam para umha minoria, mas também para sedes fiscais fora da nossa naçom, agora vemos que as grandes multinacionais que exploram a energia eléctrica galega som incapazes de responder ao primeiro contratempo sério.

Grandes empresas espoliadoras da nossa riqueza energética, como Unión Fenosa, Endesa, Iberdrola... demonstram que garantir serviço às pessoas que pagam as suas elevadas tarifas nom é a prioridade. O importante é, como sempre na economia capitalista de mercado, o maior lucro económico ao menor custo.

 

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