Mesa e BNG: quando rectificar é de... hipócritas

11 de Fevereiro de 2009

Episódios de intenso confronto nacional e de classe, como o do passado domingo, tenhem a virtude de retratar todos os agentes sociais e políticos existentes no País.

Os primeiros retratados, e literalmente, fôrom as militantes e simpatizantes da causa da língua, incluída de maneira significativa a nossa esquerda independentista. Os jornais e televisons mostram quem estava nas ruas, enfrentando cara a cara o fascismo sem escusas nem silêncios, levando paus e nalguns casos sendo detidas.

Ao mesmo tempo, outros sectores, que ainda dim ser nacionalistas, nem aparecêrom, nem eram esperados.

Talvez o mais digno de desprezo nesse campo dos ex-nacionalistas tenha sido o papel desempenhado polo BNG e o seu campo de influência, incluídas entidades satélites como a Mesa pola Normalizaçom ou Galiza Nova. Um papel a que já nos vam tendo afeitos e afeitas, diga-se todo.

O BNG levava semanas, desde que se soubo do desafio lançado polos bilingüistas e a extrema-direita, mais preocupado com nom perder votinhos no 1 de Março a base de mentir sobre os últimos quatro anos de neoliberalismo bipartido e, sobretodo, sobre os próximos que vam vir. Haverá que referir, no que di respeito ao Bloque, a excepçom do seu ex-porta-voz, Xosé Manuel Beiras, que sim soubo estar onde havia que estar, participando na mobilizaçom solidária com os detidos.

Depois da luita nas ruas, da repressom, dos maus tratos policiais e das detençons arbitrárias, o silêncio vergonhoso dos ex-nacionalistas continuou durante algumhas horas, até que o seu apêndice para assuntos lingüísticos, a Mesa, mandou um exitoso fax aos meios, que lhe deu um protagonismo inaudito, para condenar os violentos independentista e "esquecer-se" de que eram eles, éramos nós, os feridos, hospitalizados e vexados pola polícia espanhola.

A seguir, o próprio Quintana aderiu a esse espectáculo de conversos, chamando "vándalos" aos que defendem a língua da maneira que a sua formaçom política a defendia no passado. Agora, Quintana e os seus limitam-se a reconhecer a sua satisfaçom polo bem que os filhos lhes falam espanhol, e a reclamar, isso sim, o direito de "Galicia Bilingüe" a manifestar-se.

Rectificar é de... hipócritas

Se nas primeiras horas coalhou um discurso mediático de criminalizaçom do movimento popular pola língua, com o passar das horas os documentos gráficos a circular na Internet deixárom mais do que demonstrado quem foi agredido e as atitudes galegófobas e ultra-violentas da polícia espanhola, para já nom falarmos dos vivas a Franco e os apelos à ditadura de Pinochet por parte dos "democratas" de "Galicia Bilingüe".

Daí que o porta-voz do BNG na Mesa, Carlos Calhom, saísse ao palco mediático para rectificar, nem que fosse parcialmente, as suas declaraçons anteriores. De repente, lembrou-se de que houvo malheiras a manifestantes, que incluso os e as que faziam paródias e crítica "inteligente" eram insultadas, identificadas e assediadas polos fardados espanhóis. Por isso, Calhom, seguindo a directriz correspondente do seu partido, modulou o discurso, tentando aplicar com maior inteligência o manual do colaborador contra-insurgente: focalizando as críticas nos maus de sempre, os "violentos" que nom deixamos que a Falange, o PP e Rosa Díez passeassem o seu ódio polas ruas do nosso país. Também criticou, nesta rectificaçom parcial e hipócrita, que os polícias assediassem as pessoas que viam falando galego pola rua.

Da mesma forma se manifestou a organizaçom juvenil do BNG, que no dia 8 tampouco estivo nem era esperada nas ruas compostelanas. Além de condenar firmemente a contramanifestaçom pola língua, lembrou-se "solidariamente" dos que protestárom "pacificamente", nomeadamente aqueles e aquelas que, sendo militantes de Galiza Nova, nom pudérom exercer de tais sob pena de sofrerem repressom também no interior da própria entidade juvenil do BNG.

Resumindo: os ex-nacionalistas do BNG, da Mesa e de Galiza Nova nom estivérom nas ruas defendendo o idioma no passado dia 8... mas agora maçam-nos com as suas consideraçons "responsáveis", para que ninguém duvide que som "pessoas de ordem" dispostas a condenar o que haja que condenar.

Quando há balbordo mediático, tenhem que estar aí, à espera de que o conto se esqueça e podam voltar a centrar-se, o antes possível, no verdadeiramente importante: a sua campanha eleitoral.

 

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