Causa Galiza confirma a sua potencialidade aglutinadora da esquerda soberanista

26 de Julho de 2008

Um novo 25 de Julho voltou a demonstrar umha evidência cada vez mais incontestável: só a unidade das diferentes correntes do soberanismo galego de esquerda permite aglutinar o significativo sector social do nosso povo farto dos enganos dos partidos do sistema e das agressons do capital contra o trabalho.

A manifestaçom deste ano contou com adesons internacionais de Euskal Herria (Batasuna), Països Cataláns (Endavant e MDT), Portugal (PO), Bretanha (Emgann) e América Latina (CCB), além das bandeiras castelhanas presentes, numha manifestaçom que percorreu o centro de Compostela e concluiu na praça do Toural entre palavras de ordem autodeterministas e independentistas.

Ali, porta-vozes de Causa Galiza dirigírom-se às pessoas concentradas, salientando a necessidade de umha resposta unitária à crise capitalista e às agressons à Galiza e ao seu povo trabalhador. Umha vez concluído o acto político, foi queimada umha bandeira espanhola entre aplausos.

As instituiçons espanholas aproveitárom o 25 de Julho para, mais umha vez, tentar desnaturalizar o seu significado. A presença militar e política espanhola foi acompanhada de violência policia nas ruas da nossa capital

Análise de urgência de um 25 de Julho pola soberania nacional

É certo que ainda nom se atingiu o número de manifestantes autodeterministas de fins do século passado, quando a unidade de acçom das correntes independentistas da altura convocou as maiores manifestaçons da última década. Porém, o momento actual oferece mais oportunidades para articular o movimento soberanista e anticapitalista que a Galiza precisa.

O significativo da manifestaçom autodeterminista de ontem nom foi, portanto, o aumento no número de manifestantes em relaçom aos últimos anos, que nom se produziu. O substantivo da convocatória deste ano foi o alargamento da presença de pessoas independentes adscritas a sectores nunca antes, ou só há muitos anos, representados nas manifestaçons independentistas.

Mais base social tradicionalmente adscrita ao nacionalismo transmutado em autonomismo está a abandonar a procissom institucionalista do BNG e a aderir ao movimento unitário pola autodeterminaçom. Achamos que há duas liçons a tirarmos da convocatória deste ano:

- apesar da estabilizaçom no número de participantes, a composiçom é cada vez mais plural, em conseqüência do descrédito da política abertamente autonomista e neoliberal do BNG entre umha parte das suas bases;

- a imprescindível adesom de mais sectores e pessoas e o necessário aumento numérico (que neste ano nom se deu) só se verificarám se as correntes actualmente adscritas a Causa Galiza mantiverem a aposta unitária, transmitirem um maior crédito e compromisso, e a alargarem a mais iniciativas, reflectindo seriedade e umha perspectiva estratégica à aliança;

Seria, portanto, umha grave irresponsabilidade que qualquer das correntes que integramos Causa Galiza frustrasse, mais umha vez, umha confluência mais necessária e possível do que nunca. Umha confluência compatível com as visons e actuaçons particulares de cada umha das partes envolvidas num processo que deve ir além dos interesses de uns e outras.

O futuro imediato vai confrontar-nos com desafios que vam obrigar-nos a responder em chave de país e de classe... ou deixaremos escapar mais umha oportunidade de ocupar o espaço sociopolítico do soberanismo galego e de esquerda.

Véspera com protagonismo juvenil

No dia 24 de Julho, como vem sendo tradicional, a juventude independentista protagonizou os actos patrióticos que antecedem a manifestaçom do 25.

Após umha cadeia humana convocada por CEIVAR na praça da Galiza, BRIGA apresentou como novidade umha manifestaçom própria, a partir da impossibilidade de realizar umha marcha unitária. A manifestaçom de BRIGA foi rodeada por completo por elementos da polícia espanhola, que chegárom a tentar de impedir o acesso à praça da Galiza, vivendo-se momentos de tensom. Finalmente, a manifestaçom concluiu sem cargas. AMI realizou também a sua tradicional 'rondalha', que foi atacada pola polícia espanhola logo no início.

Apesar da chuva, as manifestaçons tivérom umha importante participaçom, tal como o concerto que se seguiu, organizado por BRIGA, no parque de Belvis, que se prolongou até altas horas da noite.

 

 

Voltar à página principal