Retórica e realidade: a UPG e o exemplo da Cidade da Cultura

18 de Novembro de 2008

Com motivo do congresso da autonomista Unión do Povo Galego (UPG), esse partido maioritário no seio do BNG alçou a voz, em declaraçons do seu secretário-geral aos meios de comunicaçom, contra a privatizaçom da Cidade da Cultura. Francisco Rodrigues também falou do carácter marxista do seu partido e até afirmou que comungam com "alguns" princípios leninistas.

Lástima que as grandes palavras fiquem só nisso, e a prática política entre congressos nom corresponda em absoluto com a palavrada congressual. Chega com ver a composiçom desse partido, maioritariamente formado por homens de mediana idade que dependem de postos funcionariais no BNG, na CIG e outras entidades satélites, bem como na própria Administraçom pública, com decrescente introduçom e influência operária, para compreender que a retórica fica em só isso.

Composiçom de classe, composiçom de género

O mesmo pode dizer-se do máximo organismo de direcçom da UPG, formado por três quartas partes de homens (a paridade nom é com eles!) e com umha composiçom funcionarial mui maioritária (entre funcionários públicos e funcionários políticos ou liberados, entenda-se), completada com parentes e dirigentes que, nalguns casos, simplesmente, nunca passárom polo mercado laboral. A UPG é um partido seica comunista formado nos seus organismos de direcçom por cada vez menos trabalhadores e, sobretodo, menos trabalhadoras.

Porém, além do argumento material da composiçom social do organismo de direcçom, o exemplo colocado no início, o da Cidade da Cultura, é bem indicativo da enorme distáncia entre o que este partido di e o que fai. Com efeito, neste portal temos denunciado já em repetidas ocasions a deriva do BNG no referente à Cidade da Cultura. Do rejeitamento aberto por parte da corrente maioritária -UPG- quando Fraga dirigia as obras, passou-se à aceitaçom do projecto, mudando o discurso para reivindicar "conteúdos galegos" para o mastodôntico mausoleu fraguiano, coincidindo objectivamente, no fundamental, com o PSOE e com o PP.

No entanto, o "realismo" da integraçom institucional levou o BNG a assumir primeiro e promover depois, da mao do PSOE de Tourinho, a cessom da faraónica cidade a maos privadas, prévio financiamento público do projecto. A Cidade da Cultura constitui, com efeito, o melhor exemplo dos mecanismo de funcionamento do capitalismo neoliberal: as instituiçons públicas investem e arriscam para que as grandes empresas e entidades financeiras levem o lucro, via privatizaçom.

É verdade que a conselheira responsável pola privatizaçom, Ángela Bugalho, nom pertence à UPG. No entanto, sim pertence à direcçom desse partido um dos mais entusiastas apoiantes do actual projecto Cidade da Cultura: o compostelano Néstor Rego.

As palavras e os factos

Há mais exemplos desse princípio reitor do capitalismo em que já se integrárom os "gestores" do BNG. Assim, o conselheiro da Indústria e dirigente da UPG, Fernando Branco, colocou nesta mesma legislatura sobre a mesa umha proposta de privatizaçom dos estaleiros trasanqueses. Isso sim, para os entregar nas "eficientes" e "galegas" maos de Barreras.

Isso que tanto tinha criticado, com razom, o BNG desde 1982, e que, por inércia, a UPG continua a repetir nos seus congressos, é já nom só prática habitual, mas parte definitória da sua política, como reconhece, com menos retórica pseudocomunista, Anxo Quintana, que se limitou a explicar a privatizaçom da Cidade da Cultura afirmando que é "um assunto resolvido".

Polo contrário, a UPG, tam privatizadora como Quintana e Tourinho, tem mais problemas na hora de assumir-se como o que é: um partido mais na feira das mentiras neoliberal. Se nom for suficiente com comprovar o teor real das suas políticas nas instituiçons que governa, a composiçom de classe -e de género- da sua direcçom é o melhor retrato de aquilo em que, sobretodo na última década, se tem convertido esta Unión do Povo Galego.

 

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