À grande burguesia viguesa estorva-lhe o galego

Jesús Bahíllo e Jaime Borrás, gerente e presidente do pró-espanhol Club Financiero Vigo

2 de Setembro de 2008

A organizaçom de empresários 'Club Financiero Vigo' (CFV) publicou um folheto intitulado 'Política lingüística: umha visom empresarial', dedicado a atacar as possibilidades de umha galeguizaçom efectiva por parte das instituiçons públicas, em nome de 'argumentos' como "a reduçom de custos de transacçom" e defendendo o uso do espanhol como "elemento potenciador de um clima que facilita a negociaçom".

Apelando ao valor "macroeconómico" da língua do Estado, que fixam em 15% do PIB, os empresários do CFV consideram que "quantos mais falantes tiver umha determinada língua, maior será o seu valor e a sua utilidade", pondo como exemplos ao longo da história o grego, o latim, o árabe e o inglês. Nessa concepçom filo-imperial, e na ignoráncia da projecçom internacional do galego-português, convertem a nossa língua num "património histórico e cultural" semelhante aos restos dos vasos campaniformes, digna, como os restos pré-históricos, de cuidados de conservaçom nas melhores condiçons possíveis... de um museu.

Disque o espanhol já nom se estuda na Galiza. Quem o diria!

Em paralelo, associam o galego com supostas "posiçons radicais" e "sectárias", que subsistem graças ao "referendo oficial", o que se reflectiria, segundo os representantes da burguesia empresarial viguesa, numhas "praticamente nulas possibilidades de escolarizaçom em espanhol para os nenos de Ensino Primário" na Galiza actual (SIC), acrescentando que "algo semelhante acontece nos níveis secundário e de bacharelato", em centros "públicos, concertados ou privados" (SIC).

A única explicaçom para semelhante distorsom da realidade que encontramos é que os empresários vigueses provavelmente tenham os filhos e as filhas a estudar nos Estados Unidos e desconheçam, por isso, a intensa espanholizaçom aplicada hoje em todos os níveis de ensino da Galiza autonómica, o que se reflecte nas percentagens cada vez menores de falantes jovens de galego. Ou isso, o que estám a rir-se de quem lê a sua sisuda 'análise'.

Seica os empresários fogem das 'comunidades' que nom promovem avondo o espanhol

Em definitivo, os preconceitos que enchem as 19 páginas do panfleto em questom levam os seus autores a umha conclusom: "corre-se o risco, objectivo, de que algumhas grandes corporaçons, por essas mesmas razons e perante a pressom dos seus directivos, podam trasferir as suas delegaçons territoriais fora das comunidades em que na actualidade se aplicam políticas semelhantes".

Daí que pidam, educadamente, como corresponde à sua distinta condiçom, que o espanhol cumpra no nosso país o papel de idioma principal, como o inglês na Irlanda (sic), e que reclamem o 'bilingüismo harmónico' como objectivo.

Isso sim, com a excepçom do ámbito comercial, pois aí exigem que "serám os empresários e comerciantes os que decidam em que língua preferem anunciar os seus produtos, rotular os seus estabelecimentos ou relacionar-se com os seus clientes" (SIC). Quer dizer, num relacionamento bilateral entre comerciante e cliente, este nom tem direitos. Som "os empresarios e comerciantes" os únicos que decidem em que língua se desenvolvem as relaçons comerciais. Bonita maneira de defender o que chamam 'liberdade'...

Críticos, mas sem acritude

Para que nom pensemos que som uns 'anti-sistema' ou qualquer cousa do género, os empresários concluem o seu libelo com umha citaçom literal dos máximos responsáveis do governo bipartido da Junta: no caso de Peres Tourinho, lembram que se tem posicionado contra as "imposiçons em matéria lingüística" e, no caso de Anxo Quintana, identificam-se com umha "reivindicaçom" do vice-presidente: a "seduçom" dos que nom utilizam o galego, "longe de imposiçons".

Eis a classe dirigente que a Galiza padece: a classe empresarial 'gallega' em toda a sua plenitude, em absoluta sintonia com outros ataques recentes ao idioma da Galiza, como os protagonizados por 'Galicia Bilingüe' ou polo Manifesto lançado em Madrid polo espanholismo 'intelectual' contra as línguas das naçons sem Estado da Península Ibérica.

- Descarrega aqui o documento do Club Financiero Vigo: Política lingüística: unha visión empresarial (+...)

 

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