NÓS-Unidade Popular analisa criticamente a resoluçom do concurso eólico

4 de Janeiro de 2009

Umha semana depois de se fazer pública a resoluçom da Conselharia da Indústria sobre os novos parques eólicos que serám abertos nos próximos anos, NÓS-Unidade Popular difundiu a sua posiçom crítica com o que denomina "continuísmo da política energética e económica do bipartido".

Achamos de interesse reproduzir integralmente o comunicado publicado no site de NÓS-Unidade Popular e noutros meios digitais, para dar a conhecer a análise da esquerda independentista em que o nosso partido se insere em relaçom à política energética da actual Junta da Galiza.

O concurso eólico ratifica o continuísmo da política energética e económica do bipartido

Perante a resoluçom do concurso de reparto de centenas de novos parques eólicos que irám inçar mais e mais terras, em muitos casos de valor ambiental, para enriquecimento, maioritariamente, de umha facçom do grande capital financeiro e empresarial, NÓS-Unidade Popular quer fazer pública umha série de consideraçons de teor económico e socioambiental de interesse para o povo trabalhador de que fazemos parte.

1. O processo que conduziu à admissom e aos descartes dos projectos empresariais que irám repartir o grande bolo eólico na Galiza dos próximos anos pom de manifesto a contaminaçom das instituiçons públicas pola pressom e as influências do grande capital, que estende as suas redes entre as principais forças políticas, reduzidas a meros agentes institucionais de empresários e banqueiros. A margem de manobra do poder público fica reduzido a esses escassos 14% de participaçom que a Junta reservou para ela no concurso. O resto é repartido entre umha parte do grande capital galego-espanhol, cujo único compromisso com a Galiza é o que o fai roubar quanto pode à maioria social e espoliar ao máximo os recursos naturais e energéticos do nosso país.

2. É verdade que, desta vez, o processo nom foi tam escandalosamente arbitrário como quando o PP governava, mas isso deve-se sobretodo a que nengumha das três grandes forças conta com o poder absoluto que gozava o PP de Junta em tempos de Fraga. De facto, “diferenças de critério” entre o BNG, o PSOE e o PP na hora de repartirem os 2.290 megavátios em jogo devem-se a que cada um deles conta com os seus ‘patrocinadores’ empresariais particulares.

Os três grandes partidos demonstrárom a falta de autonomia do poder político-institucional em relaçom ao grande capital espanhol, quer na sua versom dura mais madrilena, quer na mais branda ou ‘autonomista’, desprezando por igual as consideraçons apresentadas polo movimento ecologista a um concurso carente de exigências ambientais e sujeito às normas estabelecidas polo Plano Eólico aprovado na Era Fraga.

3. Após a resoluçom do concurso eólico, aos gravíssimos danos ambientais ocasionados nos últimos anos com a instalaçom de quase 4.000 Mw repartidos em cerca de 100 parques eólicos, haverá que somar os novos, resultantes do reparto da nova potência de ampliaçom. Isto poderia ser diferente se se tivesse apresentado, aprovado e consensualizado umha cartografia de exclusom definida por estritos critérios ambientais. Mas a Conselharia de Inovaçom e Indústria está muito mais preocupada em atingir o objectivo de 6.500 MW de potência total autorizada em 2012 do que por garantir um desenvolvimento da energia eólica com um baixo impacto ambiental.

Assim, se na nossa terra há já mais de 40 parques eólicos en funcionamento situados em Rede Natura 2000, e ainda que a nova regulamentaçom autonómica da energia eólica aprovada em 2007 impida construir mais parques eólicos nestes espaços protegidos, nom o fai noutras áreas de elevado interesse natural e paisagístico com outras figuras de protecçom. De facto, muitos dos novos parques ocuparám zonas do que deveria ser a ampliaçom da raquítica Rede Natura na Galiza, e nas áreas limítrofes que já contam con parques, e destruirám habitats essenciais. Ainda, os “deficientes” procedimentos de avaliaçom ambiental individual dos parques tenhem-se revelado como un instrumento ineficaz na prevençom dos impactos mais importantes. Na prática, tem sido quase imposivel que a Conselharia do Ambiente aprove umha declaraçom ambiental negativa de um parque en tramitaçom.

4. Convém lembrar que o facto de a Galiza se ter convertido numha potência eólica, o país do mundo con maior intensidade de instalaçom de energia eólica (88 kW/Km2 ), nom fijo com que as centrais térmicas galegas diminuíssem a sua produçom, nem garantiu que as nossas emissons de gases que causam a mudança climática deixassem de medrar, pois aumentárom em 30 % entre 1990 e 2004. A despreocupaçom com a poupança e a eficiência e o forte apoio ao carvom, junto com a ausência de umha política energética sustentável que reduza o consumo de energia e limite drasticamente a produçom eléctrica con carvom (50% da electricidade bruta produzida na Galiza,) neutralizárom o contributo dos parques eólicos à luita contra a mudança climática, fenómeno para o qual a Galiza contribui de forma desproporcionada.

Por causa do forte incremento da procura eléctrica registada na Galiza e no Estado espanhol nos últimos anos, o espectacular crescimento da energia eólica nom possibilitou que diminuísse a produçom eléctrica suja.

5. As chaves para construir um modelo energético ecologicamente sustentável e socialmente justo som a suficiência e a eficiência, junto com o desenvolvimento verdadeiramente sustentável das energias renováveis. É imprescindível redireccionar as quantiosas ajudas públicas que recebem hoje as energias sujas e fazer umha ambiciosa reforma fiscal ecológica que penalize o desvaldimento de energia. No entanto, os preços actuais da energia na Galiza ainda incentivam pouco a poupança e a eficiência, polo qual nom admira que na Galiza a energia se malgaste moito, sobretodo os grandes consumidores industriais e as administraçons públicas. O desenvolvimento das energias renováveis deve fazer-se da forma mais descentralizada possível, apostando também na microgeraçom para o autoconsumo. Em particular, o impulso da energia solar, para a que Galiza apresenta un potencial alto, contrariamente ao que muitas vezes se pensa, deveria ser objecto da máxima prioridade.

6. Como base para o novo modelo energético e de desenvolvimento sustentável que a Galiza necessita, a esquerda independentista que NÓS-Unidade Popular representa aposta de maneira indiscutível no protagonismo absoluto do poder público e democraticamente. Um poder que redistribua socialmente os benefícios com critérios de bem-estar da maioria e nom de um produtivismo linear e rendido ao mercado. Sem um combate aberto aos critérios especuladores e curtoprazistas do capitalismo, sem umha verdadeira democratizaçom e controlo popular da política económica, as instituiçons públicas continuarám a ser escravas dos grandes poderes económicos, como voltou a ficar demonstrado no recente concurso eólico do bipartido PSOE-BNG.

Galiza, 3 de Janeiro de 2008
Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular

 

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