Carta aos combatentes e luitadores colombianos "pola Pátria Grande e o Socialismo"

16 de Julho de 2008

O conflito aberto na Colômbia representa um dos cenários sobranceiros na luita de classes mundial, o que torna recomendável acompanharmos os acontecimentos naquele país com um olhar solidário à luita revolucionária liderada polas FARC-EP.

A seguir, oferecemos a traduçom galega da carta dirigida às diferentes estruturas das FARC polo seu novo comandante em chefe, Alfonso Cano. Nela, reafirma-se a estratégia insurgente consoante os planos aprovados das suas conferências nacionais, baseados na luita pola nova Colômbia sonhada por Manuel Marulanda.

Comunicado do Secretariado das FARC-EP

Aos Combatentes e Luitadores pola Pátria Grande e o Socialismo

Junho de 2008

Camaradas do Estado Maior Central, dos Estados Maiores dos Blocos e Frentes, dos Comandos Conjuntos, comandos das redes urbanas, colunas, companhias, guerrilhas, esquadras e comissons, guerrilheiras e guerrilheiros, comandos e milicianos bolivarianos, militantes do Partido Comunista Clandestino e integrantes do Movimento Bolivariano: recebam o nosso revolucionário saúdo que estendemos a todos os que trabalham junto a nós por umha Nova Colômbia.

Durante a última semana do mês de Maio, recebemos mensagens de solidariedade de todas as unidades farianas, em que destacam a gigantesca dimensom política e militar do Comandante Manuel Marulanda Vélez como um dos mais grandes revolucionários da nossa história, e também reafirmando lealdade absoluta ao seu legado, ao nosso compromiso e objectivos de transformaçom revolucionária e oferecendo total apoio às decisons tomadas pola direcçom das FARC nesta conjuntura.

A 27 de Março, após o decesso do Camarada Manuel, acordamos que só a partir de 23 de Maio informaríamos sobre isto os comandos e guerrilheiros, os amigos e conhecidos e, a opiniom, enquanto decidíamos o necessário para garantir a continuidade dos planos em curso, como efectivamente aconteceu.

Redistribuímos funçons dentro do Secretariado e reajustamo-lo, tal como o Estado Maior Central, fortalecemos os Estados Maiores dos Blocos onde foi necessário, passamos em revista a situaçom orgánica e o trabalho de massas, todo isto no meio do permanente confronto e protegidos com a indestrutível couraça do segredo das centenas de guerrilheiros conhecedores do falecimiento do nosso comandante em chefe.

E assim, entre outras decisons, definimos o camarada Iván Márquez como chefe das relaçons internacionais do Estado Maior Central e o camarada Pablo Catatumbo como novo chefe do Movimento Bolivariano pola Nova Colômbia.

O nosso rico intercâmbio de opinions perante a actual situaçom ratificou o sagrado compromisso revolucionário das FARC-EP, com a sua direcçom à cabeça, de manter firme e muito alto as bandeiras da Nova Colômbia, a pátria grande bolivariana e do socialismo; reafirmou a vigência de todos os nossos planos político-militares e a nossa condiçom de combatentes da paz democrática, quer dizer, da paz com justiça social, sem fame, com emprego, teito, saúde e educaçom para todos, com soberania nacional e vigência de umha verdadeira democracia política afastada da violência e da corrupçom administrativa.

Valha lembrar que as FARC nascêrom há 44 anos como umha resposta popular e revolucionária ao terror institucional e para-institucional do Estado, a vergonhosa intromisom gringa nos nossos assuntos internos, o saque das terras e a sua cada vez maior concentraçom numhas poucas maos, as profundas injustiças sociais existentes e a voraz corrupçom da oligarquia, realidades todas que hoje perduram multiplicadas, para desgraça do nosso povo.

Como revolucionários, queremos e luitamos a reconciliaçom da família colombiana e a construçom de um novo tecido social justo, mas a oligarquia, essa mistura maldita de privilegiadas fortunas, imensas fazendas, berços de ouro e poder político, nom quijo nem quer compartilhar nem umha pisca dos seus privilégios com as maiorias do País. Por isso elude qualquer possibilidade sólida de acordos de paz.

Camaradas: insistiremos quantas vezes for necessário sobre a nossa disposiçom de concretizar um acordo humanitário que fixe umhas regras claras à volta da populaçom civil de obrigátorio cumprimento para as duas partes e que, sobretodo, priorize a liberdade dos camaradas estraditados Sonia, Simón, Iván Vargas e de todos os prisioneiros de guerra de um e outro lado.

Porém, e nom é um segredo, este governo nom tivo o menor interesse em concretizá-lo, simplesmente porque seria reconhecer, de facto, o estatus beligerante de umha guerrilha revolucionária que quer satanizar. Por isso tanta desculpa, teorias absurdas, improvisaçons montagens, falsos positivos e temerárias ordens de resgate que jogam com a vida dos prisioneiros para satisfaçom dos delírios de grandeza presidenciais.

Pensou o governo que as decisions unilaterais das FARC- EP quando libertamos 6 prisioneiros a inícios do presente ano eram debilidade e nom demonstraçons inegáveis da vontade que nos acompanha.

Apesar disto, a nossa proposta de nos encontrarmos com o governo para precisar os termos de um acordo, continua vigente, assim como a decisom de manter comunicaçom e investir esforços para que a reiterada generosidade de muitíssimos governos amigos das soluçons políticas, finalmente, consigam fazer entender ao regime colombiano que negar o conflito existente, tergiversar a suas dimensons e esconder a sua desgarradora realidade, nom soluciona, mas agrava e incrementa os ódios e as distáncias.

Persistiremos nos nossos esforços por atingir a paz democrática polas vias civilizadas do diálogo, tal como temos feito desde há 44 anos, porque é a nossa concepçom revolucionária, porque assim som os nossos princípios. O levantamento armado, a guerra de guerrilhas, a clandestinidade e a actividade conspirativa respondem basicamente à violência institucional que desde a morte do Libertador Simón Bolívar exercem os poderosos contra as maiorias que tenhem luitado pola liberdade, terra, trabalho, justiça, democracia e soberania.

Na búsqueda de esses objetivos nunca desistiremos. Sustentamos a nossa palavra com a prática diária, no crisol da luita cotidiana. Assim no-lo ensinárom Bolívar, Manuel, Jacobo e todos os próceres e heróis da história pátria. Temos comprometido a nossa honra e vida neste empenhamento porque estamos certos da justeza e possibilidade real de materializarmos o sonho de umha nova Colômbia. Nom nos arredam as dificuldades, nom nos apoucam as ameaças da oligarquia que temos escuitado toda a vida, nom acreditamos nos apelos a claudicaçom e a indignidade, nem nos judas que aceitam as moedas do seu oponente, porque sobre essa moral nunca se construirá um melhor país, nem umha sociedade pujante, nem umha família solidária. O valor a fundamentar como pedra angular deve ser o bem comum sustentado sobre umha ética transparente.

Camaradas: os caminhos que conduzem para o incremento da luita popular nas suas mais variadas formas e a conquista do poder, nunca tenhem sido fáceis, nem no nosso país nem em nengumha outra parte do mundo, nem agora nem antes. Só a profunda convicçom na vitória, na justeza, validez e vigência dos nossos princípios e objectivos e um monolítico esforço colectivo, garantirám o triunfo. Aos reacionários que fam contas alegres com as FARC, informamo-los que a intensidade do confronto nos tem fortalecido, temos estreitado vínculos com as comunidades, as suas organizaçons e as luitas populares, elevado a disciplina e o respeito pola populaçom civil e incrementado a nossa qualificaçom e aprendizagem. Tenhem caído guerrilheiros porque assim é a luita, mas também o seu generoso sangue derramado é evidência do nosso total compromiso com o povo, outros camaradas já cobrírom a trincheira e muitos mais continuam a chegar às fileiras, assim fôrom também a gesta da nossa independência e todos os processos libertadores da humanidade em que se desatárom os demónios da guerra.

Somos umha força revolucionária com a suficiente história, solidez e consistência para ultrapassar o falecimento do nosso Comandante em chefe, porque ele mesmo nos instrumentou e contribuiu no esforço colectivo de consolidaçom política e militar. O Secretariado, o Estado Maior Central, os Estados Maiores dos Blocos e frentes, os comandos de todos os níveis, os comandos e combatentes das FARC-EP garantiremos o triunfo.

Continuamos a luitar por cumprirmos todos com os planos aprovados, mantendo a fundo a prática da guerra de guerrilhas móveis, incrementando os nossos nexos com a populaçom civil e com o movimento de massas que resiste a ofensiva do grande capital e dos latifundiários, intensificando o intercâmbio de opiniom com todas as forças interessadas realmente nas saídas políticas ao conflito e por atingir um grande acordo democrático e patriótico, perante o desmoronamento de umha institucionalidade fracturada irreversivelmente polo narcoparamilitarismo o autoritarismo totalitário e o ajoelhamento perante a Casa Branca.

Devemos convidar as comunidades a denunciar a agressom militar do governo, que detrás da máscara da confrontaçom com a guerrilha, massacra civis para os apresentar como guerrilheiros, arrasa terras de lavoura, campos e bosques de reserva com os bombardeamentos, gera deslocaçons possibilitando o saque de terras e aterrorizando quem protesta através da ameaça directa, a agressom e o crime.

E esforçar-nos mais por informar sobre as centenas de combates diários que se livram nos campos e cidades porque o regime esconde a terrível realidade da guerra fratricida, das suas baixas e reveses, para transmitir um inexistente ambiente de controlo oficial no território nacional.

Também rejeitamos a patranha montada à volta dos supostos computadores e arquivos do Comandante Raúl Reyes, como manobra e macabra manipulaçom reeleicionista que procura lesionar quem nom compartilha a estratégia presidencial da chamada segurança democrática detrás da qual se esconde o papel de "cabeça de ponte" atribuído polo Pentágono norte-americano ao nosso país nos seus planos de agressom militar contra os povos da América Latina, tencionando recuperar a sua deteriorada hegemonia imperial.

A indignante decisom de levantar umha base militar norte-americana na Colômbia, as pretensons de umha segunda reeleiçom, o cancro da narcoparapolítica que sumírom as instituiçons em estado terminal e as propostas consignadas na Plataforma Bolivariana devem ser temas de encontro e unidade, que encoragem os colombianos à convergência pola construçom colectiva e acordada da paz.

Camaradas: a espada de Bolívar permanece desembainhada e em maos de todos aqueles que, como nós, nom descansaremos até atingir a justiça social, a democracia e a soberania, esteios verdadeiros da convivência com que sonhamos todos os colombianos.

Um forte aperto de maos para todos.

Polo Secretariado,

Alfonso Cano
 

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