Cuba, assediada polos furacáns

9 de Setembro de 2008

Cuba, como outros países dela próximos, enfrenta nos últimos tempos importantes desafios por parte da natureza, em forma de feros furacáns que fam grandes destroços e causam importantes perdas materiais. No entanto, ao contrário do que acontece em países vizinhos como o Haiti (60), a Jamaica (51) ou os Estados Unidos (7), em Cuba nom há vítimas mortais. O seguinte artigo, da autoria do líder revolucionário cubano Fidel Castro, dá algumhas chaves para perceber o que é que fai a diferença cubana na resposta a furacáns como o Gustavo, primeiro, e o Ike, hoje mesmo.

Assediados polos furacáns

Fidel Castro

Ainda nom nos tínhamos reposto do impacto emocional e dos danos materiais ocasionados polo furacám Gustavo na Ilha da Juventude e em Pinar del Río, com ventos de força inusitada, quando começavam a chegar notícias das invasons do mar polo Hanna, e a pior de todas: que o furacám de grande intensidade Ike, girando rumo ao sudoeste, devido à pressom de um forte anticiclone a norte da sua trajectória, bateria mais de mil quilómetros ao longo de todo o território nacional.

Isto significa finalmente que todo o país será afectado polos três furacáns, e nalguns pontos, duas vezes.

Onde ficará em pé um cacho de bananas, umha fruta ou os vegetais de umha horta intensiva? Onde restará uma plantaçám de feijons e outros graos? Onde restará um campo de arroz ou de cana? Onde restará um centro de produçom avícola, suína ou leiteira? Toda a naçom agora está no que na guerra se chama alarme de combate.

Os problemas colocados na reflexom que classificava Gustavo de golpe nuclear multiplicárom-se. Os princípios que devem nortear a nossa conduta continuam sendo iguais, apenas precisam de esforços incomparavelmente maiores.

A Defesa Civil nom perdeu um minuto. Os que ostentam responsabilidades no Partido e no Governo, movimentárom-se em todas as direcçons. Os quadros devem exigir disciplina, conter emoçons e exercer autoridade. A televisom, a rádio e a imprensa escrita assumem umha grande responsabilidade no exercício das suas tarefas informativas.

O mundo tem observado com admiraçom a conduta do nosso povo frente aos embates de Gustavo. Enquanto os inimigos esfregavam cinicamente as maos, os amigos, como foi evidenciado, som muitos e estám decididos a cooperar com o nosso povo. As sementes de solidariedade plantadas durante longos anos frutificam por todas as partes. Avions russos e de outros países chegárom rápido desde milhares de quilómetros de distáncia com produtos que se medem nom polo seu volume ou polo seu preço, mas polo seu significado. Doaçons de pequenos Estados como Timor Leste, mensagens de países importantes e amistosos como a Rússia, Vietname, a China e outros, expressárom a disposiçom de cooperar todo quanto possível nos programas de investimentos que devemos acometer de imediato para restabelecer a produçom e desenvolvê-la.

A irmá República Bolivariana da Venezuela, e o seu presidente Hugo Chávez, adoptárom medidas que constituem o mais generoso gesto de solidariedade que tem conhecido a nossa pátria.

Acho que por duros que forem os golpes recebidos e por receber, o nosso país está em condiçons de salvar vidas de cubanos, e as famílias receberám ajuda material e alimentar o tempo necessário até que se recupere no mais breve prazo possível a capacidade de produzir alimentos. Essa ajuda nom pode ser igual em todos os municípios, porque em todos nom som iguais os danos nem igual o tempo que cada um precisa para se recuperar.

Estamos assediados neste instante polos furacáns. Mais do que nunca, impom-se a racionalidade e a luita contra a dilapidaçom, o parasitismo e o acomodamento. É preciso agir com absoluta honestidade, sem demagogia nem concessom algumha à frouxidom e ao oportunismo. Os militantes revolucionários tenhem que ser exemplo. Devem dar e receber confiança. Dar todo polo povo, até a vida se for necessário.

Fidel Castro Ruz

7 de Setembro de 2008

 

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