Che Guevara: prefácio da Guerra de Guerrilha em galego

10 de Outubro de 2008

Iniciativas de NÓS-Unidade Popular em Vigo lembrárom no dia de ontem o 41 aniversário da morte de Ernesto Che Guevara, com o despregamento de faixas em diferentes pontos da cidade. Por outra parte, a editora ligada ao nosso partido, Abrente Editora, prepara a ediçom de diversas obras do Guerrilheiro Heróico em galego. Como avanço e em homenagem ao Che, reproduzimos o prefácio da sua célebre obra A Guerra de Guerrilha, dedicada a Camilo Cienfuegos, comandante revolucionário e "Herói de Yaguajay".

A Guerra de Guerrilha

Ernesto Che Guevara

A Camilo

Este trabalho pretende colocar-se sob a advocaçom de Camilo Cienfuegos, quem devia lê-lo e corrigi-lo, mas cujo destino lhe impediu essa tarefa. Todas estas linhas e as que se seguem podem ser consideradas como umha homenagem do Exército Rebelde ao seu grande Capitám, ao maior chefe de guerrilhas que deu esta revoluçom, ao revolucionário sem falta e ao amigo fraterno.

Camilo foi o companheiro de cem batalhas, o homem de confiança de Fidel nos momentos difíceis da guerra e o luitador abnegado que fijo sempre do sacrifício um instrumento para acalmar o seu carácter e forjar o da tropa. Acho que ele teria aprovado este manual, onde se sintetizam as nossas experiências guerrilheiras, porque som o produto da vida mesma, mas ele deu à armaçom de letras aqui exposta a vitalidade essencial do seu temperamento, da sua inteligência e da sua audácia, que só se conseguem em tam exacta medida em certos personagens da História.

Mas nom há que ver Camilo como um herói isolado realizando façanhas maravilhosas com o único impulso de seu génio, mas como umha parte mesma do povo que o formou, como forma os seus heróis, os seus mártires ou os seus condutores na selecçom imensa da luita, com a rigidez das condiçons sob as quais se efectuou. Nom sei se Camilo conhecia a máxima de Dantom sobre os movimentos revolucionários, “audácia, audácia e mais audácia”; de qualquer maneira, praticou-na com a sua acçom, dando-lhe ainda o tempero das outras condiçons necessárias ao guerrilheiro: a análise precisa e rápida da situaçom e a meditaçom antecipada sobre os problemas a resolver no futuro.

Ainda que estas linhas, que servem de homenagem pessoal e de todo um povo a nosso herói, nom tenham o objecto de fazer a sua biografia ou de relatar as suas anedotas, Camilo era homem delas, de mil anedotas, criava-as a seu passo com naturalidade. É que unia a sua desenvoltura e a seu apreço polo povo, a sua personalidade; isso que às vezes se esquece e se desconhece, isso que imprimia o selo de Camilo a todo o que lhe pertencia: o distintivo precioso que tam poucos homens atingem de deixar marcado o seu em cada acçom. Já o dixo Fidel: nom tinha a cultura dos livros, tinha a inteligência natural do povo, que o tinha eleito entre milhares para o pôr no lugar privilegiado aonde chegou, com golpes de audácia, com perseverança, com inteligência e devoçom insólitas. Camilo praticava a lealdade como umha religiom; era devoto dela; tanto da lealdade pessoal para Fidel, que encarna como ninguém a vontade do povo, como a desse mesmo povo; povo e Fidel marcham unidos e assim marchavam as devoçons do guerrilheiro invicto.

Quem o matou?

Poderíamos melhor perguntar-nos: quem liquidou o seu ser físico? porque a vida dos homens como ele tem o seu além no povo; nom acaba enquanto este nom o ordenar.

Matou-no o inimigo, matou-no porque queria a sua morte, matou-no porque nom há avions seguros, porque os pilotos nom podem adquirir toda a experiência necessária, porque, sobrecarregado de trabalho, queria estar em poucas horas em Havana... e matou-no o seu carácter. Camilo nom media o perigo, utilizava-o como umha diversom, jogava com ele, toureava-o, atraía-o e manejava-o; na sua mentalidade de guerrilheiro, nom podia umha nuvem deter ou torcer umha linha traçada.

Foi ali, quando todo um povo o conhecia, o admirava e o queria; pudo ter sido antes e a sua história seria a simples de um capitám guerrilheiro. Haverá muitos Camilos, dixo Fidel; e houvo Camilos, podo agregar, Camilos que acabárom a sua vida antes de completar o ciclo magnífico que ele fechou para entrar na História, Camilo e os outros Camilos (os que nom chegárom e os que virám), som o índice das forças do povo, som a expressom mais alta do que pode chegar a dar umha naçom, em pé de guerra para a defesa dos seus ideais mais puros e com a fé posta na consecuçom das suas metas mais nobres.

Nom vamos riscá-lo de maneira simplista, para o aprisionar em moldes, isto é, matá-lo. Deixemo-lo assim, em linhas gerais, sem lhe pormos perfis precisos à sua ideologia socioeconómica, que nom estava perfeitamente definida; sublinhemos, sim, que nom houvo nesta guerra de libertaçom um soldado comparável com Camilo. Revolucionário cabal, homem do povo, artífice desta revoluçom que fijo a naçom cubana para si, nom podia passar pola sua cabeça a mais ligeira sombra do cansaço ou da decepçom. Camilo, o guerrilheiro, é alvo permanente de evocaçom quotidiana, é o que fijo isto ou aquilo, “umha cousa de Camilo”, o que pujo o seu sinal preciso e indelével à Revoluçom cubana, o que está presente nos outros que nom chegárom e naqueles que estám por vir. No seu renovo contínuo e imortal, Camilo é a imagem do povo.

 

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