A IV Frota destruiu o Império

26 de Agosto de 2008

Achamos o seguinte artigo muito esclarecedor do panorama actual da América Latina como vanguarda do confronto com o imperialismo a partir de posiçons claramente de esquerda. A validade das análises marxistas face aos libelos posmodernos que proliferárom nos últimos anos fica, segundo o autor, demonstrada da única maneira possível e contrastável: na realidade.

A IV Frota destruiu o Império

Atilio Borón*

Sim; a IV Frota terminou por afundar Império, o livro de Michael Hardt e António Negri demonstrando, umha vez mais, que as réplicas da história som impiedosas com as modas intelectuais que, no seu tempo, luziam como indiscutíveis ou inexpugnáveis. A nefasta tese que propunham aqueles autores: pensar que existia um “império sem imperialismo” ficou sepultada polos factos. Que em paz descanse.

Um pouco de história

Poderia argumentar-se: e quem se importa com a morte de um desvairo de dous intelectuais? Resposta: muita gente e, especialmente, as forças sociais que luitam pola construçom de um mundo melhor, por umha sociedade socialista. Para compreender melhor o porquê desta resposta convém fazermos um pouco de história. Precisamente quando o neoliberalismo começou a sofrer os embates de umha resistência que a começos do nosso século se estendia polas mais diversas latitudes apareceu o livro de Hardt e Negri. De imediato, a obra foi saudada por toda a imprensa imperialista mundial como o novo “Manifesto Comunista” do século XXI; um manifesto que, a diferença do seu predecessor escrito por Marx e Engels um século e meio antes, demonstrava a sua sensatez ao fulminar sem atenuantes os dinossauros que ainda falavam do imperialismo, criam que as multinacionais se apoiavam na fortaleza dos estados nacionais e que estes, longe de estar em via de extinçom, se fortaleciam no capitalismo metropolitano enquanto se debilitavam na periferia do sistema. Um curioso manifesto comunista em cujas páginas brilhavam pola sua ausência as contradiçons de classes, a dialéctica e a revoluçom, e que erigia como modelo de luita contra o fantasmagórico império... ao bom de Sam Francisco de Assis! (de quem se dizia que amansava lobos famentos com o som do seu violino) e relegando ao museu dos arcaísmos revolucionários a figuras como o Che Guevara, Fidel, Lenine, Mao, e Ho Chi Mihn, entre tantos outros. Por várias razons que nom vem ao caso expor aqui, a influência destes disparates nas primeiras reunions do Foro Social Mundial de Porto Alegre, foi enorme, e aqueles e aquelas que objectávamos as teses de Hardt e Negri tivemos que remar contra a maré para conseguir que se nos escuitasse. Muitos dos que impedírom um debate a fundo sobre este assunto vinhérom a ser os representantes ideológicos dos anguiliformes governos de centro-esquerda que, pouco depois, se afiançariam na regiom.

Nom era fácil objectar as propostas de um pensador dono de umha trajectória marxista tam dilatada como Toni Negri. Império, escrito conjuntamente com o estado-unidense Michael Hardt -um professor de Teoria Literária da Universidade de Duke- é um livro volumoso, revesgado e por momentos críptico (ou confuso, se nom se quiger ser tam benévolo) cuja tese central: “o império nom é imperialista” soou como música celestial para os imperialistas. Nom causou surpresa, portanto, o trevom de elogios com que o livro foi recebido polo mundo “bem-pensante” e a indústria cultural do império: nom é cousa de todos os dias dous autores que se autodenominam “comunistas” proporem umha tese tam grata e tam coerente com os desejos e os interesses dos imperialistas de todo mundo, e muito especialmente com os da Roma “americana”, a dizer de José Martí, que contribui com os fundamentos materiais, militares e ideológicos sobre os quais repousa todo o imperialismo como sistema.

A interminável sucessom de erros e confusons que se debulhavam ao longo do livro –salpicadas, é verdade, com algumha que outra observaçom mais ou menos razoável- foi alvo de numerosas críticas. Pensadores marxistas das mais diversas correntes questionárom e refutárom essa obra (1). Pola nossa parte, assumimos como umha exigência da militáncia anti-imperialista dedicar um tempo precioso para escrever um pequeno livro destinado a rebater as teses centrais de Império e a tratar de contribuir para neutralizar a profunda confusom ideológica em que, por causa das mesmas, tinham caído os movimentos da alterglobalizaçom(2). É que, em linha com o discurso predominante do neoliberalismo e sob umha retórica de esquerda o livro de Hardt e Negri contrariava com umha insuportável mistura de ignoráncia e soberba toda a evidência empírica arrojada por numerosos estudos sobre a dominaçom imperialista e as suas conseqüências. Além da disparatada tese central: um império sem relaçons imperialistas de dominaçom, saque e exploraçom, também se afirmava que o império carece de um centro, nom tem “um quartel geral” nem posto de comando e também nom se afiança sobre base territorial algumha; muito menos pode dizer-se de que conte com o apoio de um Estado-naçom. Para Hardt e Negri, o império é umha benévola constelaçom de múltiplos poderes sintetizados num regime global de soberania, permanentemente hackeada por umha fantasmagórica “multidom”: umha vaporosa ou líquida, a dizer de Zigmunt Bauman, agregaçom altamente instável e mutante de sujeitos que, por um incompreensível paradoxo, eram simultaneamente os verdadeiros criadores do império e podiam ser os seus eventuais coveiros se por um milagre conseguiam curar-se da esquizofrenia que os conduziu a criar algo que os oprimia e que, ao mesmo tempo, queriam destruir.

É por todo o anterior que poucas imagens poderiam ser mais do agrado do governo dos Estados Unidos e as classes dominantes desse país e os seus aliados em todo mundo do que esta embelezada visom das suas quotidianas tropelias, crimes, atropelamentos e o genocídio que lenta e silenciosamente praticam dia depois de dia polos quatro cantos da terra, e muito especialmente no Terceiro Mundo. Poucas, também, poderiam ter sido mais oportunas em momentos em que os Estados Unidos se tinha convertido na potência imperialista mais agressiva e poderosa da história da humanidade e no Estado-naçom imprescindível e insubstituível para sustentar com a sua formidável maquinaria militar, a sua enorme gravitaçom económico-financeira e o fenomenal poderio da sua indústria cultural (desde Hollywood até as suas universidades, passando polos seus tanques de pensamento e os meios de comunicaçom de massas e, last but not least, o seu controlo estratégico da Internet, nom compartilhado nem sequer com a Uniom Europeia e o Japom) toda a arquitectura do sistema imperialista mundial.

A IV Frota entra em cena

Ora bem: se algumha prova fazia falta para invalidar irreparavelmente as teses centrais de Império (e para convencer os mais remissos do carácter erróneo sem cura desse livro) a reactivaçom ordenada polo governo de Estados Unidos da IV Frota forneceu a evidência necessária para fechar definitivamente o caso. Ferido de morte pola invasom e ocupaçom estado-unidense do Iraque, onde foi um Estado-naçom que produziu a pancada de garra que, ao velho jeito imperialista, arrasaria com esse país para tomar posse da sua riqueza petroleira e favorecer as suas “multinacionais”, Império sucumbiu definitivamente diante da nova iniciativa ordenada polo Departamento de Defesa em Abril do 2008 (3).

Desactivada desde 1950, a IV Frota (de Estados Unidos, nom de um poder “global e abstracto” ou das Naçons Unidas, como Hardt e Negri nos induziriam a crer) foi sacada da sua letargia com o mandato específico de patrulhar a regiom e monitorizar os acontecimentos que se puderem produzir no vasto espaço conformado pola América Latina e as Caraíbas. Nom só se trata de controlar costa marítima no Atlántico e o Pacífico, como também –deslizou-se com atraente imprudência- poderá inclusive navegar polos caudalosos rios interiores do continente com o propósito de perseguir narcotraficantes, apanhar terroristas e desenvolver acçons humanitárias que teriam provocado a inveja da mae Teresa de Calcutá. Nom fai falta ser demasiado perspicaz para perceber que a penetraçom da IV Frota polo Amazonas e o seu eventual estacionamento nesse rio atribuiria um sólido sustento militar à pretensom norte-americana de converter essa regiom num “património da humanidade sob supervisom das Naçons Unidas”. Também nom se requer de demasiada imaginaçom para entender o que poderia significar a navegaçom da IV Frota polos grandes rios da América do Sul (em solitário ou com o auxílio de forças locais aliadas ao imperialismo) para manietar e subjugar o que, num trabalho recente, Perry Anderson qualificou como a regiom mais rebelde e resistente ao domínio neoliberal do planeta.

Com esta iniciativa, os Estados Unidos, o centro indiscutido do império e o locus onde reside o seu quartel-general, vem completar polos mares e rios o que já tinha sido parcialmente obtido mediante a localizaçom na nossa geografia de umha série de bases e “missons militares” e polo seu predomínio aéreo e do espaço exterior, especialmente no ámbito dos satélites: o controlo integral do que os peritos em geopolítica dos Estados Unidos chamam a grande ilha americana. Graças ao Plano Colômbia (e em menor medida ao Plano Puebla-Panamá) e às numerosas bases militares com que conta na regiom, Washington detém um decisivo e monopólico controlo territorial que se estende desde o México, no Norte, e chega até a Tripla Fronteira, com a Base Marechal Estigarribia no Paraguai, e inclusive até a própria Terra do Fogo, no extremo Sul da Argentina, onde também há pessoal militar norte-americano (4).

Umha nota produzida há poucos meses por Stella Calloni consigna que na Terra do Fogo o governo dessa província argentina emitiu um decreto cedendo terras “para a instalaçom de umha base estado-unidense que se supom realizará ‘estudos nucleares com fins pacíficos’ ”. Esta decisom do governo provincial apoia-se numha lei aprovada em 1998 pola Cámara de Deputados da Naçom, durante a presidência de Carlos S. Menem, em cujos anexos se prevê que ‘poderám realizar-se explosons nucleares subterráneas com fins pacíficos’. O decreto do executivo da regiom autoriza a instalaçom de umha base do Sistema Internacional de Vigiláncia para a Prevençom e Proibiçom de Ensaios e Explosons Nucleares... e habilita para ‘os integrantes desta base o livre tránsito pola província, se assim o requererem para os seus estudos’.” Por último, anota Calloni que existe o perigoso antecedente da imunidade “total” que o Paraguai outorgara, em 2005, às tropas estadounidenses radicadas nesse país” e que motivara a condena unánime dos organismos defensores dos direitos humanos em toda América Latina(5).

Resumindo: na actualidade, o controlo que os Estados Unidos detenhem do espaço aéreo latino-americano é absoluto e inexpugnável, levando em conta a sua enorme superioridade tecnológica que, entre outras cousas, lhe permitiu organizar e ajudar a executar, passo a passo, a enigmática “operaçom resgate” de Ingrid Betancourt e os outros “reféns de ouro” que tinham no seu poder as FARC(6). Ao anterior deve somar-se a sua presença territorial e, agora, agregará-se o domínio dos mares, com o qual o círculo se fecha sobre a América Latina e os Caraíbas. Círculo que se aperta cada vez mais para os quatro governos que na nossa regiom estám a dar umha batalha diária e sem quartel contra o imperialismo: Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Missons manifestas e latentes

Umha versom “candorosa” da missom da IV Frota (apta para o consumo das boas almas incapazes de reconhecer a maldade) ofereceu-na há poucas semanas o Almirante James Stavridis. Numha nota, reproduzida nos principais jornais de América Latina, este militar sustenta que “o restabelecimento da IV Frota” é um reconhecimento à excelente “cooperaçom, amizade e mútuo interesse nas Américas entre a nossa armada e as armadas de toda a regiom.” Depois de assegurar que “nom há naves permanentemente atribuídas à IV Frota… e nom haverá nengum navio porta-avions atribuído” destacou que entre as principais operaçons marítimas que poderiam levar-se a cabo com as armadas da regiom incluem-se, (atraentemente em primeiro lugar) “a assistência humanitária…, o apoio às operaçons de paz, a assistência nas situaçons de desastres e as operaçons de auxílio, nas operaçons antinarcóticos e… nas de cooperaçom regional e de treino inter-operacional”(7).

É evidente que a linguagem empregada por Stavridis, nom por acaso, tem a suficiente ambigüidade como para ocultar as verdadeiras intençons que se ocultam detrás de tam significativa decisom. É concebível pensar que os Estados Unidos vam reactivar a IV Frota para oferecer “assistência humanitária” à América Latina e às Caraíbas? Isto nom o pode acreditar ninguém, porque para isso nom fai falta umha frota naval e, além disso, porque semelhante arranque de altruísmo jamais figurou na agenda da política exterior estado-unidense. Esta continua fiel ao velho dictum de John Quincy Adams, sexto presidente dos Estados Unidos, quando dixera que esse país “nom tem amizades permanentes senom interesses permanentes.”

Esta política, portanto, pouco tem de inovadora. A Doutrina Monroe, formulada em 1823 -isto é, um ano antes da batalha de Ayacucho que complementaria a primeira etapa da luita pola independência dos nossos povos!- apontava nessa direcçom e reafirmava o “interesse permanente” de Estados Unidos por controlar e dominar a América Latina. Tal como assinala o historiador Horacio López, em fins do século XIX um oficial da Armada estado-unidense, Alfred Thayer Mahan, aperfeiçoaria no plano da geopolítica as recomendaçons que se despreendem da Doutrina Monroe(8). A preocupaçom de Mahan surgiu como resposta perante a problemática proposta pola guerra Hispano-Americana que culminou, nas Caraíbas, com a incorporaçom de Cuba e Porto Rico à sua hegemonia (conquanto sob diferentes condiçons) e a estratégia que os Estados Unidos deviam pôr em práctica para assegurarem o seu indisputado predomínio nas Caraíbas, definido a partir de entom como o Mare Nostrum estado-unidense. Contrariando as interpretaçons dominantes no seu tempo, Mahan sustenta que a extensom do poder continental de Estados Unidos passava polo controlo global dos oceanos e das linhas de comunicaçons marítimas, o que exigia a conformaçom de umha poderosa frota militar e mercante. A partir destas premissas, Mahan, observa López, propujo a necessidade de construir um canal na América Central, para resolver, em caso de conflitos, o rápido traslado da frota de guerra estado-unidense de umha costa à outra dado que a travessia polo estreito de Magalháns demorava, nessa época, mais de sessenta dias de navegaçom. Umha vez que se construísse o canal, suscitaria-se o problema da sua defesa para evitar que caísse em maos inimigas. López cita o sociólogo portorriquenho Ramón Grosfoguel, quem afirma que “como umha maneira de assegurar a defesa do futuro canal, Mahan recomendou que antes de construí-lo os Estados Unidos deviam adquirir Hawai e controlar militarmente as quatro rotas marítimas caribenhas ao nordeste do canal: a Passagem de Yucatám (entre Cuba e o México); a Passagem dos Ventos (a principal rota norte-americana de acesso ao canal entre Cuba e o Haiti); a Passagem da Mona (entre Porto Rico e a República Dominicana) e a Passagem de Anegada (cerca de St. Thomas nas águas orientais de Porto Rico). Mahan recomendou às elites norte-americanas a construçom de bases navais nestas zonas como passo prévio à construçom de um canal e como passo indispensável para transformar os Estados Unidos numha superpotência”(9).

Se se examina o itinerário da política exterior desse país, poderá-se comprovar que as recomendaçons de Mahan nom fôrom desatendidas: Estados Unidos tomouc conta de Cuba e Porto Rico e, indirectamente, das pequenas naçons das Caraíbas e América Central; fijo o próprio com o arquipélago do Hawai em 1898 e, dali a pouco tempo, tomou posse das Filipinas, as Ilhas Marianas e outras possessons no Pacífico Occidental. Todo este esforço viu-se coroado com a cuidadosamente planejada secessom da nortenha província colombiana do Panamá, em 1903, e a assinatura de um tratado que permitiria a construçom do Canal, que seria inaugurado em 1914 (10). Nessa oportunidade as autoridades “independentes” do Panamá concedêrom aos Estados Unidos os direitos a perpetuidade do canal e umha ampla zona de 8 quilómetros a cada lado do mesmo em troca de umha soma de 10 milhons de dólares e umha renda anual de 250.000 dólares. Esta situaçom seria modificada graças ao Tratado Torrijos-Carter, assinado em 1977, e que devolveria o Canal à soberania panamenha a 31 de Dezembro de 1999.

Desta superficial descriçom surge com bastante clareza a coerência da política exterior da Casa Branca para a América Latina, o papel importantísimo jogado pola Armada e, em conseqüência, a muito fundada suspeita que a reactivaçom da IV Frota está chamada a jogar um papel bem mais importante do que o anunciado na propaganda oficial. Por outras palavras, que a sua missom verdadeira pouco tem que ver com a manifestamente declarada.

Sabemos por experiência os problemas de definiçom com que tropeça quem pretender decifrar o significado de segurança “regional”, “terrorismo” e “narcotráfico”, quando estas expressons som propostas nos discursos ou documentos oficiais do governo dos Estados Unidos. Qualquer que se opuger aos desígnios imperiais pode ser fulminado com a qualificaçom de terrorista ou narcotraficante ou, mais fácil ainda, como “cúmplice” daqueles. O argumento da luita contra o narcotráfico nom só é falso; é cómico. Afeganistám e Colômbia, dous países onde a presença norte-americana é esmagadora (poderia dizer-se inclusive que, sobretodo no primeiro caso, som países “ocupados” militarmente por Washington) nom por acaso registam nos últimos anos umha vigorosa expansom dos cultivos de mapoula e coca e, além disso, o tráfico de substáncias proibidas, algo insólito que aconteça sob a zelosa mirada de quem agora se arroga a responsabilidade de combater o narcotráfico na América Latina. Um estudo recente conclui que a invasom e ocupaçom do Afeganistam desde Outubro do 2001 “nom destruiu a economia da droga nesse país. Pior ainda, o Afeganistam voltou a se converter no maior produtor mundial de ópio… e o cultivo da mapoula estendeu-se por todas as províncias do país e a sua colheita representa 92 % do ópio produzido em todo mundo e aproximadamente 90 % de toda a heroína consumida”. E, no que toca ao caso colombiano, os autores sustentam que “apesar de anos de campanhas de erradicaçom a produçom e o fornecimento de drogas ilegais permanecêrom estáveis na regiom”(11). O Relatório da Organizaçom das Naçons Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) de 2008 revela que em 2007 a colheita de mapoula no Afeganistám foi a maior desde que se levam registos estatísticos e do que a produçom de ópio se duplicou entre 2005 e 2007. Também se assinala que nesse país também se verifica umha impetuosa expansom do cultivo de marijuana (12). E na Colômbia estima-se que, no último ano, a superfície semeada com coca se incrementou em 27 por cento, apesar das campanhas de fumigaçom, a presença de tropas norte-americanas e as políticas de “combate” ao narcotráfico desenhadas polo governo colombiano mancomunadamente com a Casa Branca. Diante da contundência destes factos, quem poderia ser tam ingénuo como para crer que a IV Frota lançaria áncoras para perseguir narcotraficantes quando sob a protecçom das tropas norte-americanas o cultivo e o tráfico de estupefacientes floresceu no Afeganistam e na Colômbia? O que a experiência sugere é que quase com segurança umha das suas principais missons será organizar o tráfico de drogas de modo tal que o arrecadado termine canalizando-se para a banca norte-americana encarregada de lavar o dinheiro ilegalmente obtido.

O pretexto da luita antiterrorista contra o radicalismo islámico é tam pouco persuasivo como o anterior: salvo os atentados contra a Embaixada de Israel e contra AMIA, ocorrida em Buenos Aires a começos dos anos noventa (e cuja génese, responsáveis e executores ainda se encontram nas sombras pola pasmosa ineficiência, ou corrupta cumplicidade, de alguns servidores públicos do Estado argentino nos seus diferentes ramos) nom existe na regiom actividade algumha comprovada de células vinculadas a Al Qaeda ou outra organizaçom similar. A luita contra o terrorismo internacional deveria livrar-se em Washington, pois ali se encontram os seus principais responsáveis: a escandalosa protecçom oficial brindada ao terrorista provado e confesso Luis Posada Carriles e a nom menos escandalosa detençom, em condiçons desumanas que nom se aplicam nem ao mais desalmado criminoso, dos cinco jovens cubanos que se infiltrárom nas organizaçons terroristas com base em Miami tiram por completo a mais mínima pretensom de verossemelhança ao proclamado objectivo da Casa Branca de combater o terrorismo (13). Quanto às intençons humanitárias da IV Frota, nom deixam de ser um simples pretexto para encobrir as suas verdadeiras e inconfessáveis intençons: posicionar-se na regiom para estar prestes a intervir logo que o exijam os imperativos da conjuntura(14).

Contrariando as piedosas declaraçons de Stavridis, um comunicado oficial do Departamento da Defesa dos Estados Unidos manifestou que IV Frota contará com toda a classe de navios, submarinos e avions, e que o seu porto de abastecimento (Mayport, no Estado de Florida) é umha base naval que conta com um vasto arsenal nuclear. Segundo esse comunicado, o objectivo perseguido pola reactivaçom da IV Frota foi “responder ao crescente papel das forças de mar na área de operaçons do Comando Sul (dos Estados Unidos) e demonstrar o compromisso de Washington com os seus sócios regionais”(15). Nom é necessário extremar demasiado a imaginaçom para saber quem qualificam como “sócios regionais” e quem, como Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia, som considerados como os “inimigos globais” que desestabilizam a regiom e atentam contra a “segurança marítima” da regiom. A declaraçom oficial do Pentágono nom poderia ter sido mais vaga: esta força teria a seu cargo várias missons, num leque que vai desde “operaçons contingentes, a luita contra o “narco-terrorismo” até certas actividades relacionadas com a segurança no teatro de operaçons. Como pode observar-se, a IV Frota tem um mandato para fazer praticamente qualquer cousa, e nom é casual que a sua reactivaçom tenha coincidido com o bombardeamento por parte da Força Aérea da Colômbia de um acampamento das FARC precariamente instalado em território equatoriano e a poucos quilómetros da fronteira, operaçom esta que, tal como a “libertaçom” dos quinze reféns em poder das FARC, nom teria sido possível sem o apoio informático e por satélite dos Estados Unidos. Também nom é por acaso que tenha lugar quando os esforços por desestabilizar os governos da Venezuela, Equador e Bolívia pugérom em evidência as suas limitaçons e os governantes desses países conseguírom, ao menos até agora, superar todos os obstáculos e ameaças interpostas pola Casa Branca e os seus ajudantes na regiom. A esmagadora vitória de Evo Morales no recente referendo revogatório de 10 de Agosto deve ter sumido no desespero muitos em Washington e na Média Lua de Bolívia.

Para resumir: o certo é que o Pentágono prevê dotar a IV Frota com um equipamento similar ao que tem a Quinta Frota, que opera no Golfo Pérsico, e a Sexta, estacionada no Mediterráneo. Declaraçons posteriores do Pentágono admitírom que ao menos um porta-avions e vários submarinos farám parte da frota encarregada de patrulhar em águas latino-americanas. Nesse mesmo cabo originado em Washington -e publicado por La Nación sob a assinatura do seu correspondente nessa cidade Hugo Alconada Mon- di-se que “dentro da órbita do Comando Sul operam hoje 11 barcos, um número que poderia aumentar no futuro. Que tipo de naves se despregarám "é questom do momento, das missons específicas"… mas os primeiros indícios apontam para o reluzente porta-avions George H. W. Bush, que estará operativo desde fins deste ano, como possível coraçom da IV Frota”(16).

Segundo o mesmo enviado a Washington, “o almirante Gary Roughead, gestor intelectual do renascimento da unidade” tem como meta “assegurar a segurança neste mundo globalizado”. Interrogado sobre o significado dessa expressom, Roughead limitou-se a dizer que a IV Frota poderá estar “lista em todo o momento para qualquer desafio. Por isso somos umha Armada global”. Se se recorda a extraordinária amplitude que a nova doutrina estratégica norte-americana anunciada em Setembro de 2002 -a guerra infinita e global contra o “terrorismo” e o facto de que a paranóia oficial reinante em Washington considere como “terrorista” todo aquele que resistir as agressons do imperialismo- poucas dúvidas cabem a respeito do papel real que terá de desempenhar a IV Frota: ser um elemento de chantagem e dissuasom para os governos da regiom que se opugerem aos imperialistas e um significativo apoio “extramuros” para os seus aliados entre as classes dominantes locais(17).

O documento do Comando Sul dos Estados Unidos, denominado US Southern Command Strategy: 2016 Partnership for the Americas, é qualificado polo especialista em relaçons internacionais Juan Gabriel Tokatlian como “o plano mais ambicioso que tenha concebido em anos umha agência oficial estado-unidense com respeito à regiom”(18). Segundo este documento, na nova conformaçom da política estado-unidense para a nossa regiom, nom desempenham papel algum nem os tradicionais instrumentos de predomínio militar, como a Junta Inter-Americana de Defesa ou o já difunto Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, passado a melhor vida depois da Guerra das Malvinas em 1982; nem os organismos multilaterais como a OEA ou as Naçons Unidas. Assinala assim mesmo que “as instáncias políticas internas (os Departamentos de Estado, Justiça e Tesouro) de interacçom com o hemisfério evaporárom-se no documento. O Comando Sul anuncia o seu papel e projecçom na área para os seguintes dez anos como o faria um procônsul continental.” E isto apesar de que na regiom “nem existem tiranos com armas de destruiçom em massa, nem há formas de terrorismo multinacional de alcance global”(19). A militarizaçom da política internacional é umha das conseqüências da nova doutrina estratégica anunciada ao mundo em Setembro de 2002 e ratificada agora polo Pentágono através do seu instrumento regional: o Comando Sul. Note-se que o verso desta concepçom que militariza a cena internacional é a criminalizaçom do protesto social no plano doméstico, para o que aponta a já referida legislaçom antiterrorista aprovada, sob a forte pressom estado-unidense, em quase todos os países da área. E para combater em ambos terrenos, o internacional e o nacional, o império apela à eficácia dissuasiva das armas. Esse e nom outro é o papel real que a IV Frota está chamada a cumprir na América Latina e as Caraíbas(20).

Um debate findo, umha confusom menos

Como dizíamos ao princípio, o início da actividade da IV Frota liquidou o debate em torno da natureza do império. Tal como propom o marxismo, as controvérsias teóricas e políticas nom se resolvem com engenhosos jogos de linguagem ou acesas pirotecnias verbais, mas na vida prática de povos e naçons. E o debate sobre o livro de Hardt e Negri já acabou: o primeiro golpe mortal representou-no a Guerra de Iraque, que desde o princípio demonstrou claramente ser umha clássica guerra imperialista de anexaçom lançada para tomar posse do petróleo iraquiano. E o tiro de graça acaba de desfechá-lo a decisom de reactivar a IV Frota. Para estudarem seriamente o imperialismo, Hardt e Negri deveriam ter-se inspirado na atitude de V. I. Lenine -um autor por quem nom ocultam o seu menosprezo- quando se propom pesquisar a natureza do imperialismo a começos do século XX: ler toda a literatura relevante produzida polos intelectuais da burguesia imperialista. Em lugar disso, Hardt e Negri gabárom-se transitando polos inconseqüentes meandros da filosofia posmoderna francesa enquanto o império verdadeiro -nom o que eles alucinavam- desfilava perante as suas dilatadas pupilas sem terem a menor consciência disso. O seu desconhecimento da densa literatura imperialista produzida pola direita norte-americana desde Reagan até os nossos dias é imperdoável. Se tivessem tido a curiosidade própria do espírito científico e se tivessem debruçado para ler qualquer cousa disso, ainda que fosse o que escrevia um dos porta-vozes mais caracterizados do pensamento imperialista norte-americano e principal colunista de assuntos internacionais do New York Times, Thomas Friedman, teriam tomado um banho de sobriedade e provavelmente dado conta de que algo nom funcionava demasiado bem na sua teoria(21). Pouco antes da apariçom de Império, Friedman escreveu umha nota em que dizia, sem ocultamentos, que “a mao invisível do mercado global nunca opera sem o punho invisível. E o punho invisível que mantém ao mundo seguro para o florescimento das tecnologias do Silicon Valley chama-se Exército dos Estados Unidos, Armada dos Estados Unidos, Força Aérea dos Estados Unidos e Corpo de Marines dos Estados Unidos (com a ajuda, acidentalmente, de instituiçons globais como as Naçons Unidas e o Fundo Monetário Internacional… Por isso quando um executivo di cousas tais como ‘Nom somos umha companhia estado-unidense. Somos IBM-US, ou IBM-Canadá, ou IBM-Austrália, ou IBM-China” digo-lhes: acham mesmo? Bom, entom na próxima vez que tiverem um problema na China liguem ao Li Peng para que vos ajude. E na próxima vez que o Congresso liquide umha base militar na Ásia –e você di que nom lhe afecta porque nom lhe preocupa o que Washington faga- ligue à Armada de Microsoft para que lhe assegure as rotas marítimas da Ásia. E na próxima vez que um congressista republicano sem experiência queira fechar mais embaixadas estado-unidenses, ligue à America-On-line, quando perder o seu passaporte”(22).

Este é o “império realmente existente”, o “sheriff solitário” de que Huntington fala, com a omnipresença dos estados metropolitanos, e sobretodo do Estado fundamental para a preservaçom da estrutura imperialista mundial: Estados Unidos; com a proliferaçom de grandes empresas “nacionais” com projecçom global apoiadas polos seus estados (os mesmos que na sua cándida ensonhaçom Hardt e Negri criam desaparecidos) e com a decisiva componente militar que caracteriza esta época –onde os povos pretensamente estariam a colher os dividendos da paz “mundial”, umha vez implosionada a antiga URSS, causante do equilíbrio do terror atómico dos anos da Guerra Fria- na qual, paradoxalmente, floresce a doutrina da guerra “infinita”, interminável e contra todos proclamada por George W. Bush.

Se algo de bom pode surgir da desafortunada notícia da activaçom da IV Frota é que a mesma nos permite deixar atrás a alucinada visom sintetizada em Império e que tanto atrasou a tomada de consciência das forças da esquerda, os seus partidos e movimentos sociais a respeito da verdadeira natureza do inimigo imperialista. Como o neno do conto aquele que gritou que “o rei está nu!”, a recente decisom de Washington tem um valioso efeito pedagógico: despeja do crucial terreno das ideias as erróneas interpretaçons do imperialismo contemporáneo, como a de Hardt e Negri, o qual é o imprescindível primeiro passo para traçar um panorama mais claro e realista tanto dos desafios que o imperialismo apresenta aos nossos povos como para construir as estratégias, tácticas e instrumentos políticos e ideológicos mais apropriados para o combater exitosamente.

* O autor é Director do PLED, o Programa Latino-Americano de Educaçom à Distáncia em Ciências Sociais do Centro Cultural da Cooperaçom Floreal Gorini, de Buenos Aires. Professor Titular de Teoria Política na Universidade de Buenos Aires e Investigador Superior do CONICET.

NOTAS

(1) Consultar entre muitos outros: Alex Callinicos, “Toni Negri em perspectiva” (http://revoltaglobal.cat/IMG/pdf/form_CallinicosToniNegrienperspe.pdf ); Néstor Kohan, “ O “Império” de Hardt & Negri e o Regresso do Marxismo Eurocêntrico” (http://www.cuestiones.ws/semanal/030503/sem-may03-03-kohan.htm)

Slavoj Zizek, “Reescrevêrom Michael Hardt e Antonio Negri o Manifesto Comunista para o século XXI?” (2001) http://es.geocities.com/zizekencastellano/arthardtnegri.htm

François Houtart, Tarik Ali, Peter Gowan e Rafael Hernández, “Que imperialismo?”, em Temas (Havana: 2003), Nº 33-34, Abril-Setembro; Leio Panitch e Sam Gindin, “Capitalismo global e império norte-americano” parte I e II, em Socialist Register em Espanhol (Buenos Aires: CLACSO, 2004 e 2005); John Bellamy Foster, “Imperialism and ‘Empire’ ”, em Monthly Review , Vol. 53, Nº 7, Dezembro de 2001.

(2) Ver o nosso Império & Imperialismo. Umha leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri (Quinta Ediçom, Prémio Extraordinário de Ensaio 2004 de Casa de las Américas) [Bos Aires: CLACSO, 2004].

(3) No Prólogo à Quinta Ediçom de nosso Império & Imperialismo dizíamos que “a guerra de Iraque, declarada em solitário polos Estados Unidos, tivo sobre a análise proposta naquela publicaçom o mesmo efeito que sobre a auto-estima norte-americana tivera a queda das Torres Gémeas de Nova Iorque.” (Cf. op, cit, p. 6)

(4) Sobre o tema das bases militares estado-unidenses na América Latina, conferir os diversos trabalhos de Ana Esther Ceceña e, especialmente, “Subjectivando o objecto de estudo, ou da subversom epistemológica como emancipaçom”, em Ana E. Ceceña, compiladora, Os desafios das emancipações num contexto militarizado (Buenos Aires: CLACSO, 2006), pp. 13-43.

Também da mesma autora, “Álvaro Uribe e a Base de Manta” http://www.prensamercosur.com.ar/apm/nota_completa.php?idnota=3833 e, por último, o seu muito instrutivo sitio web: www.geopolitica.ws.

(5) Stella Calloni, “Alertam sobre umha base estado-unidense para estudos nucleares na Terra do Fogo”, in La Jornada (México), 14 de Outubro de 2007.

(6) Esclareçamos, para nom existir a menor dúvida, que condenamos sem atenuantes a utilizaçom dos seqüestros como umha arma de luita política e que por isso mesmo celebramos a posta em liberdade dos reféns em maos das FARC. De todos os modos, subsistem demasiadas incógnitas a respeito da natureza desse “resgate” que, seguramente, com o passar do tempo, poderám ser despejadas, deparando nom poucas surpresas.

(7) Cf. “A importáncia de trabalhar juntos”, em La Nación (Bos Aires) 10 de Junho de 2008.

(8) Horacio López, Secesionismo, anexionismo, independentismo na Nossa América (Caracas: O cam e a rá, 2008), p. 23. O livro fundamental no qual Mahan expom a sua doutrina é The Influence of Seja Power upon History, 1660–1783 (1890, nom por acaso re-editado nos anos de Ronald Reagan: 1987).

(9) Ramón Grosfoguel. “Os limites do nacionalismo: lógicas globais e colonialismo norte-americano em Porto Rico”, em Jorge Enrique González, Editor. Naçom e nacionalismo em América Latina (Bos Aires: CLACSO, 2007)

(10) Nom é preciso sublinhar que esta estratégia, a da secessom, em datas recentes foi tirada do esquecimento polo Departamento de Estado para conter a maré esquerdista que cresce no continente. Nom é por acaso que tentativas separatistas, abertamente encorajadas por Washington, tenham aparecido em Zulia, Venezuela; no litoral equatoriano, ressuscitando umha ancestral mas longamente esquecida demanda em pró da fundaçom da República do Guayas, com sede em Guayaquil; e na Média Lua boliviana, onde a estratégia da secessom está na ordem do dia, potenciada sem dúvida pola esmagadora vitória de Evo no referendo revogatório do passado 10 de Agosto, que parece ter convencido a reacçom racista e fascista da Bolívia que a “soluçom” à crise admite só duas possibilidades: ou golpe de estado ou secessom. O primeiro ensaio exitoso desta estratégia imperialista de secessom tivo lugar no Texas, em 1845, por entom pertencente a México e que depois terminaria sendo anexada ao território de Estados Unidos. Desde entom tem um lugar privilegiado no manual de operaçons do Departamento de Estado.

(11) Segundo a Oficina de Naçons Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC nas suas sigla em inglês), no ano 2006 o cultivo de mapoula cresceu em 59 por cento, enquanto a do ópio o fijo em 49 por cento. Num recente articulo, Peter van Ham e Jorrit Kamminga [“Poppies for Peace: Reforming Afghanistan’s Opium Industry”, em Washington Quarterly, Inverno 2006-2007, pp. 69-81] examinam a fundo a situaçom da economia da droga no Afeganistam e a sua possível reconversom. Nada disto ocorreu, no entanto, sob a ocupaçom norte-americana.

(12) UNODC, Relatório Anual 2008, p. 1.

http://www.unodc.org/documents/wdr/WDR_2008/Executive%20Summary.pdf 13

(13) Sobre o caso Posada Carriles e a questom “dos 5” consultar o nosso “O terrorismo como política de estado”, em Página/12 e Rebelión  do dia 11 de Dezembro de 2007.

(14) Todavia, em meados de Junho de 2007 a Cámara de Deputados da Argentina transformou em lei um projecto do Poder Executivo que reprime o accionar do terrorismo e também o seu financiamento. A lei responde tanto a um reclamo dos Estados Unidos, como a umha pressom do Grupo de Acçom Financeira Internacional ameaçava com fazer um pronunciamento público declarando a Argentina país nom seguro. Essa mesma chantagem foi exercida sobre quase todos os países da regiom que, salvo algumhas poucas excepçons, aprovárom em tempo recorde a legislaçom solicitada polo império. Tam vadia é a caracterizaçom que fai a lei que em vários países da regiom surgírom fortes protestos pola sua aplicaçom para perseguir luitadores sociais ou movimentos que se oponhem às políticas neoliberais. Cf. “Aprovam umha lei antiterrorista que era reclamada polos Estados Unidos”, em Clarín (Bos Aires), 14 de Junho de 2007. Veja-se também a nota de Fernanda Balatti, “O terrorismo segundo Argentina”, em Le Monde Diplomatique (Bos Aires), ano IX, Número 108, Junho 2008, p. 6.

(15) http://www.defenselink.mil/releases/release.aspx?releaseid=11862

(16) Cf. Hugo Alconada Mon, “Estados Unidos com mais presença na regiom”, em La Nación (Buenos Aires), 28 de Abril do 2008.

(17) Hugo Alconada Mon, “Estados Unidos pom em marcha a IV Frota”, em La Nación (Buenos Aires), 13 de Julho de 2008.

(18) “O militarismo estado-unidense em América do Sul”, em Le Monde Diplomatique (Buenos Aires), Ano IX, Número 108, Junho 2008, p. 5. Este artigo fai parte de um excelente dossier dedicado ao tema e que inclui os seguintes trabalhos: Fernanda Balatti, “O terrorismo segundo Argentina”; “Adeus à base de Manta em Equador”, por Adriana Rossi; “A construçom da soberania regional”, por Daniel Pignotti; e “Apropriaçom de recursos naturais”, por Serena Corsi.

(19) Ibid., p. 5.

(20) Sobre a criminalizaçom do protesto social existe umha amplíssima literatura especializada. Em conexom com o tema do nosso trabalho, remetemos para a leitura do texto de Fernanda Balatti mencionado antes.

(21) Nom só nom lêrom Friedman. na realidade, nom lêrom nengum dos numerosos intelectuais orgánicos do imperialismo como Robert Kagan, Charles Krauthammer, Michael Ignatieff, Samuel Huntington, William Kristol, Norman Podhoretz e tantos outros, muitos deles nucleados em torno do projecto do Novo Século Americano e do qual a Administraçom Bush Jr. havia de recrutar numerosos servidores públicos para ocuparem cargos chave na estrutura governamental como Richard Cheney, Paul Wolfowitz, Elliot Abrams, John R. Bolton, Donald Rumsfeld e muitos mais.

(22) Thomas L. Friedman, “Foreign Affairs; Techno-Nothings”, en New York Times , 18 de Abril de 1998

 

 

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