O mal galego da "lealdade a Espanha"

15 de Janeiro de 2009

Reproduzimos o artigo previamente publicado nos portais Gznacion e kaos en la Red, da autoria de Maurício Castro, dedicado a analisar, na perspectiva das iminentes Eleiçons autonómicas, as atitudes dos principais partidos em relaçom à falta de soberania da Galiza.

Como se de umha santa cruzada se tratasse, o líder da sucursal galega do PSOE e presidente da Junta da Galiza, Emilio Peres Tourinho, pediu há uns dias, num acto eleitoral em Ourense, que “ninguém se engane": a Galiza que ele defende "sempre será leal a Espanha". A seguir, definiu o projecto nacional espanhol como "um projecto colectivo e formoso", no qual ele e o seu partido querem "participar apaixonadamente".

Toda umha declaraçom de princípios, de resto desnecessária, do medíocre presidente da Junta actual. Medíocre, porque estamos perante mais um de aqueles "espanhóis de quarta classe", tam bem caracterizados polo ferrolano Ernesto Guerra da Cal, que, enquanto tais, renunciam a ser "galegos de primeira". Com o nosso antifascista e ilustre exilado, devemos reconhecer que Tourinho é umha prova vivente de que nom chega com nascer no nosso país para ser considerado, na plenitude do significado, galego ou galega.

Nengumha referência, nas palavras do candidato do PSOE, à "lealdade" de Espanha para com a Galiza, na hora por exemplo de deixar de desmantelar a nossa capacidade produtiva em sectores como a construçom naval ou a pesca; nengumha exigência à Espanha da “língua comum” de respeito pola nossa desprezada língua nacional, que o próprio Tourinho maltrata cada vez que abre a boca. Nom. A grande preocupaçom do galego-espanhol que dirige o governo bipartido é garantir a "lealdade da Galiza à Espanha".

Trocado em miúdos, sabemos que a "leal Galiza" a que Tourinho se refere deverá continuar a agradecer a suposta generosidade dos subsídios espanhóis que possibilitam o nosso desenvolvimento. É, o de Tourinho, um pensamento autolimitado que considera insuficientes a riqueza das nossas rias, a potencialidade económica do nosso monte, a riqueza energética galega, o nosso importante sector pesqueiro... em definitivo, a força de trabalho do nosso povo. Por isso nom consegue enxergar umha viabilidade económica semelhante à de outras naçons europeias similares, apesar de algumhas serem já independentes, e até fazerem parte da sua venerada UE.

A escolha do PSOE de Tourinho, como a das outras opçons politico-institucionais maioritárias, continua a partir do princípio ideológico de que a Galiza só pode existir fazendo parte de Espanha. Os três grandes líderes que se confrontarám no próximo 1 de Março nom se cansam de repetir a mesma fidelidade dos seus projectos políticos pola unidade da Espanha surgida da Constituiçom de 1978.

Alguns, como o PP, defendem isso sem complexos; outros, como o PSOE, vestem o mesmo objectivo com a vácua parafernália da "Espanha plural"; quanto ao BNG, o seu é o triste papel de quem legitima a mesma unidade sob a fórmula do impossível "reconhecimento do carácter plurinacional, pluricultural e plurilingüístico". Impossível, porque fazê-la efectiva significaria a assinatura da acta de defunçom de Espanha como o projecto nacional expansionário em construçom que ainda é. E, se nom é para a fazer efectiva, para que serve essa fórmulha? Seguramente, só para legitimar, no melhor dos casos, um novo Estatuto recauchutado que seica está por chegar.

Nom falha no caso galego a nossa capacidade objectiva para, como colectivo, nos constituirmos em naçom soberana. Falha é a mentalidade de sectores socias como o representado por Tourinho e polo parlamento autónomo em pleno, penetrados em maior ou menor medida polo mesmo sentimento de inferioridade. Um sentimento que transmitem, a partir dos seus postos dirigentes e com ajuda da maquinaria mediática e educativa espanhola, sob o discurso ideológico da "lealdade a Espanha". Muito maior, no caso dos três principais partidos, que a imprescindível lealdade à Galiza e ao seu futuro.

Maurício Castro (14-01-2009)

 

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