Querem fazer pagar às trabalhadoras e trabalhadores a crise da especuladora Martinsa-Fadesa

22 de Julho de 2008

A suspensom de pagamentos ou concurso de credores de um dos maiores empórios da especulaçom imobiliária dos últimos anos, Martinsa-Fadesa, perfila-se como mais um exemplo do funcionamento do capitalismo: o lucro para os patrons, a crise para os trabalhadores e as trabalhadoras.

Com efeito, 72 empregados e empregadas estám já na Galiza a ponto de ser despedidas polos efeitos do rebentamento da bolha imobiliária numha das maiores empresas do sector da construçom da Europa (terceira do Estado espanhol), que protagoniza a maior suspensom de pagamentos da história da Península.

Quando falamos de suspensom de pagamentos (hoje denominada concurso de credores) estamos a falar de umha situaçom financeira em que umha empresa está a ponto de se converter em insolvente, nom podendo assumir o pagamento das suas dívidas aos bancos (5.000 milhons, no caso de Martinsa-Fadesa).

Dessa forma, o pagamento de créditos fica congelado enquanto se estuda a continuidade da empresa. Nessa situaçom, o futuro das construçons já vendidas e nom concluídas fica em suspenso, dadas as circunstáncias. No caso de Martinsa-Fadesa, 12.578 famílias entregárom elevadas quantidades a esse grupo para umha casa que nom lhes foi entregada por enquanto.

Em todo o caso, a primeira fórmula pensada polos directivos da empresa para afrontar os problemas já foi o recurso ao ERE (Expediente de Regulaçom de Emprego); quer dizer, pôr na rua um número inicial de 72 pessoas na Galiza, 60 das quais já fôrom pactuadas com antecedência pola Conselharia do Trabalho da Junta da Galiza e a empresa, segundo denunciou a CIG.

Entretanto, os patrons começam a acusar-se mutuamente dos problemas. A firma de Fernando Martín acusa a de Manuel Jove (de capital galego, comprada por aquele) de ilegalidades em Fadesa, por ter como prática habitual a construçom de vivendas sem licenças.

Nada reconhecem, uns nem outros, sobre as práticas especulativas que praticárom durante anos, com expropriaçom de terreios abusivas e posteriores altas de preços desproporcionadas na venda de chalés geminados em mega-projectos contrários a qualquer sustentabilidade socioambiental, como as urbanizaçons do Pino ou de Minho, na actualidade quase paralisada, com algumhas casas ocupadas e outras a meio construir.

O bolo especulativo do capitalismo na Galiza completa-se com a cumplicidade institucional, com todos os partidos parlamentares (PP, PSOE e BNG) a colaborar com os negócios dos delinqüentes do sector imobiliário. Já agora, adivinhades quem pagará afinal os negócios fraudulentos destes piratas?

 

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