A RAG mantivo seqüestrados 5 anos dados fundamentais sobre a acelerada espanholizaçom do nosso povo

18 de Março de 2009

Nom som dados actuais, mas de há cinco anos, que por algum motivo a filo-espanhola Real Academia Galega mantivo na gaveta desde 2004 e só agora começa a difundir. Os primeiros dados publicados, referidos à língua inicial, confirmam as análises independentistas da última década: o espanhol está perto de se converter, pola primeira vez na história da Galiza, na língua maioritária deste povo em termos absolutos.

Os dados som tam contundentes como dificilmente maquilháveis polos altifalantes oficiais mas, apesar da sua gravidade, a colaboracionista RAG nom tivo nengumha pressa em os dar a conhecer. De facto, até os políticos que o vinham negando durante os últimos anos começam a reconhecer que o uso do galego recua a grande velocidade no seio da sociedade que o falou durante os últimos doze séculos.

Apesar dos milhons de euros investidos em suposta "promoçom do galego" polos sucessivos governos autonómicos desde 1980, a queda de usos do galego nas três últimas décadas é mais pronunciada do que nunca, incluído o franquismo. Se realmente todos esses governos tivessem como objectivo normalizar o galego, a bancarrota de todos eles deveria levar à assunçom de responsabilidades por tam sonoro fracasso por parte de todos os cargos públicos envolvidos na matéria, o que nunca aconteceu na Galiza autonómica.

Dados mais do que previsíveis

Como era previsível desde polo menos a publicaçom do primeiro inquérito que deu lugar ao chamado Mapa Sociolingüístico Galego, a inícios dos anos 90, a situaçom só podia piorar, pois as condiçons socioeconómicas e as tendências demográficas incrementavam o novo ambiente de pressom abafante do espanhol sobre o galego em ámbitos como o laboral, o mediático, o da justiça ou o do ensino.

Apesar disso, os lingüicidas que nos governam mantivérom as mesmas políticas de uso folclórico do galego, como inservível código redundante abaixo do espanhol. A mensagem institucional e dos poderosos meios económicos, mediáticos e educativos do poder tem sido verdadeiramente letal para a sobrevivência da nossa comunidade lingüística, e assim continua a ser.

As boas palavras, os consensos institucionais entre os partidos "ordeiros e responsáveis" (nomeadamente o PP, o PSOE e o BNG) tenhem servido, continuam a servir, de monumental fraude e engano para deixar morrer o nosso idioma ao mesmo ritmo que a Galiza se homologa com o projecto nacional espanhol.

Os dados som incontestáveis: Em 12 anos, duplicou-se o número de pessoas entre 15 e 54 anos que nunca utilizam o galego (passou-se de 13% para 25,8%). Em simultáneo, o número de pessoas monolíngües em galego reduziu-se de 30,5% para 16%, enquanto as bilíngües com uso principal do galego também recuou de 30,5% para 22,9%. Ao invés, o uso maioritário do espanhol aumento de 26% para 35%.

Entretanto, as instituiçons continuam a abandonar o galego à sua sorte, apoiando a espanholizaçom do ensino (nunca deixárom de fazê-lo, tampouco entre 2005 e 2009); continuam a financiar meios de comunicaçom abertamente antigalegos; a impor umha justiça 100% espanhola e a fomentar o espanhol e a ideologia galegófoba.

Há alternativa?

Quanto a nós, os galegos e as galegas com dignidade e orgulho de tais, os e as que nom queremos ser uns ninguém, podemos esperar outra década para que a RAG, prévio seqüestro de dados estatísticos fundamentais, volte a mostrar-nos o caminho para a morte matada do galego que estamos a percorrer; ou entom, reagir de maneira firme e unitária, em chave de povo, em defesa do principal património colectivo desta naçom, a única de que somos filhos e filhas, chamada Galiza.

Assumamos e levemos à prática, no dia a dia e de maneira colectiva, as palavras de Manuel Maria, o poeta chairego de Outeiro de Rei:

Hai que defender o idioma como seja:
com raiva, com furor, a metralhaços.
Hai que defender a fala em luita reja
com tanques, avions e a punhetaços.

Hai que ser duros, peleons, intransigentes
cos que tenhem vocaçom de senhoritos,
cos porcos desertores repelentes,
cos cabras, cos castrons e cos cabritos.

Temos que pelejar cos renegados,
cos que tentam borrar a nossa fala.
Temos que luitar cos desleigados
que desejam matá-la e enterrá-la.

Seríamos, sem fala, uns ninguém,
umhas cantas galinhas desplumadas.
Os nossos inimigos sabem bem
que as palavras vencem às espadas.

O idioma somos nós, povo comum,
vencelho que nos jungue e ten em pé,
herança secular de cada um,
fogar em que arde acesa a nossa fé.

Cançom para cantar todos os dias, Manuel Maria.

 

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