Estados Unidos está no eixo do mal ou é o mal mesmo?

22 de Janeiro de 2009

Reproduzimos o artigo de opiniom publicado por Xavier Moreda, coordenador da Associaçom Galega de Amizade com a Revoluçom Bolivariana (AGARB), no portal contrainformativo Kaos en Red, sobre as supostas mudanças institucionais em curso nos Estados Unidos da América e o contexto internacional em que se produzem.

Nestes dias de pompa e circunstáncia em Washington, DC, as primeiras decisons de Obama só seriam conhecidas quarta-feira porque, segundo um conselheiro, a administraçom "nom quer ofuscar a tomada de posse histórica de Obama como primeiro Presidente afro-americano". Todo isto apesar da guerra em Gaza e da crise do sistema cada dia mais profunda e as ideias do new american century defendidas polos neo-cons que tentam redescobrir com o suposto sonho encarnado em Barack, este belo desastre chamado EUA.

Até Zapatero, com voz aveludada, desejava como se falasse com a santíssima trindade -com a banda sonora ao fundo daquele filme que fedia a miséria franquista "bienvenido mister Marshal"- curvava-se e encomendava-se a Obama, o espírito e mais que nada a economia. No entanto, muitos e muitas pensamos na política de carácter fascista comandada por Bush e os seus sequazes, a partir da própria Casa Branca contratando a agências criminais. Inventando umha maquinaria de guerra e política impossível de dinamitar nem mesmo com o espírito do Luther King, com o paradigmático sonho americano; pintando albergo voluntariamente a carom do proclamado herdeiro. Parecia impossível que tal monstro existisse neste século. Mas a história das administraçons americanas, especificamente, demonstra sempre que se pode piorar e sofistificar paralelamente para se trocar num imenso desastre para o mundo como a própria administraçom Bush. Já pudemos experimentar que todo é possível. É por isso que a imagem impecável do Obama quer com umha campanha mediática esquecer ou fazer esquecer a era interminável e criminosa da administraçom Bush. É difícil de acreditar que isto vaia realmente a acontecer. Como é que ainda hoje se justifica a manipulaçom mediática com os três dos Açores mentindo sistematicamente face a invasom do Iraque, as torturas redefinidas para serem legalizadas, os cárceres e os lugares de detençom alegais, a arrogáncia conseqüente dumha diplomática construída sobre a mentira coral e construída sobre interesses corporativistas.

A facilidade da manipulaçom da informaçom nom tem vacina contra a rapidez com que as cousas circulam e nom podem prever um regime de carácter totalitario, nazi e pró-sionista ao unísono. A memória é violável. E os ciclos repetem-se se o mundo nom quer entender que o internacionalismo genuíno e conseqüente da esquerda real é o único antídoto contra a barbárie vestida elegantemente, ainda que seja por Barack Obama que seguro que também utiliza a memoria como verniz que arroupa e ajuda à construçom dum disfarce à medida do momento histórico.

Roubadas as eleiçons, tanto a de 2000 como a de 2004, os EUA regressaram com um novo interprete, Obama, a umha filosofia, umha espécie de religiom civil de povo escolhido por um Deus irascível e omnipotente baseada no medo. A inteligência substitui, formalmente, ao mais primário, à sofisticaçom do comportamento mais básico, mais elementar do cowboy.

Nom foi necessário, nom entra dentro das formas da diplomacia ianque como manifestaçom codificada do respeito necessário para se entender, que a senhora Clinton: futura Secretária de Estado, antes de fazer o seu discurso ante o comité de relaçons Exteriores do senado dos EUA, fosse conhecer os novos governos latino-americanos.

Para saber quem é ela, sem os proconceitos intrínsecos que o próprio cargo de nível imperial contém -negociado no mesmo momento de perder a raposa as elecçons- nom é preciso conhecer em profundidade a actuaçom do seu alter ego. Antes de se fazerem cargo do super ministério de exteriores americano e as suas políticas, para nom ser recebida a zapatadas por nom ter resolvido antes os problemas pendentes, genericamente: Colômbia, Guantánamo, Cuba, entre muitos outros-, para nom andar a brincar e correr o risco de ser recebida nom com boas vindas nem com presentes, senom com sapatadas à moda do Iraque. Os jeitinhos nom mudam, mais quando o seu discurso nom esconde ou nom pode esconder a pretensiosa diplomacia que ela já chama, eufemisticamente, directa; baseada num poder "inteligente" que continua a pensar América do Sul sem sulamérica, como um cortelhinho controlável, cheio de índios sem preparaçom ou como diria o fabuloso dos Açores espanhol (soldadito valiente): "umha exoticidade", umha maneira como outra qualquer de demonstar ao "resto do mundo", a partir da grandiosidade do império pretensamente voltado para o diálogo ao resto de América: "Deveremos ter umha agenda positiva no hemisfério como resposta ao tráfico de temor propagado por Chávez e Evo Morales."

É quanto menos curioso e, sem dúvida cínico, o império nunca é ingénuo, que quando a Bolívia exerce a sua soberania expulsando o embaixador dos EUA, polas reiteradas intromissons na política interna desse país que promove os planos golpistas da oposiçom fascista.

Quando a Bolivia expulsa o embaixador israelita. Quando o governo de Chaves expulsa dumha maneira exemplarizante para o mundo e rompe relaçons com o Estado sionista, actuam.

No entanto Zapatero e os seus homólogos instalados na covardia confortável da Uniom Europeia; confundida nos e polos meios com o diálogo, quer ter uma relaçom de "diálogo positivo", como a sra. Clinton deveriam, antes de nada, fazer autocrítica da política que os Clinton, ela e mais el, em amor e companhia, desenvolveram no continente e no chamado mundo ocidental que inclui misteriosamente a Israel.

Falam de temor e de medo, de terrorismo em nome da potência que permitiu Abu Graib, que permite e apoia o genocídio em Gaza, que mantém Guantanamo sem se saber ainda como e até quando vai durar a sua existência, o mesmo império que recentemente mandou a sua V Frota circular polas costas do continente no momento em que eram descobertas as reservas de petróleo no Brasil. Falam, e fam campanha do temor para criminalizar os novos dirigentes sul americanos antes de normalizar (definiçom imperial) as relaçons com Cuba, à qual já tenhem advertido que a lei Burton nom vai ser derrogada polo menos na sua totalidade, nom vam terminar com o criminoso bloqueio de mais de 40 anos. Antes de retirar de forma imediata a base de terror de Guantanamo e devolver esse território usurpado, com contrato de aluguer ao império há mais de um século a Cuba, darám muitas mais voltas ao dicionário penal que só eles utilizam e ao qual só eles tenhem acceso para determinar que é o que é tortura.

EUA está no eixo do mal ou é o mal mesmo?

 

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