Polémico parentesco entre o BNG e o Plano Aqüícola: pai, tio, ou primo?

5 de Setembro de 2008

O que acabou de acontecer após a aprovaçom do Plano Aqüícola polo Conselho da Junta da Galiza, formado polo PSOE e polo o BNG, resume de maneira pedagógica e significativa aquilo que fôrom estes três anos e meio de governo bipartido.

Os factos

Num aceso debate social, o movimento ecologista, os trabalhadores e as trabalhadoras do mar e, em geral, o movimento popular rejeita de maneira contundente os planos de Tourinho para encher a costa de piscifactorias sem qualquer atençom às condiçons paisagísticas, ambientais e económicas de umha agressom de grandes dimensons.

A posiçom do BNG, morna e contraditória, só matiza os perfis de um plano que, afinal, a Conselharia do Ambiente, em maos do PSOE, apresenta ao Conselho da Junta (nom à direcçom do PSOE, nom ao governo de Zapatero em Madrid), onde é aprovado. A imposiçom do Plano Aqüícola, rejeitado imediatamente polo tecido associativo mais diverso, coincide com o anúncio de Tourinho de que, contra o seu critério anterior, as eleiçons nom vam ser adiantadas, em linha com o defendido polo BNG.

O BNG quer manter um pé em cada margem

O BNG, através do seu 'perito' (ou deveríamos dizer melhor 'esperto'?) em temas de pescas e mariscos, Bieito Lobeira, oferece aos media umhas declaraçons em que fala de "fazer o possível" para que os projectos mais agressivos nom cheguem a realizar-se. Colocando um pé em cada margem do conflito -um no governo, outro na oposiçom- di que o BNG "nom é o pai da criatura".

Mas o equilíbrio pretendido por Lobeira e os representantes institucionais do BNG nom é fácil de manter. Aginha saiu o conselheiro do Ambiente, o 'pai da criatura', Manuel Vasques, para lembrar que "o Conselho da Junta aprovou por unanimidade o Plano Aqüícola", e que todas as conselharias afectadas, incluídas as do BNG, emitírom informes favoráveis ao projecto.

Quintana e Branco falam claro

Claro que, para esclarecer a posiçom real do Bloque num tema estratégico do ponto de vista socioambiental e económico para o nosso país, saiu o seu flamante numero 1, Anxo Quintana: as declaraçons do deputado do seu grupo fôrom, dixo, "excessivas", acrescentando que o Plano Aqüícola "tem que ser assumido por todo o Executivo".

A seguir, o conselheiro da Indústria, Fernando Branco (da UPG como Lobeira), reafirmou as palavras de Quintana, garantindo que o BNG nom vai boicotar os projectos aqüícolas incluídos no Plano Aqüícola.

Resumo pedagógico e significativo

Dizíamos que este caso retrata o que foi esta legislatura, nomeadamente para o BNG. Com efeito, e tal como reconheceu o seu líder, os e as representantes do Bloque fam parte desde 2005 do Conselho da Junta, tal como o PSOE, sendo por isso corresponsáveis de todas e cada umha das decisons adoptadas por esse executivo.

Com o intuito de manter umha certa aparência de progressismo e até de 'nacionalismo' que há tempo abandonárom, os autonomistas liderados por Anxo Quintana e Francisco Rodrigues tenhem jogado, nestes anos, a umha impossível oposiçom dentro do governo. É verdade que nalguns casos nom tivérom problemas para assumir posiçons injustificáveis, como o aumento do soldo dos políticos, a continuidade da Cidade da Cultura, a proposta de privatizaçom de estaleiros ou agressons ao meio como as do Courel ou a ria de Ferrol.

Porém, noutros casos, a direcçom do Bloque 'desmarca-se' mediaticamente de políticas claramente antipopulares, tentando descarregar sobre o PSOE o que é umha responsabilidade compartilhada: o claro continuísmo que ambas formaçons aplicam em relaçom às políticas reaccionárias do PP. Assim acontece com o ensino, a sanidade, a língua, a economia, os acidentes laborais...

Neste caso, o jogo do BNG ficou à vista de quem queira vê-lo. Sendo o PSOE e o BNG 'irmaos políticos' no seio do Conselho da Junta, e dando por feito que os de Quintana nom fam o 'primo', podemos resumir o parentesco dos dirigentes do BNG com o Plano Aqüícola, parafraseando Bieito Lobeeira, dizendo que som, como mínimo, 'tios da criatura'.

 

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